Homo Deus: Uma breve história do amanhã
Yuval Noah Harari

A exemplo do best-seller Sapiens – Uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari, também autor de Homo Deus – Uma breve história do amanhã, nos brinda com um texto de pura originalidade.

 

Em Sapiens o autor nos remete a um passado científico, enquanto em Homo Deus se dedica a intuir um futuro assentado na história, no desenvolvimento científico e na filosofia.

De onde viemos? Nos foi dito em Sapiens.

Para onde vamos?

O autor ajuda a desenvolver uma visão baseada nas inovações, nos avanços científicos e tecnológicos, sem desprezar os aspectos filosóficos. Eventualmente, nos remete a acontecimentos históricos já relatados em sua obra citada.

O texto provoca inquietação quando são apresentados fatos que estabelecem tendências que poderão nos levar a um futuro baseado em uma lógica do comportamento humano, que poderá vir a ser usado para o bem e para para o mal.

“As mesmas ferramentas que capacitam médicos a identificar e curar rapidamente doenças novas podem também capacitar exércitos e terroristas a arquitetar doenças ainda mais terríveis e patógenos apocalípticos. Portanto, as grandes epidemias vão continuar a pôr a humanidade em perigo no futuro se, e somente se, a própria humanidade as criar, a serviço de alguma ideologia brutal.”

O açúcar e a pólvora

O autor compara os danos causados pelo açúcar, no ser humano, com a violência provocada pela guerra e ao estado depressivo, que pode leva o indivíduo a cometer suicídio.

Enquanto a busca pelo poder e a exclusão social são fatores que podem provocar a violência e a morte, diante da inquietude, outro tipo de insatisfação pode engatilhar e revelar processos depressivos, em indivíduos geneticamente expostos, diante de situações de perda e violência.

A diabetes causa mais danos à saúde que os conflitos sociais.

“Enquanto nas antigas sociedades agrícolas a violência humana foi a causa de 15% de todas as mortes, durante o século XX a violência provocou apenas 5% dos óbitos, e no início do século XXI foi responsável por cerca de 1% da mortalidade global. Em 2012, aproximadamente 56 milhões de pessoas morreram no mundo inteiro; 620 mil morreram em razão da violência humana (guerras mataram 120 mil pessoas, o crime matou outras 500 mil). Em contrapartida, 800 mil cometeram suicídio, e 1,5 milhão morreram de diabetes. O açúcar é mais perigoso do que a pólvora.”

Castigo divino

O desconhecimento científico fazia com que a humanidade encontrasse no “pecado” a justificativa para as epidemias.

Devido à ausência de uma explicação científica, as pestes eram aceitas como castigo divino.

Atualmente, a fé, para os mais esclarecidos, advém de outros fatores, contudo, ainda se ouve “foi Deus quem quis assim”, como justificativa para a ausência de providências sociais e entendimentos a respeito das verdadeiras causas.

O Deus punitivo, repressor e causador de sofrimento é coisa do passado ou da crença divulgada pelas igrejas ortodoxas.

“Até a era moderna, a culpa pela doença foi atribuída ao ar viciado, a demônios maliciosos ou a deuses raivosos; não se suspeitava da existência de bactérias e de vírus. As pessoas acreditavam facilmente em anjos e fadas, mas não conseguiam imaginar que uma pulga minúscula ou uma simples gota d’água contivesse um exército completo de predadores mortais.”

A revelação de uma manifestação humana a partir de algo inesperado inspira uma nova epifania humana, tão bem retratada no texto comparativo entre o passado e o presente.

A epifania e o leão

“Não muito tempo atrás os biólogos deram uma resposta muito simples. As experiências subjetivas são essenciais à nossa sobrevivência porque, se não sentíssemos fome ou medo, não nos preocuparíamos em caçar coelhos ou fugir de leões. Ao ver um leão, por que um homem foge? Bem, ele se assustou, por isso foge. As experiências subjetivas explicam as ações humanas. Mas hoje os cientistas oferecem uma explicação muito mais detalhada. Quando um homem vê um leão, sinais elétricos se movimentam do olho para o cérebro. Os sinais que entram estimulam certos neurônios, que reagem disparando mais sinais. Estes estimulam outros neurônios adiante, que por sua vez disparam seus sinais. Se um número suficiente dos neurônios corretos dispararem a um ritmo rápido o bastante, comandos são enviados às glândulas suprarrenais para que inundem o corpo com adrenalina, o coração é instruído a bater mais rápido, enquanto neurônios no centro motor enviam sinais para os músculos da perna, os quais começam a se distender e contrair. Então o homem sai correndo para fugir do leão.”

Revolução humanista

A revolução humanista levou a sociedade a alterar a linha de raciocínio. Vejamos:

“Em 7 de janeiro de 2015, fanáticos muçulmanos assassinaram vários membros da equipe da revista francesa Charlie Hebdo em virtude da publicação de caricaturas do profeta Maomé. Nos dias seguintes, muitas organizações muçulmanas condenaram o ataque, mas algumas não resistiram e acrescentaram uma ressalva. Por exemplo, o Sindicato de Jornalistas Egípcios denunciou os terroristas pelo uso da violência e no mesmo fôlego denunciou a revista por “ferir os sentimentos de milhões de muçulmanos no mundo todo”. Note-se que o sindicato não culpou a revista por desobedecer à vontade de Deus. É a isso que chamamos progresso.”

Para os que leram Sapiens – Uma breve história da humanidade, vai acompanhar, com mais facilidade, a linha empregada no texto Homo Deus – Uma breve história do amanhã.

 

O livro traz uma mensagem abrangente, lógica e isenta de preconceito.

O texto evidenciado em Homo Deus – até pela escolha do título – nos coloca nas mãos da humanidade. O futuro é exposto em uma perspectiva coerente, simplista e responsável. Lê-lo com a mente aberta, acompanhando a linha de raciocínio traçada pelo autor, certamente, trará ensinamentos e reflexões importantes que podem ajudar a alterar o comportamento cotidiano para atitudes mais responsáveis e ampliar o horizonte voltado para o futuro mais compreensivo.

Yuval Noah Harari

yuval-noah-harari-2O autor nasceu em 24 de fevereiro de 1976, em Israel, especializou-se em história medieval e militar, antes de completar seu doutorado no Jesus College, Oxford, em 2002. Desde então, ele tem publicado numerosos livros e artigos, incluindo Sapiens: Uma breve História da humanidade (2014); Renaissance Military Memoirs: Guerra, História e identidade, 1450–1600 (2004); Operações especiais da era do cavalheirismo, 1100–1550 (2007); A última experiência: Revelações do campo de batalha e a criação da guerra cultural moderna, 1450–2000 (2008).

E especializado em História mundial e processos da macro-história. Sua pesquisa se concentra em questões da macro-história, tais como: Qual a relação entre a História e a Biologia? Qual a diferença fundamental entre o Homo sapiens e outros animais? Existe justiça na História? A História tem uma direção? Será que as pessoas se tornaram mais felizes com o passar do tempo?

Harari ganhou duas vezes o Prêmio Polonsky por Criatividade e Originalidade, em 2009 e 2012.
Em 2011 ele ganhou o prêmio Moncado de História militar para a sociedade pelos artigos de destaque na História militar.
Em 2012 ele foi eleito para academia Jovem Israelita de Ciências.

Título original: HOMO DEUS
Tradução: Paulo Geiger
Capa: Alceu Chiesorin Nunes
Páginas: 448
Formato: 16.00 X 23.00 cm
Peso: 0.673 kg
Acabamento: Brochura
Lançamento: 11/11/2016
ISBN: 9788535928198
Selo: Companhia das Letras

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