O romance traz uma história curiosa.

Relatar situações vividas pelo povo afegão, submetido aos talibãs e envolve dois casais que destoam do relacionamento tradicional naquele país.

Os personagens

Um burguês, sem esperanças; uma advogada, impedida de exercer a profissão; uma mulher, que luta pela sobrevivência diante de uma doença incurável.

Um guarda de presídio, que se abate ao presenciar execuções de pessoas que agem fora dos padrões religiosos definidos pelo regime tirano de uma sociedade muçulmana, completa a trama.

Quatro são os personagens que vivem em Cabul, quando os talibãs determinam um regime desumano: Mohsen (intelectual); Zumira (advogada); Atiq (carcereiro) e sua mulher Mussart.

A felicidade como meta

Nos últimos capítulos, por situações diferentes, os destinos dos casais se entrelaçam, e a maior surpresa aparece quando Mussarat, esposa de Atiq Shankat, percebe a angustia do marido que apaixonou-se, involuntariamente, por Zunaira, esposa de Moshen.

Ela, Mussarat, decide abrir mão da própria vida para tentar fazê-lo feliz.

O autor tenta mostrar de forma sutil que o ser humano, apesar de agir conforme preceitos religiosos, são levados por sentimentos inerentes à própria natureza.

Yasmina Khadra

yasmina-khadra2Usa o pseudônimo literário do argelino Mohamed Moulessehoud.

Recebeu o Prêmio dos Livreiros Franceses 2006.

É considerado uma das grandes vozes da moderna literatura francesa.

 

 

 

 

Referência bibliográfica

Khadra, Yasmina
As andorinhas de Cabul / Yasmina Khadra – Sá Editora, 2006.
173p.
ISBN 987-85-88193-30-7
1. Romance francês I. Título.
(R)

Sinais para necessidade de mudança

O livro conta a história de um executivo, aparentemente bem sucedido, que percebeu sinais de insatisfação nas pessoas com quem se relacionava.

Um movimento sindical, as constantes reclamações da esposa e as repetidas rebeldias dos filhos chamaram a sua atenção para a necessidade de mudança.

Por sugestão da esposa, aconselhou-se com um pastor e decidiu fazer parte de um grupo em treinamento.

Sob a coordenação de Len Hoffman, um executivo que decidiu se tornar frade, os participantes com experiências divergentes analisaram e discutiram paradigmas, crenças e valores, comumente empregados na administração de pessoas e nas relações pessoais.

Debates e lições

A interpretação dos sinais pode se tronar importante indicação nas relações humanas.

A maneira como interagimos e decidimos ser, resulta na qualidade das relações pessoais e estas interferem na vida familiar, nas finanças e no trabalho.

O comportamento pode se apresentar com uma falsa roupagem e serve para sustentar as relações com o poder.

Devido a isso, muitas vezes, o que parece ser não é.

A liderança só adquire autoridade quando é estabelecido o exercício do sacrifício do líder em favor dos liderados.

A escolha de se colocar e se comportar a serviço do grupo, desconsiderando sentimentos que possam atrapalhar os resultados dos objetivos e as relações pessoais, são fundamentais para sustentar a autoridade.

Influência por servir

Com a autoridade adquirida, através do servir, é possível influenciar e impulsionar pessoas o que resume, basicamente, o papel do líder.

O caráter do indivíduo, diferente do poder conquistado ou concedido, define o comportamento, e, com ele, o exercício da autoridade. Por isso, o indivíduo pode exercer o poder sem ter autoridade.

Sem autoridade não se impulsiona pessoas, porque, para mobilizar pessoas em vez do poder é preciso liderá-las.

Retirada dos obstáculos

A liderança precisa satisfazer às necessidades legítimas dos liderados, deslocando obstáculos que impeçam as conquistas dos seus objetivos.

O uso do poder remete a atitudes egoístas, podem agradar às hierarquias constituídas, contudo, não alcançam as finalidades para as quais foram criadas.

Na prática da liderança não se pode atuar como vítima. O sacrifício faz parte do contexto e é assim que o líder adquire autoridade. Quando isso não ocorre, resta a busca do poder para sustentar o comando.

No passado era escolhido chefe o que sabia mandar e colocar barreiras.

Atualmente é quem sabe compreender e investir nas pessoas, estimulando-as a oferecer o melhor e flexibilizando as relações, sem comprometer os objetivos.

Cada visão de mundo

O mundo é visto como somos e não, verdadeiramente, como é.

O poder pode até funcionar por algum tempo, contudo, há tendência de envelhecer. Envelhecer no sentido de ser ultrapassado, superado, sair do contexto e de moda.

Enquanto o poder é superado, a autoridade, de um verdadeiro líder, consegue manter-se devido à utilidade de atos praticados, além da continuidade do serviço ao longo das nossas vidas.

Referência familiares

Isto fica ainda mais claro nas relações familiares. Os pais, na grande maioria, têm autoridade sobre os filhos, porque são úteis pelo resto da vida, mesmo quando os filhos não dependem mais financeiramente e da proteção, continuam à disposição e funcionam como referências de caráter.

Características de um líder

O líder, segundo James C. Hunter, deve ter autocontrole, ocupar-se em ouvir valorizando as opiniões, incentivar, ter autenticidade sem arrogância, dar importância às pessoas e satisfazer suas justas necessidades, perdoar sem ressentimentos, manter-se coerente com os compromissos, ser integro e livre de enganos, ir ao encontro das pessoas e fazer com que elas se movam através de relações saudáveis.

O livro é um despertar para as relações pessoais.

Engana-se o leitor que julgar não ter somado conceitos e ensinamentos, para o cotidiano.

James C. Hunter

james-c-hunter-1Experiente consultor-chefe da J. D. Associados, uma empresa de consultoria de relações de trabalho e treinamento.

Com mais de 20 anos de experiência, Hunter é muito solicitado como instrutor e palestrante, principalmente nas áreas de liderança funcional e organização de grupos comunitários

Mora nos Estados Unidos.

Seu livro teve grande aceitação no mercado empresarial.

Informações bibliográficas

o-monge-e-o-exeutivo-1Hunter, James C, 1955
O monge e o executivo / James Hunter – Sextante, 2004.
144p.
ISBN 85-7542-102-6
(R)

Um garoto rico, egoísta, covarde e ciumento, nascido no Afeganistão, arranja um amigo fiel que lhe serve de companheiro e se faz presente nas horas mais difíceis.

A covardia e insegurança, de Amir, certamente provocada pela ausência do bem sucedido pai e da falta da mãe, que não chegou a conhecer, estimulavam a agressividade praticada por outros garotos que viviam em Cabul.

Estratificação social

cacador-de-pipas-3Quando Amir era agredido Hassan, que figurava como seu empregado, se colocava em defesa e os garotos, apesar de próximos, tiveram experiências e sentimentos muito e singulares.

Enquanto Amir demonstrava fragilidade, apesar de compartilhar da respeitada casta pashtun, Hassan tinha motivos, de sobra, para se sentir inseguro por pertencer à etnia hazara, discriminada no Afeganistão.

Hassan passou por algumas situações humilhantes devido ao excesso de dedicação à Amir, principalmente, quando se opunha às provocações do grupo liderado pelo garoto Assef, o qual alimentava ódio pelos hazaras.

Guerra e migração

guerra-no-afeganistao-1Apesar de filhos do mesmo pai, com mães diferentes, Amir tentava entender as suas maldades e Hassan atuava com vigor e desembaraço em defesa do irmão, até que problemas políticos, ocorridos no Afeganistão, separaram os dois personagens.

O rico migrou para os Estados Unidos e o pobre permaneceu em Cabul entregue às mazelas de um país invadido por forças russas e também submetido ao fundamentalismo religioso do talibã.

Nos Estados Unidos, anos depois de casar-se com a compreensiva Soraya, o médico Amir recebeu um telefonema de Rahim Khan, amigo do seu falecido pai, que se encontrava doente no Paquistão.

Decidiu partir ao seu encontro e de lá para o Afeganistão, após tomar conhecimento da tragédia sucedida com Hassan e tentar entender parte sua própria história.

Lá chegando, após as dificuldades encontradas no trajeto, encontrou um país destruído e quase não consegue reconhecê-lo.

Inércia em vez ação

cacador-de-pipas-1Agredido e perseguido por ter abandonado o país, após ser informado por Rahim que Hassan era seu irmão, imagina poder corrigir erros do passado, a exemplo do ocorrido com a traição feita no dia do campeonato de pipas, quando Hassan foi estuprado por Assef e ele se omitiu.

O romance possuir ingredientes que atrai o leitor, sublimando aspectos da personalidade humana e distorce à identificação cultural norte-americana, como uma das raras oportunidades para o alcance da felicidade.

O livro fala da invasão russa, do regime talibã, mas, omite o envolvimento político dos Estados Unidos na região.

Independente da tendência política e cultural a narrativa traz reflexões sobre os conflitos da psique.

Neste aspecto, atinge o objetivo.

Khaled Hosseini

khaled-hosseini-2Médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense.

Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão.

Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai.

Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder.

Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

Escreveu além do Caçador de Pipas, A Cidade do Sol e O Silêncio das Montanhas.

Referência bibliográfica

O caçador de pipas: romance / Khaled Hosseini; Tradução de Maria Helena Rouanet. – Rio de Janeiro. – Nova Fronteira, 2005.
Tradução de: The kite runner.
368p.:
ISBN: 85-209-1767-4
1. Amizade – Ficção. 2. Cabul (Afeganistão) – Ficção. Romance afegão. I. Rouanet, Maria Helena. II Título.
(R)

a-cabana-1jpgO livro traz uma história que provoca questionamentos referentes ao comportamento humano, a sua capacidade de praticar o perdão e o uso adequado do poder.

Refere-se às leis e regras impostas à sociedade, como um exercício de comando.

A autoridade que ocorre nas relações familiares, religiosas e empresariais aparece como forma de poder e impede a manifestação do amor.

A narrativa simula diálogos para despertar a importância de se vivenciar emoções do presente, sem preocupação com o futuro.

Mentir para alívio

Quando se refere à mentira, o faz afirmando que ela não evita o sofrimento do iludido.

A prática ocorre por insegurança do mentiroso, que não se sente capaz de enfrentar as próprias emoções, tampouco as do enganado, caso tivesse confessado a verdade.

Aborda ainda sobre a capacidade humana de superar as perdas.

O texto pode cativar os chegados a aspectos religiosos, contudo falha por ausência de aprofundamento das questões.

Ao que parece foi escrito para agradar o leitor e faturar financeiramente com a obra.

Não recomendo a leitura.

William P. Young

william-p-young-1William P. Young , nasceu em Alberta, no Canadá, e passou parte da infância em Papua Nova Guiné, junto com seus pais missionários, em uma comunidade tribal.

Pagou seus estudos religiosos trabalhando como DJ, salva-vidas e em diversos outros empregos temporários.

Formou-se em Religião em Oregon, nos Estados Unidos.

 

 

Referência bibliográfica

Young, William P.
A cabana /William P. Young – tradução de Alves Calado. – Sextante, 2008.
Tradução de: The shack.
236p.
ISBN 978-85-99296-36-3
1. Mudança de vida – Ficção. 2.Criança desaparecidas – Ficção.3.Ficção americana. I. Alves – Calado, Ivanir, 1953 -. II. Título.
(R)

O leitor toma conhecimento de fatos ocorridos na história do Brasil, que elucidam questões que deveriam ser ensinadas nas escolas.

O autor não se posiciona de forma crítica, relata os fatos com base em pesquisas.

É louvável a forma, já que o leitor, de acordo a sua maturidade política, poderá abstrair o que melhor lhe convier a respeito dos fatos.

A viagem da monarquia

marinha-portuguesa-1A monarquia portuguesa decidiu sair de Lisboa com destino à colônia, empurrada por Napoleão Bonaparte que estava decidido a invadir Portugal.

Empobrecida, sem recursos financeiros e logísticos para combater Napoleão, a opção de D. João VI foi abandonar os súditos em Portugal, com apoio da Inglaterra.

A frota de navios ingleses era composta por embarcações bem estruturadas e diferente do que ocorria com a portuguesa, cujas embarcações não passavam de sucatas.

Por isso, e devido à forma apressada que a corte saiu para o Brasil, D. João IV chegou a Salvador sofrendo o pão que o diabo amassou.

Abertura dos portos para inglês ver

Na Bahia, para tornar-se simpático aos brasileiros e atender acordos com a Inglaterra, decidiu abrir os portos da colônia às nações amigas.

Os países europeus estavam sendo invadidos pelo exército do jovem general Napoleão.

A Inglaterra manteve-se combatente às investidas do conquistador, logo, não é difícil concluir que ao abrir os portos às nações amigas D. João IV permitiu, apenas, que navios ingleses atracassem em portos brasileiros.

Trovões, caranguejos e corrução

rio-de-janeiro-colonia-1D. João VI foi um príncipe feio, com lábios pendentes, mãos finas, inseguro, tinha medo de caranguejos e trovoadas.

O medo de caranguejo era tanto que ele usava uma piscina fabricada de madeira, depositada nas praias do Rio de Janeiro, para evitar o contato com os crustáceos.

Para manter o elevado custo da corte, corrupta e perdulária, o monarca fez de tudo um pouco: trocava favores; ajudava a praticar genocídio com o tráfico de escravos; e recebia bens de traficante.

Enquanto recebia favores, mantinha custos elevados com a igreja, a exemplo de pagamento do valor equivalente a 14 mil reais por mês ao padre para confessar a rainha.

Subornava o proprietário do primeiro jornal publicado no Brasil para não divulgar notícias contrárias aos interessasses da monarquia.

Desordem econômica e exigências de Lisboa

Enquanto refugiado no Brasil, contribuiu para a desordem e saques aos cofres públicos.

Ao retornar a Portugal, traze anos depois, para conter movimentos da revolução liberal que surgiu na cidade do Porto, em 1920, devido o sentimento de abandono provocado pela vinda do monarca para a colônia, ele foi obrigado a concordar com as exigências das Cortes portuguesas e jurar uma nova Constituição, mesmo antes de desembarcar em Lisboa.

O autor também relata outros acontecimentos vividos por personagens famosas a exemplo de Carlota Joaquina, cuja convivência não foi nada pacífica.

O livro relata muitos outros detalhes da história brasileira que merecem ser conhecidas.

Leitura recomendadíssima!

Laurentino Gomes

laurentino-gomes-1Formado pela Universidade Federal do Paraná, com cursos de especialização nas Universidades de São Paulo, Cambridge, na Inglaterra, e Vanderbilt nos estados Unidos.

 

 

Referência bibliográfica

1808: História do Brasil / Laurentino Gomes – 1956.
– Planeta do Brasil, 2007.
408p.:
ISBN: 978-85-766-5320-2
1.Literatura brasileira 2. História do Brasil.
(R)

 

Segura e habilidosa na arte de roubar livros, Liesel, viu-se frustrada por imaginar ter enganado quem conhecia as suas aventuras e as reconhecia por direito.

Ilsa Hermann, esposa do prefeito, dona de uma rica biblioteca residencial, onde os livros eram roubados, acolhia a menina para compensá-la pelo que não pode oferecer.

Certo dia, Ilsa, resolve escrever a Liesel relatando conhecer a sua conduta e terminou com a emoção do jogo.

Busca por uma razão

a-menina-que-roubava-livros-2Liesel buscava, nos livros, o sentido de tudo que viveu: destruição, morte, miséria, infância recalcada e submissa, perdas e falta de alternativa para uma vida digna.

Não fosse o encontro com Rudy Steiner, de quem se tornou amigo e a ajudou nas estripulias, a sobrevivência na Alemanha nazista teria sido insustentável.

O livro desperta alegria, tristeza e revolta.

Liesel narra e revela sentimentalismo, ternura, cuidados com as pessoas atingidas pela dor e pela brutalidade da guerra.

Enfrentamento politico

a-menina-que-roubava-livros-1Mostra indignação com os extremos das barbaridades que atingem as consumações nazistas, e, em alguns momentos, enfrenta perigos para ajudar pessoas marcadas para morrer pelo regime de Hitler.

Liesel constrói uma amizade, subterrânea, com o judeu Max, fugitivo do regime, abrigado, por Hans, no porão de sua residência.

A amizade entre os dois foi construída pelo diálogo e troca de valores que marcaram a vida da garota.

O livro é um ensinamento de superação através da criatividade, forma um mundo paralelo e ao mesmo tempo se insere no conceito político, limitado pelo sentimento de uma consciência adolescente.

Markus Zusak

markus-zusak-1É australiano e mora em Sydney.

É o mais novo de quatro filhos de um austríaco e uma alemã.

Cresceu ouvindo histórias a respeito da Alemanha Nazista, sobre o bombardeio de Munique, e judeus marchando para campo de concentração.

 

 

 

Referências bibliográficas

Zusak, Markus, 1975 –
A menina que roubava livros / Markus Zusak ; tradução de Vera Ribeiro – Rio de Janeiro: intrínseca, 2007.
480p.: il.
ISBN 978-85-98078-17-5
1.Livros e leitura – Ficção. 2. Judeus – Alemanha – História – 1933-1945 – Ficção. 3. Guerra Mundial, 1939-1945 – Judeus – Ficção. 4. Ficção australiana. I. Ribeiro, Vera. II. Título.
(R)

No livro traz um relato da busca incessante do personagem “K” para conhecer processos que permeiam o poder.

O senhor “K”, contratado para prestar serviços no castelo, sente-se inseguro ao tentar se apresentar para receber as orientações necessárias à execução das atividades.

Deparou-se com uma situação inusitada: Klamm, seu eventual chefe, não permitiu o contato.

Tangenciando o poder

o-castelo-1O agrimensor lutou, desesperadamente, através do mensageiro Barrabás, marcar uma conversa com Klamm.

Sem sucesso, resolveu afrontá-lo conquistando Frieda, funcionária da hospedaria, com grande prestígio na comunidade por ser amante de Klamm.

O agrimensor condicionou o seu matrimônio, com Frieda, ao fato de Klamm recebê-lo para uma conversa.

A exigência deixa transparecer dúvidas quanto ao real interesse por Frieda.

Negociações convenientes

O agrimensor encontrou-se com o prefeito, que habilmente desmereceu o serviço para o qual ele havia sido contratado, enfraquecendo propositadamente a sua posição.

Nesta conversa, o prefeito convenceu “K” a aceitar a tarefa de servente em uma escola da comunidade, abdicando o cargo para o qual havia sido contratado.

Deixou transparecer que apesar de não haver necessidade do novo serviço estava autorizando, inclusive, a sua morada nas dependências da escola, juntamente com Frieda e os seus dois ajudantes.

Por falta de alternativas, a proposta foi aceita por “K”.

Mensagem subjetiva

o-castelo-2Há de se entender que o prefeito usou “K” para enviar uma mensagem subjetiva a Klamm, sobre as forças contrárias existentes nas relações políticas e administrativas.

Na busca incansável por explicação para o que estava acontecendo “K” se depara com Olga, irmã de Barrabás, o mensageiro de Klamm, que depois de longa conversa põe em dúvida o poder de Klamm e de outros funcionários do castelo, referindo-se às mensagens ditas como enviadas por Klamm como possíveis de não serem oficiais.

Por fim, Pepi, que substituiu Frieda nos serviços do balcão da Hospedaria dos Senhores, ao sentir a possibilidade do retorno de Frieda ao seu posto, tentou fazer “K” intuir que a facilidade que ele teve para conquistá-la foi devido ao interesse de Frieda de usá-lo para chamar a atenção do ex-amante, Klamm.

Ética versus interesses

A narrativa induz ao entendimento que o poder é capaz de desenvolver tentáculos eficazes de sustentar estruturas administrativas incoerentes, que funcionam para satisfazerem interesses esdrúxulos, envolvendo relacionamentos amorosos, tornando-se fatores importantes no divisor de águas.

O poder atrai todos os tipos de energia, e, o bom exercício passa por permear o linear da ética, os interesses públicos e sociais.

Franz Kafka

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O escritor Franz Kafka nasceu no dia 3 de julho de 1883, em Praga e morreu, aos quarenta anos, de insuficiência cardíaca, no dia 3 de junho de 1924 em Klosterneuburg, Áustria.

Filho uma família judaica de classe média, seus pais Hermann Kafka (1852-1931) e Julie Kafka (1856-1934) eram comerciante.

A maior parte da população de Praga à época falava tcheco.

Era visível a divisão entre os que se expressavam em tcheco e alemão.

A língua era usada para fortalecer a identidade nacional.

Franz Kafka se expressava nas duas línguas, escrevia em alemão por considerar a sua língua materna.

Era o mais velho dos seis irmãos.

Georg e Heinrich, morreram antes do escritor completar sete anos e as irmãs Gabriele, Valerie e Ottilie morreram durante o holocausto, na Segunda Guerra Mundial.

Formação acadêmica

Kafka começou a estudar química, mas trocou o curso pelo de direito.

Formado em direito, fez parte, junto com outros escritores da época, da Escola de Praga. Esse movimento era basicamente uma maneira de criação artística alicerçada em uma grande atração pelo realismo, uma inclinação à metafísica, uma síntese entre a racional lucidez e um forte traço irônico.

Este estilo lhe rendeu o termo ‘kafkiano’ como algo complicado, tortuoso e surreal.

franz-kafka-e-ottilieKafka é considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.

A maior parte de sua obra, como ‘A Metamorfose’, ‘O Processo’ e ‘O Castelo’, está cheia de temas e exemplos de alienação e brutalidade física e psicológica. A burocracia, as transformações simbólicas e os conflitos familiares são marcantes na obra do escritor.

Kafka preferia comunicar-se por cartas. Além de amigos próximos escrevia para a sua noiva Felice Bauer e sua irmã mais nova, Ottla Kafka.

 

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A mais famosa das cartas escrita pelo escritor foi dirigida ao seu pai, de mais de 100 páginas, nas quais ele reclama de ser profundamente afetado pela autoridade do pais.

Publicações

Apenas algumas das obras de Kafka foram publicadas durante sua vida.

Os trabalhos inacabados de Kafka, como os romances O Processo, O Castelo e O Desaparecido, foram publicados postumamente por Max Brod.

Kafka desejou que os seus manuscritos fossem destruídos após sua morte, contudo o amigo Max decidiu publicá-los.

Incansável leitor, leu Platão, Gustave Flaubert, Fiódor Dostoiévski, Franz Grillparzez e Heinrich von Kleist.

Atividades profissionais

franz-kafka-estatua-de-bronze-de-jaroslav-rona-em-pragaDepois de formado, trabalhou em uma companhia de seguros. Nesta época começou, no tempo livre, a escrever contos.

Com a herança de Hermann Kafka, seu pai, tornou-se sócio de Karl Hermann em uma fábrica de asbesto conhecida como Prager Asbestwerke Hermann & Co.

A Primeira Guerra e a doença

Kafka recebeu sua convocação para o serviço militar na Primeira Guerra Mundial, contudo, por considerarem o seu trabalho na companhia de seguros essencial para o governo, houve adiamento.

Posteriormente foi impedido de servir devido aos problemas de saúde associados à tuberculose, diagnosticada em 1917.

No ano seguinte, 1918, o Instituto de Seguros afastou Kafka devido à sua doença. Naquela época não havia tratamento eficaz obrigando-o a passar boa parte de sua vida em sanatórios.

Vida sexual

Kafka se relacionava com mulheres de forma ativa, contudo, apesar de desejar mulheres e sexo tinha pouca autoestima. Manteve relações íntimas com várias mulheres durante sua vida.

Conheceu Felice Bauer, uma parente do amigo Brod, com a qual se correspondeu durante cinco anos.

Ficou noivo de Julie Wohryzek, mas, apesar de os dois terem alugado um apartamento e marcando uma data para o casamento a cerimônia não chegou a acontecer, possivelmente devido às crenças sionistas de Julie, que defende o direito à autodeterminação do povo judeu. Hermann, pai do escritor rechaçadas a ideia.

Depois de Julie, Kafka se relacionou com a jornalista Milena Jesenská e com a professora Dora Diamant que terminou por influenciar o interesse do escritor pelo Talmude, livro considerado pelos judeus como sagrado.

Comportamento

Apesar de pouco empenho pelo esporte na infância, interessou-se, quando adulto, por jogos e atividades físicas, tornando-se um bom ciclista, nadador e remador.

Temia que as pessoas o achassem repulsivo física e mentalmente, contudo, os mais próximos percebiam um comportamento quieto e agradável, uma inteligência óbvia e senso de humor.

Para Pérez-Álverez, Kafka sofria de transtorno de personalidade esquizoide. Esse transtorno mantinha-o distante, individual e indiferente aos relacionamentos sociais.

Outros sugeriram que ele sofreu de um distúrbio alimentar e de anorexia nervosa que pode ter o levado à depressão.

A obra

Os contos foram primeiro publicados em periódicos literários, na revista bimensal Hyperion.

Escreveu Descrição de uma luta (1904), Preparativos para um casamento no campo (1907), Contemplação (1912), O desaparecido (1912), O foguista (1912), O veredicto (1912), A metamorfose (1912), O processo (1914), Na colônia penal (1914), Carta ao pai (1919), Um médico rural (1919), O castelo (1922), Um artista da fome (1922-24), e A construção (1923).

Referências bibliográficas

Kafka, Franz. 1883 -1924.
O castelo / Franz Kafka; tradução e posfácio Modesto Carone – São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
365p.
ISBN 978-85-359-1174-9
1.Romance alemão – Escritores tchecos I. Carone, Modesto – II. Título

(R)

O livro relata as histórias de duas mulheres no Afeganistão.

Comove pela alienação religiosa que permeia a história, intensificada pelo conturbado período das guerras civis, a invasão soviética, e a ocupação americana.

Duas mulheres, amaldiçoadas pela sorte, são humilhadas de forma deplorável, jamais imaginada por povos ocidentais.

Marcadas para sofrer

a-cidade-do-sol-1Mariam, trinta e três anos, filha ilegítima de Jalil, empresário de uma cidade próxima à fronteira com o Irã, viu-se obrigada pelas esposas do pai a se casar com o estúpido Rashid, de 45 anos, tradicional comerciante de sapatos.

Ficou sabendo que tinha a obrigação de lhe dar muitos filhos.

O relacionamento tornou-se intolerável quando Rashid passou a desejar um herdeiro e a esposa teve uma série de abortos.

Ele a penalizou pela incapacidade de procriar, espancando-a sem piedade.

Laila, a outra mulher da história, filha de um professor que morava próximo à casa de Mariam e Rashid, foi surpreendida, aos quatorze anos, quando um foguete disparado durante uma guerra explodiu em sua casa, matando os seus pais.

Grávida do namorado Tariq, também adolescente, que havia mudado de cidade sem se dar conta do ocorrido, resolve aceitar o convite do estúpido Rashid e torna-se a sua segunda esposa.

Rebelião feminina

a-cidade-do-sol-2No início, o conflito entre as duas mulheres foi estimulado por Rashid ao declarar sua preferência por Laila.

Ele sabia que Laila estava grávida de Tariq, enquanto ela insinuava que o filho que carregava, na barriga, era do comerciante de sapatos.

Posteriormente, as duas mulheres se voltam contra o marido, devido às atitudes agressivas e resolveram se unir para derrotá-lo e driblar o regime político.

Agruras inaceitáveis

O livro trata, de forma emocionante, das privações, humilhações e ofensas praticadas no Afeganistão.

O reencontro de Laila e Tariq é recheado de emoção.

Ao final, a carta escrita por Jalil, à filha Mariam, apresenta uma exposição do despreparo do homem ao se deparar com as vicissitudes da vida.

“…, no fundo, sabia que era tudo o que podia fazer. Viver e ter esperança.”

Khaled Hosseini

khaled-hosseini-2Médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense.

Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão.

Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai. Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder.

Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

Escreveu além do Caçador de Pipas, A Cidade do Sol e O Silêncio das Montanhas.

Referência bibliográfica

a cidade do solA cidade do sol: romance / Khaled Hosseini. – Nova Fronteira, 2007.
368p.:
ISBN: 978-85-209-2010-7
1. Literatura estrangeira 2. Romance.

(R)

O interesse dos portugueses pelo elefante Salomão diminuiu com o passar do tempo, até perder a importância para o rei Dom João III e para a rainha Catarina da Áustria, sua esposa.

Cornaca descuidado

O agradável elefante Salomão, que tinha o indiano Subhro como cornaca, se viu sujo, desolado, mal acomodado e esquecido pela corte portuguesa.
mosteiro-dos-jeronimos-1Para dar utilidade a Salomão e retirá-lo das proximidades do Mosteiro dos Jerónimos, localizado às margens do rio Tejo, o rei aventou a possibilidade de presenteá-lo ao arquiduque austríaco Maximiliano II, casado com a filha do imperador Carlos V, da Espanha, que ao ser consultado aceitou a oferta.
De imediato, para não haver retrocesso da aceitação, o rei Dom João III ordenou que fosse preparada uma comitiva para transportar o elefante até a cidade de Valladolid, na Espanha, onde o arquiduque se encontrava hospedado.
Para completar o presente, juntamente com a comitiva, seguiu o cornaca, responsável por cuidar de Salomão.

Shiva, Parvati e Ganesha

shiva-parvati-e-ganesha-lO cornaca, que demonstrou muita inteligência e habilidade de relacionamento, durante a viagem, terminou sendo admirado pelo comandante da comitiva, por contar histórias sobre o Deus indiano Shiva, casado com Parvati.
A história dos deuses induziu o respeito da comitiva por Salomão por que Ganesha, filho de Shiva, voltou a viver após ter sua cabeça substituída por uma de elefante.
Apesar das dificuldades do percurso, a comitiva chegou ao Castelo Rodrigo e aguardou as tropas austríacas, para adentrar no território espanhol ao encontro do arquiduque Maximiliano.
Enquanto isso, o comandante português aproveitou para mandar de volta a Lisboa os trinta trabalhadores que acompanharam a comitiva.
Após discussões entre os comandantes português e o austríaco, para saber quem tinha o direito ou obrigação de levar Salomão até Maximiliano, resolveram negociar e seguiram juntos para o cumprimento da tarefa.
O cornaca, por sua vez, preocupado com o seu destino que seria definido pelo arquiduque, observava o desenrolar das negociações.

Fritz em vez de Salomão

Ao se apresentar ao arquiduque, Subhro foi orientado a colocar uma gualdrapa sobre Salomão e foi surpreendido com a mudança do seu nome para Fritz e o do elefante para Solimão.
A tropa portuguesa retornou a Lisboa e o cornaca seguiu junto com os austríacos em direção a Viena.
Acomodaram o elefante no mesmo barco que transportou, até a Itália, a tropa, os serviçais, o arquiduque e sua mulher.
Lá chegando, uma manobra do padre da Basílica de Santo Antônio de Pádua, convenceu o cornaca a levar Solimão até a porta da igreja.

O milagre fajuto

Na presença dos fiéis, o elefante dobrou o joelho simulando um milagre.

Não ficou por menos, o arquiduque chamou Fritz para um esclarecimento e obteve a confissão da farsa.

Sem alternativa para substituição do cornaca, Maximiliano, prosseguiu a viagem sob neve, cujo percurso foi feito com dificuldade pelo animal desacostumado com o frio.

Solimão sofreu o pão que o diabo amassou, porém, aproveitou as duas oportunidades que lhe foram dadas para se redimir da simulação do milagre.

A primeira oportunidade ocorreu quando a arquiduquesa caiu numa ribanceira e, de pronto, foi resgatada pelo elefante.

A segunda oportunidade ocorreu ao entrar em Viena, o elefante enroscou a tromba numa criança de cinco anos devolvendo-a a seus pais, no momento em que todos achavam que o acidente estava por acontecer.

Estilo Saramago

pata-de-elefante-1A forma tradicional da escrita e em especial a utilizada neste texto é ainda mais descomprometida que as dos livros “Ensaio sobre a cegueira” e “As intermitências da morte”.

Saramago dá um show ao fazer citações e comparações com passagens bíblicas.

Enaltecer aspectos da inteligência de pessoas humildes e registra o afeto e preocupação do homem em relação aos animais.

O texto foi escrito devido a reação do autor pelo fato de ter encontrado, em um hotel, uma pata de elefante servindo como porta guarda-chuvas.

Leitura recomendadíssima!

José de Souza Saramago

jose-saramago-1O escritor, tradutor, jornalista, poeta, cronista, dramaturgo, contista, romancista, teatrólogo e ensaísta José de Souza Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, Portugal, no dia 16 de novembro de 1922.

Faleceu, aos 87 anos, na sua casa em Tías, Província de Las Palmas, Lanzarote, comunidade autônoma das Ilhas Canárias, no dia 18 de junho de 2010, vítima de leucemia crônica. Foi cremado e as cinzas foram depositadas ao pé de uma oliveira, na cidade de Lisboa no dia 18 de junho de 2011.

Prêmios

Saramago recebeu vários prêmios dentre eles o Nobel de Literatura de 1998 e o Camões de 1995. Foi condecorado com Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, em 1985, e o Grande-Colar da mesma Ordem, em 1998. Esta última honraria é concedida, normalmente, a chefes de estado.

O prêmio Camões foi instituído, em 1988, pelos governos do Brasil e Portugal outorgado a autores de língua portuguesa, pelo conjunto da sua obra e o Prêmio Nobel de Literatura foi instituído, em 1901, para premiar autores, de qualquer nacionalidade, que a sua obra tenha contribuído para o pensamento coletivo.

José Saramago recebeu, também, os seguintes prêmios: Cidade de Lisboa (1980), Literário Município de Lisboa (1982), P.E.N. Clube Português de Novelística (1983, 1985), D. Dinis (1984), Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários (1985), Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLB 1991, Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa (1991), Grande Prémio Vida Literária APE/CGD (1993), Gold Medal.svg Prémio Camões 1995 e Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores (1995).

Linguagem e estilo

José Saramago se caracteriza pela utilização de um estilo oral. Preferiu se expressar na forma escrita com a animação característica dos contos populares de tradição oral. Preferiu a dinâmica da comunicação em detrimento da correta ortográfica formal.

A forma escolhida para desenvolver o raciocínio e exibir argumentos característicos da linguagem oral se impõe no estilo convincente.

Utiliza frases e períodos alongados, com pontuação nada convencional, que resulta em diálogos entre personagens sem a separação tradicional de travessões usuais para distinguir os diálogos de cada um dos interlocutores. Esta forma utilizada pelo autor conserva o leitor atento à história, contudo, em determinados momentos pode confundi-lo.

As citadas características tornam o seu estilo único na literatura moderna, destacando-o como um inovador no tratamento da língua portuguesa.

Relacionamentos

O primeiro casamento foi aos 25 anos com Ilda Reis. Deste relacionamento resultou o nascimento da filha Violante dos Reis Saramago. Durou de 1944 a 1970.

De 1970 a 1986 Saramago viveu com a escritora Isabel da Nóbrega.

O último relacionamento foi com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, que conheceu em 1986. Viveu a seu lado de 1988 até a morte do autor.

Crença, Política e foco literário

jose-saramago-2Saramago se dizia ateu e faz crítica à Igreja por entender encontrar-se a serviço dos tiranos. Fala de religião como um fenômeno de fantasias humanas. E diz que os episódios de violência relatados na Bíblia, como sacrifício de Isaque, a destruição de Sodoma ou a vida de Jó, por exemplo, revelam que “Deus não é de fiar”.

A Igreja Católica criticou a publicação do livro ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’, em 1991, devido à releitura que Saramago faz do personagem Jesus. Fez críticas, também, quando da publicação de ‘Caim’, em 2009.

Foi membro do Partido Comunista Português.

Posicionou-se sempre atento às injustiças e vigilante das mais diversas causas sociais. Não se cansava de questionar valores sociais.

Criou, em 2007, a Fundação José Saramago para a defesa e difusão da Declaração Universal dos Direitos Humanos e defesa do meio ambiente. Mais tarde, em 2012, sua mulher Pilar del Río abriu as suas portas da fundação ao público na Casa dos Bicos em Lisboa.

Apesar das crônicas e peças teatrais Saramago se destacou com os temas abordados em seus romances.

Em ‘Levantando do Chão’ o autor retrata as dificuldades da população pobre do Alentejo.

Em ‘Memorial do Convento’ retrata o contraste entre a abastada aristocracia e o povo trabalhador.

Em seguida Saramago publicou livros cujos temas se referem a pessoas, fatos e questionamentos religiosos: ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (1985), sobre as andanças do heterônimo de Fernando Pessoa por Lisboa; ‘A Jangada de Pedra’ (1986), em que se questiona o papel Ibérico na então CEE através da metáfora da Península Ibérica soltando-se da Europa e encontrando o seu lugar entre a velha Europa e a nova América; ‘História do Cerco de Lisboa’ (1989), onde um revisor é tentado a introduzir um “NÃO” no texto histórico que corrige, mudando-lhe o sentido; e ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ (1991), no qual Saramago reescreve o livro sagrado sob a ótica de um Cristo que não é Deus e se revolta contra o seu destino.

Saramago deu início a nova fase publicando seis romances com tramas que abordaram os caminhos da sociedade contemporânea: Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2001); O Homem Duplicado (2002); Ensaio sobre a Lucidez (2004); e As Intermitências da Morte (2005).

Obras publicadas

Saramago publicou os romances Terra do Pecado (1947), Manual de Pintura e Caligrafia (1977), Levantado do Chão (1980), Memorial do Convento (1982), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio Sobre a Cegueira (1995), Todos os Nomes (1997), A Caverna (2000), O Homem Duplicado (2002), Ensaio Sobre a Lucidez (2004), As Intermitências da Morte (2005), A Viagem do Elefante (2008), Caim (2009), Claraboia (2011) e Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas (2014).

Publicou as crónicas: Deste Mundo e do Outro (1971), A Bagagem do Viajante (1973), As Opiniões que o DL Teve (1974) e Os Apontamentos (1977).

Produziu as seguintes peças teatrais: A Noite (1979), Que Farei com Este Livro? (1980), A Segunda Vida de Francisco de Assis (1987), In Nomine Dei (1993) e Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido (2005).

Publicou os contos Objeto Quase (1978), Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido (1979) e O Conto da Ilha Desconhecida (1997).

Publicou as poesias: Os Poemas Possíveis (1966), Provavelmente Alegria (1970), O Ano de 1993 (1975).

Diário e Memórias: Cadernos de Lanzarote (1994) e As Pequenas Memórias (2006),

Literatura infantil: A Maior Flor do Mundo (2001), O Silêncio da Água (2011).

Viagens Viagem a Portugal (1983).

Referência bibliográfica

12696 - Viagem do elefante

Saramago, José, 1922
A viagem do elefante: conto / José Saramago. – São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
256p.
ISBN 978-85-359-1341-5
1. Contos portugueses. I. Título.
(R)

O romance de uma família, escrito por Paulo Maciel, conta as aventuras de um vaqueiro, empregado de uma fazenda na região do Rio São Francisco, próximo à cidade de Juazeiro no estado da Bahia.

Ainda criança, o autor escolheu como ídolo o personagem que deu título ao livro e decidiu homenageá-lo.

Não teria ocorrido o fato se ele não tivesse mantido os valores e princípios de reconhecimento profissional, que o diferenciou de muitos executivos.

Não bastasse dedicar um espaço razoável para contar a história do homem simples que cumprira suas tarefas montado em um jegue, o autor o colocou como título da sua obra. Ratificando, desta forma, o respeito que tinha pelo trabalho, independente da importância social, política e intelectual do ser humano.

A história

Vaqueiro do sertao nordestino e artesao, Sr Mariano Oliveira da Silva, com indumetaria de couro, apropriada para enfrentar a caatinga com seus espinhos. / The Vaqueiro (cowboy) of the Sertao has a traditional costume adapted to the defenses of the caatinga -- all leather and very thick.

João, filho de Gilu, arrastou-se feito um bicho na caatinga, fazendo sentinela, até vingar-se de um cangaceiro do bando de Lampião, por ter sido informado das agressões do bandido à sua irmã.

Ao identificar-se como o princípio de justiça, enaltecendo a vida de João de Gilu, o autor desnuda a sua própria história e narra fatos ocorridos na família, sem se preocupar com avaliações, preconceitos, críticas e observações que possam diminuir seus feitos.

Quando os propósitos são bons e as ações não se desenvolvem na forma desejada, sempre existe a possibilidade de se redimir.

Imagino que Paulo Maciel tinha esta convicção, desnudava-se ao lutar por princípios que acreditava judiciosos.

Paulo Maciel

Nasceu em Juazeiro na Bahia.

Pai de três filhos faleceu em 2008, vítima de câncer na próstata.

Autor de mais três outros livros e colaborador de jornais de Salvador, foi presidente de fundação de previdência complementar e diretor de recursos humanos de instituição financeira.

Referências bibliográficas

Maciel, Paulo. 1934 –
João de Gilu, o romance de uma família / Paulo Maciel: ilustração de Raul Franco Vieira e Silvio Robatto. – Salvador: Corrupio. 2007.
262p.: il.
ISBN – 978-85-86551-27-7
1. Ficção brasileira. 2. Romance. I. Vieira, Raul Franco. II Robatto, Silvio. III. Título.
(R)