O nome dado, em homenagem a uma heroína afegã que juntou-se ao exército no combate às forças anglo-indianas em 1880, e a liberdade concedida pelo pai para a busca do conhecimento estimulou Malala Yousafzai a sonhar com um país diferente.

Não satisfeita com a própria liberdade resolveu defender o direito das mulheres afegãs a frequentarem escolas.

Ainda muito jovem, a protagonista experimentou dois mundos antagônicos.

Fundamentalismo

fudnamentalO Afeganistão com histórico de guerras e conflitos, muitos dos quis estimulados por grandes potências mundiais e conceitos morais com base em uma ética religiosa fundamentalista, na qual exclui as mulheres do processo produtivo e cultural, e a Inglaterra que lhe serviu de abrigo após o atentado de manifestantes talibãs com o objetivo de interromper a luta na defesa da liberdade cultural.

Nesse episódio Malala foi alvejada com um tiro próximo ao olho, disparado de uma Colt 45, por um militante fundamentalista talibã de nome Ataullah Khan.

Diferenças culturais

“Meu país fica séculos atrás deste em que estou agora. Aqui existem todas as comodidades que alguém pode imaginar. Há água corrente em todas as torneiras — quente ou fria, como você preferir —; luz a um toque do interruptor, dia e noite, sem necessidade de lamparinas a óleo; fogões nos quais se cozinha sem precisar comprar bujões de gás no mercado. Aqui tudo é tão moderno que podemos até mesmo encontrar comida pronta e embalada.”

Tiros de rifles

Malala nasceu em uma aldeia que festejava o nascimento de um filho com tiros de rifles enquanto o surgimento de uma filha era ignorado pela comunidade.

Para proteger as crianças do sexo feminino os pais as mantinham trancafiadas e após o crescimento lhe eram atribuídas as tarefas domésticas e a procriação.

Nesse universo, perverso, submetida a leis islâmicas, nasceu Malala com sorte de ter um pai que enxergava outros valores.

Sonhos e conflitos

“Meu pai costumava falar: Vou proteger sua liberdade, Malala. Pode continuar sonhando”.

Esses sonhos, permitidos pelo pai, possivelmente, foram de encontro aos costumes fundamentalistas que provocou o atentado.

As restrições às mulheres no Afeganistão ultrapassam os limites da liberdade de expressão e do conhecimento, restringe, também, o acesso a alimentação: aos homens são oferecidos o que de melhor é servido e para elas as partes menos nobres do alimento.

Só pra meninos

ovos-1“Escola não foi a única coisa que faltou às minhas tias. De manhã, enquanto meu pai recebia creme de leite ou leite, suas irmãs tomavam chá sem leite algum. Se houvesse ovos, eram só para os meninos. Quando uma galinha era morta para o jantar, as meninas recebiam as asas e as coxas, ao passo que a carne suculenta do peito era degustada por meu pai, seu irmão e meu avô.”

No regime do general Zia a condição das mulheres paquistanesas se tornou ainda mais limitada, estabelecendo leis islâmicas que restringiram os seus direitos.

A história foi reescrita para adequá-las à nova realidade política, enaltecendo o islamismo e depreciando os judeus e hindus.

A protagonista tinha apenas quatro anos quando aconteceu o atentado em Nova York, no dia onze de setembro de 2001, e esse fato ajudou a mudar a história do Afeganistão.

O atentado levou parte da guerra para o país e a caça, morte e resgate do terrorista Bin Laden ocorreu sem conhecimento do governo afegão.

As exigências do talibã

“Quando eu reclamava dessas questões, meu pai dizia que as coisas eram piores no Afeganistão. Um ano antes de eu nascer, o Talibã, liderado por um mulá caolho, havia dominado o país e incendiava as escolas de meninas. Também obrigava os homens a deixar a barba crescer e as mulheres a usar burcas — roupa que nos dá a sensação de caminhar dentro de uma peteca de tecido, com apenas um pequeno visor pelo qual enxergar. Pelo menos nós não tínhamos de vestir isso. O Talibã, dizia meu pai, havia até mesmo proibido mulheres de rir alto ou de usar sapatos brancos, pois essa é a cor do Profeta, e as prendia e espancava se usassem esmalte nas unhas.”

 Xiitas e Sunitas

afeganistao-2“Nós, muçulmanos, nos dividimos entre sunitas e xiitas. Partilhamos as mesmas crenças fundamentais e o mesmo livro sagrado, o Corão, mas discordamos quanto a quem teria o direito de liderar os islamitas depois da morte do Profeta, no século vii. O homem escolhido pelo Profeta, quando em seu leito de morte, para ser califa e liderar os fiéis foi Abu Bakr, seu melhor amigo e conselheiro. A palavra “sunita” vem do árabe e significa “aquele que segue as tradições do Profeta”. Mas um grupo menor achava que a liderança devia ficar no âmbito da família do Profeta e que seu genro e primo Ali é que deveria ser o califa. Esse grupo passou a ser chamado de “xiita”, forma reduzida de Shia-t-Ali, isto é, Partido de Ali.”

Terremoto fatal

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O Afeganistão sofreu, também, com o grande terremoto que atingiu aproximadamente 30 mil km² e provocou a morte de mais de setenta mil pessoas.

Mais de cento e vinte mil pessoas ficaram incapacitadas pelo resto de suas vidas e cerca de três milhões perderam suas casas.

Madrasas

madrasas-1As crianças carentes recebem comidas e alojamento nas madrasas onde o ensino ministrado não segue o currículo normal.

O Corão é ensinado aos meninos através da repetição – balançando o corpo para a frente e para trás enquanto recitam – e a ciência e a literatura são por eles ignoradas.

Malala ressalta que o Talibã podia fechar escolas, recolher canetas e livros mas não podia impedir as mulheres de pensar.

Diz que não quer ser lembrada como a menina que foi alvejada por uma bala disparada por um talibã mas como uma pessoa que luta pela educação.

Esse compromisso resultou na sua escolha para receber o Prêmio Nobel da Paz em 2014.

Malala Yousafzai

malala-yousafzai-1Nasceu em 1997, no vale do Swat, Paquistão, e chamou a atenção do público ao escrever para a BBC Urdu a respeito da vida sob o Talibã.

Em outubro de 2012, foi perseguida e atingida na cabeça por um tiro quando voltava da escola.

Contrariamente às expectativas, sobreviveu e agora continua sua campanha por meio do Fundo Malala, uma organização sem fins lucrativos de apoio à educação de meninas em comunidades ao redor do mundo.

Referências Bibliográficas

Eu sou MalalaYousafzai, Malala
Eu sou Malala / Malala Yiusafzai. – São Paulo. Editora Schwarcz S.A, 2013.
ISBN 978-85-8086-849-4
Título original – I Am Malala: The Girl Who Stood Up for Education and Was Shot by the Taliban
1. Livros eletrônicos. I. Título.