1984-7A mais renomada obra do inglês George Orwell fala de um presente no futuro.

Para compreendê-la é necessário recorrer a algum fatos histórico dos sistemas políticos, contraditórios e ao mesmo tempo convergentes, quanto ao totalitarismo usado na União Soviética e na Alemanha.

Stalin e Hitler se completavam, apoiados por grande parte da população.

Os que não compartilhavam das suas ideias foram enxotados, executados, deportados, presos ou submetidos a privações.

A obra cujo título seria 1948, ano em que foi escrita, por exigência dos editores, foi alterada para 1984. Ou seja, o presente tornou-se futuro.

As observações a respeito dos acontecimentos, apresentados como ficção, resumem o descontentamento do autor a respeito das formas como os seres humanos eram tratados pelas grandes potências e aceitas, com leniência, pelos blocos geoeconômicos.

Peças de um jogo

O autor critica as práticas utilizadas pelos regimes totalitários, ao tratar o indivíduo como uma peça do jogo criado para servir ao Estado.

Aparência de verdade

Em várias ocasiões, o protagonista da história, Winston Smith, chama a atenção para ações que desmontam fatos reais e os apresentam com características aparentemente verdadeiras, entretanto não passavam de nova roupagem, utilizada para ajudar a consolidar o poder.

“As vantagens imediatas de falsificar o passado eram óbvias, mas a razão profunda era misteriosa.”

Teletelas

1984-3O protagonista, membro do Partido, sentia-se constantemente vigiado pelas chamadas teletelas e era colocado à prova da sua concordância quanto às práticas de manipulação, opressão e tortura usadas na manutenção do sistema político.

Para o Partido o que o indivíduo achava ou deixava de achar pouco importava, a norma devia ser seguida sem questionamentos.

“O Partido não está preocupado com a perpetuação de seu sangue, mas com a perpetuação de si mesmo. Não importa quem exerce o poder, conquanto que a estrutura hierárquica permaneça imutável.”

Lavagem cerebral

1984-2Qualquer atitude suspeita, significava o fim do indivíduo. Alguns eram submetidos a lavagem cerebral, outros simplesmente desapareciam.

“Um dia desses, pensou Winston, assaltado por uma convicção profunda, Syme será vaporizado. É inteligente demais. Vê as coisas com excessiva clareza e é franco demais quando fala. O Partido não gosta desse tipo de gente. Um dia ele vai desaparecer. Está escrito na cara dele.”

Romantismo poético

1984-4Apesar da angustia representada no texto, fruto da opressão e do controle exagerado, o autor arrumou espaço para o romantismo poético.

Descreve um ambiente onde, Smith, teve um encontro íntimo com Júlia, contrariando o Partido em relação à prática sexual com prazer.

Winston avançava pelo caminho em meio a um mosqueado de luz e sombra, pisando em poças douradas sempre que os galhos das árvores se distanciavam um dos outros. Sob as árvores à esquerda, o solo era um nevoeiro de jacintos. O ar parecia beijar a pele. Era dia dois de maio. De algum lugar mais para o interior do bosque vinha o arrulho de torcazes.”

A obra, ainda atual, chama a atenção para a vigilância dos fatos, tendências políticas e o uso do poder.

Recomendadíssima a leitura!

Onde comprar

1984 – Livraria Saraiva

1984 – Americanas

1984 – Extra

George Orwell (Eric Arthur Blair)

george-orwell-1Nasceu em Motihari na Índia, no ano de 1903. O seu nome verdadeiro é Eric Arthur Blair.

Completou seus estudos na Universidade de Eton.

Aos 19 anos entra para a Polícia Imperial Britânica. Passou muitos anos entre a Índia e a Birmânia. Revolta-se com o imperialismo inglês. Considera seu passado vergonhoso, e por isso muda seu nome.

Trabalha como operário de fábrica em Paris e depois como professor primário em Londres. Assim, sente pela primeira vez a opressão da classe trabalhadora. Neste contexto ele começa a escrever.

Participa da Guerra Civil Espanhola, em 1936, lutando ao lado do P.O.U.M. (Partido Obrero de Unificación Marxista).

George Orwell era a favor das classes sociais baixas e se decepcionou com os Partidos Comunistas da época, fiéis aos ditames de Moscou. Considerado um anti-stalinista, não pelo socialismo, mas contra todo o tipo de totalitarismo.

Escreveu Na pior em Paris e Londres, A flor da Inglaterra, Dias na Birmânia, O caminho para Wigan Pier, A Revolução dos Bichos, entre outros títulos.

Referência bibliográfica

Orwell, George, 1903 – 1950
1984 / George Orwell; tradução Alexandre Hubner, Heloisa jahn; posfácio Erich Fromm, Ben Pimlott, Thomas Pynchon. – São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
414p.
Título original: 1984
INBN 978-85-359-1484-9
1. Romance inglês I. Fromm, Erich, 1900-1980. II. Pemlott, Bem 1945 – 2004. III. Pynchon, Thomas, 1937 – IV. Título.
(R)

 

revolucao-dos-bichos-3O livro faz críticas à Revolução Russa, à sociedade europeia e às castas dominantes inglesas.

Questiona sobre a forma, conveniente, da imprensa tangenciar os julgamentos ao regime.

O autor, de forma inusitada, retrata fatos discordantes das ideologias políticas que vigiam na Europa.

O texto diverte e possibilita o aprofundamento para o entendimento do comportamento social.

George Orwell faz uma analogia entre líderes da Revolução Russa e o comportamento dos porcos da Granja dos Bichos.

A granja com cenário

revolucao-dos-bichos-4Major, um porco que tinha percepção dos motivos que o mantinha vivo, conscientizou os animais da Granja Solar para a necessidade de uma rebelião e implantação de uma revolução que transformasse a sociedade animal, cujos valores decorriam do tratamento equânime.

Major morre, mas, o conceito de poder usufruir o que produz ficou enraizado durante as reuniões que antecederam à Revolução.

Alguns animais se dedicaram, além do que faziam quando eram subordinados ao antigo dono da Granja Solar, enquanto outros, apesar de participarem do movimento, não tiveram a mesma consciência e disposição.

Os animais Napoleão e Bola de Neve tinham conceitos diferentes.

O primeiro achava que deveriam se armar e defender a granja e o segundo defendia estimular reações parecidas em outras granjas, na busca de um mundo socialmente mais justo.

Napoleão expulsou Bola de Neve, exerceu o poder com mãos-de-ferro e implantou notícias infundadas a respeito do antigo companheiro, para justificar a sua decisão.

Com o passar do tempo, tanto o processo produtivo como o de consumo da Granja tornou-se muito parecido com o que acontecia anteriormente.

Quando se questionava sobre os mandamentos que nortearam a Revolução, Garganta, o porta-voz de Napoleão, usava o fato de saber ler e demovia os animais trabalhadores de qualquer reação, dando novas interpretações aos mandamentos.

Privilégios dos regimes políticos

Entre os animais, os porcos assumiram privilégios e com o passar do tempo as prerrogativas foram aumentando até usufruírem de conforto e segurança, diferente dos demais animais.

Essa situação contrariava os mandamentos que deveriam ser seguidos por todos. É certo que os porcos não produziam um só quilo de alimento e demonstravam muito apetite. Quanto aos demais animais trabalhavam e não desfrutavam de nenhum conforto.

A decepção aconteceu quando foi percebido que os líderes se transformam em uma casta dominante, postura parecida com os humanos. Era impossível distinguir quem era homem e quem era porco.

Os mandamentos que serviram para doutrinar os animais foram, aos poucos, distorcidos e a sociedade que lutou por ideais revolucionários ficou desiludida.

A postura como simbologia

Para simbolizar o exercício inadequado do poder, após a existência da revolução, o autor radicaliza e apresenta os animais, líderes da Revolução dos Bichos, caminhando em duas pernas, contrariando um dos sete mandamentos da Revolução: “Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.”

O cavalo

O livro, escrito em 1943, foi criado quando o autor percebeu uma criança de dez anos comandando um imponente cavalo. Cada vez que o animal tentava se desviar do caminho o garoto o chicoteava.

Ao perceber aquela situação imaginou se o animal tomasse consciência da sua força física não teriam o mesmo poder sobre ele, deixando-se explorar pelo garoto a exemplo da opressão exercida pelas classes mais favorecidas em relação aos proletariados.

Trata-se de uma análise da teoria de Karl Marx, de forma independente, criativa e inusitada.

É um texto que apesar de ter sido escrito há mais de cinquenta anos se mostra atual.

Chama a atenção da sociedade para as distorções dos regimes políticos, especialmente os totalitários.

Recomendo a leitura!

George Orwell (Eric Arthur Blair)

george-orwell-2Nasceu em Motihari na Índia, no ano de 1903.

Completou seus estudos na Universidade de Eton.

Aos 19 anos entra para a Polícia Imperial Britânica.

Passou muitos anos entre a Índia e a Birmânia.

Revolta-se com o imperialismo inglês.

Considera seu passado vergonhoso, e por isso muda seu nome.

Seu nome verdadeiro é Eric Arthur Blair.

Trabalha como operário de fábrica em Paris e depois como professor primário em Londres.

Assim, sente pela primeira vez a opressão da classe trabalhadora e passa a escrever neste contexto.

Participa da Guerra Civil Espanhola, em 1936, lutando ao lado do P.O.U.M. (Partido Obrero de Unificación Marxista).

George Orwell era a favor das classes sociais baixas e se decepcionou com os Partidos Comunistas da época, fiéis aos ditames de Moscou.

Era um anti-stalinista, não pelo socialismo, mas contra todo o tipo de totalitarismo.

Escreveu “Na pior em Paris e Londres”, “A flor da Inglaterra”, “Dias na Birmânia”, “O caminho para Wigan Pier”, 1984, A Revolução dos Bichos, entre outros títulos.

Referência bibliográfica

Orwell, George, 1903 – 1950
A revolução dos bichos: um conto de fadas / George Orwell; tradução Heitor Aquino Ferreira; posfácio Christopher Hitchens. – São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
147p.
Título original: Animal farm : afairy story
INBN 978-85-359-0955-5
1. Ficção inglesa. I. Hitchens, Christipher – II. Título.
(R)