O Dicionário do português arcaico ou medieval é o resultado de um longo período de pesquisa sobre o espólio documental do português arcaico, cuja concepção contou com o suporte teórico-metodológico da lexicografia histórico-variacional e da filologia tradicional. Os corpora utilizados mereceram edições confiáveis e conservadoras de textos manuscritos e impressos, produzidos entre os séculos XIII e XVI e a organização lexicográfica pautou-se no esteio dos trabalhos precedentes, de mesma autoria, publicados em 2013 e em 2014, sob os títulos de Pequeno vocabulário do português arcaico e Dicionário etimológico do português arcaico, sob o selo de duas importantes editoras universitárias brasileiras, a Editora da Universidade de Brasília e a Editora da Universidade Federal da Bahia, respectivamente.

A presente obra, com mais de 7000 verbetes, é uma celebração à variação e à mudança linguísticas, de uma época em que ainda não se havia fixado uma norma de escrita, fazendo com que o registro da língua permitisse revelar possíveis normas de fala em uso social real. Os verbetes atendem a um sistema de remissão bastante prolífico e eficiente e apresentam, para além de uma rede de lemas principais, secundários e múltiplos, a classificação gramatical, a etimologia ou processo morfológico de formação de todas as unidades – com o emprego de indicadores simples e facilmente identificáveis durante a consulta –, registrando, ademais, fartas abonações, em especial de formas dos verbos, em todas as pessoas em que se puderam identificar flexões.
Destina-se a pesquisadores, professores, estudantes de pós-graduação e de graduação e ao público interessado, em geral, pela história da língua, pela variação e mudança linguísticas, pelo ensino do português, pela Idade Média, pela história das mentalidades, enfim.

Informações sobre o autor
Américo Venâncio Lopes Machado Filho – Doutor em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia [2004], com Pós-Doutorado na Universidade de Coimbra [2006], na Université Paris 13 [2010] e Estágio Sênior, durante 12 meses, na Universidade de Coimbra, com Bolsa da CAPES, de julho de 2017 a junho de 2018. É Professor Associado IV de Língua Portuguesa do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Desenvolve pesquisa na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: linguística, lexicografia histórica, história da língua portuguesa, português arcaico, edição de manuscritos medievais, com diversas obras publicadas. É membro de diversas associações científicas nacionais e estrangeiras. Lidera o grupo de pesquisas Nêmesis, que engloba o projeto Deparc [Dicionário Etimológico do Português Arcaico] e o projeto Dicionário Dialetal Brasileiro [DDB], associado ao projeto Atlas Linguístico do Brasil [ALiB]. Foi Coordenador Nacional de Área do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD 2012 Dicionários], do MEC, bolsista em Produtividade em Pesquisa UFBA [PQ/UFBA], Editor de Linguística da Revista Estudos Linguísticos e Literários [ISSN 2176-4794] e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da UFBA [01-2016/06-2017].

Referência bibliográfica

Machado Filho, Américo Venâncio Lopes
Novo Dicionário do Português Arcaico ou Medieval.2019.
697 p.
Língua: Português
ISBN-10: 1072697890
ISBN-13: 978-1072697893
1. Lingua portuguesa 2. Português Arcaico 3. Dicionário I. Título.

O romance tem como cenário a cidade de Todavia habitada por desmiolados, mentirosos, trapaceiros, fofoqueiros, aproveitadores, cornudos, informantes e comunistas de meia tigela. Os adjetivos que traçam o perfil dos todavienses guardam semelhanças aos residentes nas demais cidades interioranas, o que os difere dos moradores de outras urbes é o olhar crítico e perspicaz do autor que transforma a pacata província em um universo de aloprados.
A façanha ocorre graças à habilidade de Fernando Vita em narrar os acontecimentos, muitos dos quais extravagantes, contudo, providos de seriedade subjetiva, em um espaço de tempo encurtado promovendo uma dinâmica narrativa que mantem a atenção do leitor do início ao fim da história.

O prefeito

Vita se vale do prefeito, Augusto Magalhães Braga, para compartilhar com o leitor valores éticos e morais. Apesar de não ser político esteve muito próximo do poder. Constrói o personagem central do enredo com características folclóricas tornando-o um político abestado que idolatrava o governador imaginando um dia absorver seus atributos. Por ser um fraco e debiloide se cagava de medo do alcaide empenhando-se em duplicar o seu estafe aos moldes do existente no palácio, de modo que pudesse assemelhar-se ao seu líder. Como se isso não bastasse procurava se antecipar na comunicação das ocorrências comezinhas, mesmo quando essas não lhe eram favoráveis. Para não ser pego de calças curtas rogou ao governador aconselhamento de como se comportar após ter sofrido traição da amante, Ariana, com os seus correligionários e prefeitos das cidades vizinhas. Foram tantos os chifres postos pela vendedora de perfumes no abestado prefeito que o governador requereu consultoria dos mais chegados antes de responder sobre como o assecla deveria se comportar para evitar estrago político maior do que o já ocorrido.

Negação ao divã

Depois de muitas andanças, relatos sobre a sua infância e formação acadêmica o autor – inserido na história como narrador – toma lugar de personagem principal tornando-se o escriba da própria história. Conversa com o leitor e lhe oferece oportunidade para questionamentos. Corajoso! Controverte suas convicções como estivesse estudando a si mesmo – na escrivaninha da criação – sem necessidade de quedar-se em um divã de psicólogo experiente ou famoso. Atitude própria de indivíduos que conhecem o potencial do pensamento e o quanto ele, o pensamento, é capaz de transformar a vida ruim em boa e a boa em ruim… Vita vai mais longe ao testar a aceitação da sua escrita registrando as suas controvérsias na forma de carta, como se leitor o fosse, criticando o que é admoestado por ele. Ao que parece a história não teria sentido se  o autor não tivesse se incluído nos vexames cotidianos. Foi uma posição digna do intelectual perceptivo das sutilezas de cada personagem, como se partes de cada um o tivesse ajudado a aperfeiçoá-lo não só no requinte, mas, também na imperfeição humana. Vejamos…

[…] de tão à vontade você se encontra junto aos seus concidadãos, que não resisto vaticinar, você pode ter um dia ter deixado Todavia, o diabo é que Todavia nunca lhe deixou, e creio mesmo que jamais o deixará, os dois estão atados, como verdadeiros irmãos siameses que são.”

Influências literárias

No caminhar da história faz referências a autores que de certa forma influenciaram a sua carreira literária sem textualizar suas influências, exceção se faça ao seu querido João Ubaldo Ribeiro, que segundo consta – em outra obra – assinou a sua primeira Carteira de Trabalho. Que chamego ele tem por essa carteira… Jorge Amado, José Saramago, Gabriel Garcia Márquez, Drummond de Andrade, Castro Alves, Olavo Bilac, Gonçalves Dias e até Marcel Proust – se não me engano – referindo-se ao “No Caminho de Swann” aparecem sutilmente na formulação dos valores literários. Arrisco em apostar que Ubaldo, Jorge e Gabo têm lugares garantidos…

As décadas de 60 e 70

A maioria dos jovens dos anos 60/70 cultivavam a curiosidade aguçada a respeito dos movimentos esquerdistas. O autor cultua por Quito Alfaiate a imagem de um comunista mor. À época não tinha cabimento se ver na cidade de Todavia um seguidor de Max, Lênin ou Stálin tratava-se de mera curiosidade a respeito do regime que contestava a democracia e o capitalismo. Os modelos do quepe usado por Fidel Castro e a boina de Che Guevara teriam sido, possivelmente, as únicas alegorias comunistas que chegaram a Todavia. Prenderam Quito e logo o devolveu às suas agulhas, alfinetes, tesouras e máquina de costura. As beatas começaram a espalhar a falsa notícia que o pacato “comunista” pudesse fazer uso da sua afiada tesoura para arrancar as unhas das crianças, fato que inspirou os pequenos todavienses a evitarem transitar na calçada da alfaiataria.

Em relação ao monsenhor Giuseppe Galvani o autor é mais incisivo nas críticas. Caso fosse possível o teria mantido em um freezer ficcional e o ressuscitaria em uma noite de malhação do Judas. O monsenhor prendia os pássaros em um viveiro que havia construído na casa paroquial com base em uma interpretação equivocada da pregação franciscana. Para os que acreditam na eternidade, o dito padre deve encontrar-se escovando as sandálias do São Francisco de Assis, como parte da penitência imposta para chegar ao céu.

Na política são muitos! ACM é personificado nas mais diversas ocasiões: no jeito de falar e de impor métodos, de comprar brigas, de meter medo e dar guarida aos mais queridos.

Vita conta histórias fascinantes de uma vida interiorana relatando o seu fascínio por sua professora, seus vexames sexuais no pasto de um surdo que gostava de fazer sexo com uma anã, sua participação em um concurso esdrúxulo de lançamento de sêmen, as peripécias ocorridas nos puteiros de Salvador, e o vexame de ter acompanhado o prefeito e a primeira-dama a países da Europa. Como podem ver a história começa em Todavia e termina longe!

O autor traz a luz outras personagens folclóricas a exemplo do prepotente editor do único jornaleco, do esperto inglês comprador de tabaco, da informante telefonista que sabia da vida da maioria dos moradores, do simpático vendedor de flores transformado em estafeta bisbilhoteiro, do fofoqueiro da barbearia, da freira educadora e do incansável maestro.

O texto foi concebido de forma inusitada, como uma salada de frutas bem cortadas cujo sabor pode ser identificado em cada pedaço, alguns mais doces outros mais azedos. Ao final, o sabor se espalha harmoniosamente na boca para grandeza do pensamento que nos remete à infância, à adolescência e a história política de admirada Todavia.

A leitura é recomendadíssima!

Fernando Vita

Nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, em 22 de dezembro de 1948. Lá iniciou seus estudos. Mudou-se em 1965 para Salvador, e em 1973 formou-se em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia. Iniciou sua vida profissional no extinto Jornal da Bahia, onde foi repórter, editor e crítico musical. Foi repórter da sucursal baiana do Correio da Manhã, freelance do Jornal do Brasil e das revistas Veja e IstoÉ/Senhor. Nos anos oitenta escreveu crônicas semanais para o Jornal A Tarde e para o semanário Pasquim. Em 2006, com o romance Tirem a doidinha da sala que vai começar a novela, recebeu o Prêmio Braskem Cultura e Arte e teve seu primeiro livro publicado pelo selo Casa de Palavras, da Fundação Casa de Jorge Amado. Pela Geração Editorial, lançou em 2011 Cartas Anônimas, uma história hilariante. O Avião de Noé, uma hilariante história de inventores, impostores, escritores e outros malucos de modo geral.

Referência bibliográfica

V853r Vita, Fernando
República dos Mentecaptos /
Fernando Vita. – São Paulo: jardim dos Livros, 2019.
320p.
ISBN 978-85-8130-416-8
1. Literatura brasileira 2. Romance – I. Título.

O livro escrito em linguagem simples, direta e sem rodeios traz um tema interessantíssimo.
Trata-se de um estudo da história da humanidade, com um conteúdo perturbador, atribuindo ao leitor questionamentos sobre valores, comportamentos, crenças e o futuro da humanidade.

O trabalho desperta para uma reflexão sobre a origem do Homo sapiens e o prejuízo que a espécie causou e continuará causando na interação com a natureza.

Retrata a evolução desde a Idade da Pedra até a Revolução Tecnológica e Política, no mundo atual.

Capacidade cognitiva

Ao que nos parece, pelo fato de possuirmos capacidade cognitiva, nossa espécie foi responsável pela extinção de outras espécies de Homo nos últimos 50 mil anos, a exemplo das Homo soloensis, denisova e neandertal.

Nossa capacidade cognitiva não trouxe só vantagens quando nos comparamos às demais espécies, certamente, exigiu sacrifícios.

Pensar, manter-se em posição ereta, poder utilizar uma visão elevada e ter as mãos livres para desenvolver habilidades e defesa acarretou a necessidade de adaptações físicas.

Os benefícios confrontados aos demais animais nos traz, até hoje, comprometimentos a exemplo de dores nas costas, rigidez no pescoço e dores nas articulações proveniente da nossa postura.

Outro fato decorrente da evolução do Homo sapiens é a necessidade de reposição diária de energia. Sem ela o corpo não funciona a contento.

Ao compararmos os sapiens a outros animais observa-se que consumimos muito mais energia, só para mantermos o cérebro funcionando. Apesar do nosso cérebro equivaler a aproximadamente 3% do peso corporal ele é responsável pelo consumo de 25% da energia gasta pelo nosso corpo em repouso.

Não bastassem as desvantagens citadas, nossos filhos nascem prematuros, com muitos dos sistemas vitais ainda em desenvolvimento, enquanto os filhos da maioria dos animais se tornam, ao nascerem, rapidamente ou totalmente independentes. Só para citar alguns exemplos: o cavalo, o boi, o pinto, e a tartaruga nascem andando.

Características do Homo sapiens

cognitivaO diferencial dos Homo sapiens surgiu com novas formas de pensar e se comunicar.

A Revolução Cognitiva, possivelmente, ocorreu acidentalmente através de mutações genéticas responsáveis por alterações das conexões internas do cérebro e possibilitou a espécie sapiens exercer o domínio sobre as demais.

O estilo natural foi substituído por escolhas culturais baseadas em um conjunto de possibilidades.

Realidade fictícia

A organização cultural do Homo sapiens está associada ao cooperativismo flexível.
Somos capazes de nos adaptar às crenças, mesmo sabendo que são baseadas em coisas fictícias.
Enquanto usamos a nossa capacidade de comunicação para criar novas realidades fictícias, os demais animais usam o sistema de comunicação para descrever um fato baseada em uma realidade biológica, sem floreios ou subterfúgios.

O fato dos homens acreditarem na realidade fictícia possibilitou à espécie o domínio do mundo.
Ela, a realidade fictícia, nos permite decidir sobre a participação em guerras, construção de igrejas, ambicionarmos subir ao céu, concordarmos com as estruturas políticas e sociais, participarmos das organizações econômicas, além de aceitarmos a moeda como unidade de troca.

Aliás, o dinheiro se estabeleceu como uma das irrealidades de maior sucesso da realidade fictícia. Enquanto ocorrem dissidências nas demais ficções, basicamente, todos acreditam no dinheiro como unidade de troca ou reserva independentemente de crenças, culturas e conflitos sociais.

Saímos de uma condição insignificante na pré-história para nos tornarmos dominadores da terra.
A diferença entre nós e os demais animais se baseia no fato de nos associarmos de forma flexível e de maneira ampla.
Os humanos se tornaram capazes de montar uma rede eficaz de cooperação – mesmo quando o fazem com objetivos toscos e deploráveis – porque vivemos em duas realidades: a objetiva e a fictícia.

Enquanto a realidade objetiva é determinada por uma lógica biológica, usada, também, pelos demais animais, a realidade fictícia tornou-se extremamente poderosa e será utilizada, mais intensamente, pelas instituições no domínio dos povos, da economia, da ecologia e da sobrevivência da própria realidade objetiva.

Por que consumimos doces

Como viviam os sapiens após o período compreendido entre a Revolução Cognitiva e a Revolução Agrícola?
Como eram as relações interpessoais, a sexualidade, as relações políticas dos nossos ancestrais no período de 70 mil e 12 mil anos atrás?
Por que somos afeitos a consumir produtos doces e gordurosos?
A resposta, possivelmente, está nas dificuldades alimentares dos nossos ancestrais que recomendavam o consumo exagerado de determinados produtos, quando disponíveis, como forma de estocar energia?

Revolução cognitiva

“A partir da Revolução Cognitiva, as narrativas históricas substituem as narrativas biológicas como nosso principal meio de explicar o desenvolvimento do Homo sapiens. Para entender a ascensão do cristianismo ou a Revolução Francesa, não basta compreender a interação entre genes, hormônios e organismos. É necessário, também, levar em consideração a interação entre ideias, imagens e fantasias. Isso não significa que o Homo sapiens e a cultura humana tenham se tornado isentos de leis biológicas. Ainda somos animais, e nossas capacidades físicas, emocionais e cognitivas continuam sendo moldadas por nosso DNA.”

homo-sapiens-2O Homo sapiens migrou do continente africano para o Oriente Médio, Europa, Ásia, Austrália e, finalmente, a América.

Subiu ao topo da cadeia alimentar e tornou-se a espécie mais mortífera do planeta através das habilidades organizacionais e do domínio da tecnologia.

“Apenas algumas poucas ilhas extremamente remotas escaparam do olhar do homem até a idade moderna, e essas ilhas mantiveram sua fauna intacta. As ilhas Galápagos, para dar um exemplo famoso, permaneceram inabitadas por humanos até o século XIX, preservando assim sua coleção única, incluindo suas tartarugas-gigantes, que, como os antigos diprotodontes, não têm medo de humanos.”

Revolução agrícola

revolucao-agricola-3O Homo sapiens não estava adaptado para a realização das tarefas que envolvem o cultivo.

A Revolução Agrícola trouxe prejuízo para a estrutura física quando passou a exigir sobrecarga na coluna, no joelho, nos pés e pescoço.

Obrigou mudanças no comportamento e domesticação do sapiens e o fez deixar de ser nômades e fixar residências, para aguardar os ciclos culturais e colher o que plantava.

Há uma inversão no entendimento a respeito da domesticação, cuja palavra vem do latim “domus” que significa “casa”. Nos leva a crer que quem foi domesticado foi o Homo sapiens, os cães e os gatos. As plantações e as criações não se enquadram no conceito literal do domínio.

“Nas últimas décadas, inventamos inúmeros instrumentos que supostamente economizam tempo e tornam a vida mais fácil – lavadoras de roupa e de louça, aspiradores de pó, telefones, aparelhos celulares, computadores, e-mail. Antes, dava muito trabalho escrever uma carta, endereçar e selar um envelope e levá-lo até o correio. Levava-se dias ou semanas, talvez até meses, para obter uma resposta. Hoje em dia eu posso escrever um e-mail às pressas, enviá-lo para o outro lado do mundo e (se meu destinatário estiver on-line) receber uma resposta um minuto depois. Economizei todo aquele trabalho e tempo, mas tenho uma vida mais tranquila? Infelizmente, não. Antes, as pessoas só escreviam cartas quando tinham algo importante para relatar. Em vez de escrever a primeira coisa que lhes vinha à cabeça, consideravam cuidadosamente o que queriam dizer e como expressá-lo. Esperavam receber uma resposta igualmente atenciosa. A maioria das pessoas escrevia e recebia não mais de um punhado de cartas por mês e raramente se sentia compelida a responder de imediato. Hoje recebo dezenas de e-mails todos os dias, todos de pessoas que esperam uma resposta imediata. Pensamos que estávamos economizando tempo; em vez disso, colocamos a roda da vida para girar a dez vezes sua velocidade anterior e tornamos nossos dias mais ansiosos e agitados. ”

Enquanto os defensores da Revolução Agrícola juram que ela se tornou o caminho para o progresso os seus críticos perseveram que ela tenha levado a humanidade à perdição, considerando que o Homo sapiens abdicou da convivência simbiótica com a natureza e enveredaram na direção da ambição alimentar.

O registro é apenas uma questão antropológica, até porque o retorno ao passado acarretaria um suicídio generalizado considerando a necessidade do abastecimento alimentar da humanidade.

Taxonomia

categorias-taxonomicas-do-homemA Taxonomia é o ramo da biologia e da botânica responsável por descrever, identificar e classificar os seres vivos.
A classificação é feita com base nas características fisiológicas, evolutivas, anatômicas e ecológicas.

As principais características taxonômicas são: reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie.

Um grupo de organismos que se reproduz entre si e são capazes de produzir descendentes férteis é considerada uma espécie, contudo, não se surpreenda com a possibilidade do Homo sapiens ter acasalado com outras espécies de Homo, não sapiens, vez que no nosso DNA possuímos genes do Homo neandertal.

O surgimento do Homo sapiens

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Os remanescentes do Homo soloensis desapareceram há 50 mil anos, os do Homo denisova desapareceram em seguida, o Homo neandertal desapareceram há 30 mil anos e os últimos humanos diminutos desapareceram há 12 mil anos.

Quando será a nossa vez de desaparecer?

 

O Homo sapiens surgiu na África Oriental há cerca de 2,5 milhões de anos a partir de um gênero de primatas chamado Australopithecus.

Estamos classificados no reino Animalia, no filo Chordata, na classe Mammalia, na ordem dos Primatas, na família dos Hominidae, no gênero Homo e na espécie sapiens.

Estender-se, ainda mais, nesta resenha seria um risco, até porque, por tratar-se de um trabalho histórico e reflexivo retiraria do leitor a oportunidade de extrair suas próprias conclusões.
Possivelmente, afrontaria alguns valores religiosos e éticos.

Para os mais idosos, uma reflexão importantíssima.

Para os jovens, uma ensinamento de como o mundo se movimento!

Recomendadíssima a leitura!

Onde comprar

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SapiensLivraria Saraiva

SapiensLivraria Cultura

SapiensSubmarino

 

Yuval Noah Harari

yuval-noah-harari-2O autor nasceu em 24 de fevereiro de 1976, em Israel, especializou-se em história medieval e militar, antes de completar seu doutorado no Jesus College, Oxford, em 2002. Desde então, ele tem publicado numerosos livros e artigos, incluindo Sapiens: Uma breve História da humanidade (2014); Renaissance Military Memoirs: Guerra, História e identidade, 1450–1600 (2004); Operações especiais da era do cavalheirismo, 1100–1550 (2007); A última experiência: Revelações do campo de batalha e a criação da guerra cultural moderna, 1450–2000 (2008).

E especializado em História mundial e processos da macro-história. Sua pesquisa se concentra em questões da macro-história, tais como: Qual a relação entre a História e a Biologia? Qual a diferença fundamental entre o Homo sapiens e outros animais? Existe justiça na História? A História tem uma direção? Será que as pessoas se tornaram mais felizes com o passar do tempo?

Harari ganhou duas vezes o Prêmio Polonsky por Criatividade e Originalidade, em 2009 e 2012.
Em 2011 ele ganhou o prêmio Moncado de História militar para a sociedade pelos artigos de destaque na História militar.
Em 2012 ele foi eleito para academia Jovem Israelita de Ciências.

O texto é primoroso! O autor dialoga com o leitor de forma espetacular. Utiliza uma linguagem simples, com frases curtas, bem construídas, com  transparência singular de uma história que requer reflexão a cada ponto.

Não há com seguir adiante sem estancar a pressa de concluir a leitura. Tem-se que, além de ouvir, escutar o mundo de Sophie, calmamente, no seu compasso, do início ao fim do texto e, quando possível, transportar-se para o contexto duradouro e sofrido.

A protagonista conversa com o seu criador e revela a sua busca por uma verdade absoluta, inexistente, talvez… No decorrer do diálogo revelam valores, reconhecem amores e manifestam desejos para um cotidiano transformador.

Ao que parece, ao trilharem nos vários caminhos descobrem que nenhum os levariam ao mundo ideal, sem a serenidade. Que mundo difícil o da Sophie. Transformar o seu contexto seria impossível, aceita-lo, sem alterar seus valores, não valeria à pena.

Sophie decide criar outro caminho…

“(…) eu olho o mundo de diversos ângulos, não me contento de pensar somente no que dizem ser o certo. O correto nós aprendemos por leis e costumes, mas será que não podemos pensar fora dessa caixa para viver o nosso mundo? ”

“ (…) aprendeu que o emocional deve ser superado nas maiores dificuldades. Aprendeu que a maioria das conquistas se faz com muito mais dedicação, que tudo tem seu tempo e que compreender o complicado é torna-lo simples. ”

“ Conhecer a si mesmo é conhecer o seu mundo. Mas conhecer o mundo e não conhecer a si mesmo não levará a nada, a lugar nenhum. ”

Clareza e verdade

Sem sombra de dúvida, o livro tem tudo de bom para o ensinamento de um tema difícil de ser confessado com a clareza que o texto revela. É do tamanho certo.

Ao iniciar essa resenha citei que o texto era primoroso e volto a afirmar, além de primoroso e revelador ele carrega uma coragem peculiar aos grandes escritores. Precisava ser escrito. Veio no tempo certo e de dentro para fora! Como disse Sophie: “Conhecer a si mesmo é conhecer o mundo“.

Apesar de ser o primogênito será o mais impactante de muitos que virão desse jovem e talentoso autor.

A Editora

A Editora Chiado, responsável pela edição, está de parabéns! Não só por escolher o Wagner Machado, mas, também pelo trabalho da sua equipe. A capa é perfeita! Retrata o conteúdo.

Diz a editora: “Um livro vai para além de um objeto. É um encontro entre duas pessoas através da palavra escrita. É esse encontro entre autores e leitores que a Chiado Editora procura todos os dias, trabalhando cada livro com a dedicação de uma obra única e derradeira (…)”

Alerta aos cineastas e roteiristas

O material dá um filme e/ou, sem muito esforço, uma série na Netflix.

Informações bibliográficas

Autor: Wagner Machado
Editora Chiado

Data de publicação: Agosto de 2017
Número de páginas: 124
ISBN: 978-989-52-0335-2
Colecção: Viagens na Ficção
Género: Ficção

A história nos leva aos idos de 1958, época em que o autor completava dez anos.

Certamente, muitos dos registros foram fisgados da memória, outros lhes foram repassados em cartas recebidas dos pais, quando lhes impuseram abandonar Todavia, aventurando-se, com mala e cuia, na capital da Bahia.

Fernando Vita aborda, de forma hilária, mas com a intensidade merecida, temas que incomodam a população brasileira.

Práticas clandestinas do fabrico de fogos de artifício

fabrico-de-fogos-saj-1“Destamanho pipoco em domingo incomum …contudo, em Todavia, e até mesmo em alguns pequenos sítios não dela tão próximos, todos os que sabiam ouvir com os ouvidos ouviram um estrondo da porra, vindo das margens plácidas do rio da Dona, na manhã daquele domingo, 13 de junho de 1958,…”

A fabricação e a campanha de marketing que envolveu o lançamento do Uísque Caxias, nas barbas das omissas e interesseiras autoridades, terminou provocando uma ressaca tremenda nos convidados a experimentá-lo.

Milho, malte e centeio

Afinal, a Vinícola Caxias só sabia, muito mal, fabricar conhaque de alcatrão e vinagre.

O único que conhecia um pouco de uísque, em Todavia, era o inglês comprador de fumo para exportação.

Ao saber como o produto havia sido fabricado, apesar de ter sido convidado para o lançamento, lá não compareceu à festa de gala no Tênis Clube Social Todaviense.

“Loucura, presunção e ingenuidade juntas, eis aí o resultado: logo no teste do produto, quase que morre gente intoxicada. É no que dá pensar-se que a água da Fonte de Santinho é igual à das terras altas da rainha; que milho de canjica é o mesmo que malte escocês; que alumã é que nem centeio…”

Observador, contumaz, dos movimentos culturais, Vita, se apoquenta com o aniquilamento dos poucos monumentos históricos de Todavia.

Cinema e estação de trem

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Derrubar o Cine Glória, palco do precário ensinamento artístico da província, sem dúvida, foi destroçar parte da referência da cidade.

Igual destino foi dado ao prédio da estação de trem, que serviu de transporte para o autor ao mudar-se, com mala de couro, fedorenta, para a capital da Bahia.

Sinceramente, eu, também, não engoli aquela demolição!

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Todas as vezes que à Tovadavia me vou, passo na rua Ruy Barbosa para me dar conta da existência do prédio do Colégio Nossa Senhora de Fátima, no qual sentei minha bunda nas cadeiras duras em busca de conhecimento.

Tenho a impressão que aquele prédio que abrigou a minha instituição não vai durar muito tempo… Derrubá-lo-ão!

 

Bravura de Caxias

O autor, debochando das autoridades, registra o evento que marcou a primeira tentativa de voo do invento de Noé, escolhe o capitão Ludovico, comandante do Tiro de Guerra 115 – o mesmo que na Revolução de 1964 mandou avisar, na véspera, aos parcos comunistas de Todavia que no dia seguinte iria prendê-los, é óbvio que não achou ninguém em casa para deter. Disse Ludovico, antes de liberar Noé para a peripécia.

“Vai, Noé, pelos ares da pátria, com a mesma coragem cívica e disposição bravia de um Caxias, de um Floriano, de um Deodoro e leva o galardão cívico de Todavia aos píncaros dos céus,…”

Noé pro céu não foi, sua máquina do chão não saiu…

Execrando autoridades

O autor enriquece a história fazendo uso de figuras quase folclóricas em Todavia: Dodô da Bicicleta, Edgar Barbeiro, Zeca Mefessi, Nego Mário, Tozinho, Faustino, Paulo Sóter, Ludovico, Bomfim Mercês, Bezerra, além de outros que se tornaram personagens importantes no contexto, contudo oferece um espaço benévolo ao monsenhor Galvani.

Sempre que possível, Vita, o introduz na história, hora execrando a autoridade eclesiástica, hora expondo-a como um bobo da corte, ou revelando sua sapiência interesseira.

A cidade sossegada que foi a minha Todavia e a Todavia do autor foi transformada em um shopping center a céu aberto.

Sinto-me sem referências quando a visito, incomodado com os desmandos e descaso cultural.

O povo não mais a tem como pátria amada, conseguiram destruir tudo, vendendo o que, erroneamente, chamam de progresso.

Não fosse isso eu iria iniciar uma campanha para substituir o seu verdadeiro nome (SAJ) para Todavia, contudo, certamente, seria uma imprudência de um filho de uma Todavia tão bem retratada e historiada pelo autor.

Mais uma bela história, companheiro, compartilho de seu desabafo!

Que venham muitas outras…

Fernando Vita

fernando-vita-1Nasceu em 22 de dezembro de 1948, em Santo Antônio de Jesus, Bahia, Brasil.

Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia. Trabalhou no Jornal da Bahia como repórter, editor e crítico musical.

Foi repórter freelance do Jornal do Brasil e das revistas Veja e Istoé/Senhor.

Escreveu Tirem a doidinha da sala que vai começar a novela. Recebeu o Prêmio Braskem Cultura e Arte.

 

Referência bibliográfica

o avião de noéVita, Fernando
O Avião de Noé / Fernando Vita. – São Paulo. Geração Editorial, 2014.
240p.
ISBN 978-85-8130-248-5
1. Ficção brasileira – I. Título.
(R)

dom-quixote-5Dom Quixote de La Mancha escrito por Miguel de Cervantes é considerada uma obra monumental, não só pela linguística exuberante e desafiadora, mas, também, pelo registro de conceitos e valores de uma época onde havia carência de leis.

Estamos referindo à Espanha no século XVII onde imperavam aspectos morais e éticos determinados por uma sociedade monarca e burguesa.

Cervantes enfrentou muitos desafios dentre eles um duelo aos 22 anos, a batalha de Lepanto e um sequestro seguido de prisão, em Argel.

Concluiu a primeira parte da obra em 1605 e publicou a segunda parte em 1615, um ano antes da sua morte. Na segunda parte decide por mata o protagonista para evitar a continuidade da história por algum impostor. À época era comum alguém editar sequências de obras se passando pelo autor original. Fato que aconteceu com dom Quixote de La Mancha. Um ano antes da publicação da segunda parte da história, Alonso Fernández de Avellaneda, publicou uma falsa continuação da primeira parte da obra.

A construção da história

dom-quixoteO autor constrói um herói de cavalaria diferente dos demais heróis representados em romances da época. Escolhe como protagonista um esquelético e alucinado senhor de idade; um escudeiro com baixa estatura, gordo e esperançoso; uma mulher parruda e analfabeta; um cavalo pangaré que mal conseguia andar e um pequeno burro de carga.

Com esse elenco confuso e despretensioso, contrapondo fenótipos de heróis descritos em romances da época,  constrói um personagem digno, focado em valores éticos, espalhando diálogos socialmente ricos, contraditando-se  com Sancho Pança, seu fiel escudeiro. O autor deu a Dom Quixote a tarefa de sonhar e a Sancho Pança a missão de redirecionar o Cavaleiro da Triste Figura quando ele exagerava na insanidade.

Conceito de justiça

dom-quixote-2A obra foi escrita com base em conceito de conceber politicas através de homens justos. Agir corretamente baseado na própria consciência. Na época, o fato da inexistência de leis para nortear as pessoas resultava em ações tomadas com base na consciência, diferentemente da sociedade moderna cujo juízo de valor é um assunto de foro íntimo. Atualmente, as leis norteiam o que é o certo e o que é errado. A justiça deixa de ser determinada pela consciência pessoal para se colocar como algo coletivo.

Dom Quixote interfere em ações que nem sempre resultam em resultados esperados. Defende viver com base em valores simples. Decide, simplesmente, ser bom! Algumas das suas atitudes esbarravam em resultados desastrados. Pelo fato de ser bom, às vezes defendia pessoas – em situação de vulnerabilidade – sem se preocupar a quem estava defendendo e terminava se deparando com situações vexatórias.

Sonho e realidade

Cervantes traça uma linha muito interessante a respeito dos sonhos e da realidade e chama a tenção para a dificuldade de se separar as duas situações.

Quixote ao eleger Dulcineia para sua amada a idealizou perfeita, porém, segundo a narrativa, ela não passa de uma camponesa sem atrativos físicos, culturais ou detentora de bons costumes. Dulcineia como amada e Sancho como escudeiro jamais apareceriam nos Livros de Cavalaria escritos à época.

Cervantes ao caracterizar o elenco dos personagens faz um contraponto com outros autores. Critica a superficialidade literária que existia à época. O texto possibilita a percepção de como é possível construir e/ou desmoronar as fantasias e projetos. Os diálogos democráticos entre Sancho e Quixote se tornam um exercício constante e sob várias formas e contextos. Dom Quixote “cai do cavalo” várias vezes, mas se mantém perseverante diante de qualquer situação. Ensina a perseverar nos sonhos.

Dialogar e aprender a ouvir

dom-quixote-6O livro tem um significado abrangente em relação à prática do diálogo. Insiste para o exercício da prática do ouvir. Ressalta a importância das abordagens opinativas mesmo sendo elas advindas de pessoas consideradas como de menor importância. Dom Quixote aceita as opiniões do servo, Sancho Pança, mesmo ele não tendo instrução e sendo seu subordinado. Dom Quixote pede perdão a Sancho por suas doidices e Sancho, por sua vez, se mostra desejoso da continuidade dos conselhos do patrão. Do início ao fim da história os ensinantes se reversam.

Cada macaco no seu galho

Depoimento de Sancho ao deixar de ser governador da ilha…

“Abri alas, meus senhores, e deixai-me voltar a minha antiga liberdade: deixai-me que vá procurar a vida passada, para que me ressuscite desta morte presente. Não nasci para ser governador nem para defender ilhas nem cidades dos inimigos que quiserem tomá-las. Entendo mais de arar e capinar, podar e limpar o mato dos vinhedos que de fazer leis ou defender províncias ou reinos. Bem está são Pedro em Roma: quero dizer, cada macaco no seu galho, cada um no ofício para que nasceu”

A mais cruel das mortes

A tristeza de Quixote pela falta de reconhecimento e sua preocupação com a crueldade da fome…

“Come, amigo Sancho — disse dom Quixote —, mantém a vida, que te importa mais que a mim, e me deixa morrer nas mãos de meus pensamentos e pelas forças de minhas desgraças. Eu nasci para viver morrendo, Sancho, e tu para morrer comendo. Para que vejas que te digo a verdade, considera meu caso: impresso em livros, famoso nas armas, cortês em minhas ações, respeitado por príncipes, cortejado por donzelas; mas, no fim das contas, quando esperava palmas, triunfos e coroas, conquistados e merecidos por minhas intrépidas façanhas, nesta manhã me vi pisoteado, humilhado e moído pelas patas de animais vis e imundos. Essa consideração me embota os dentes, paralisa-me os molares, tolhe-me as mãos e me tira de todo a vontade de comer, de modo que penso me deixar morrer de fome, a mais cruel de todas as mortes.”

Escrever sobre dom Quixote de La Mancha, sem sombra de dúvida, é uma tarefa ingloriosa, como foram as suas batalhas. Cervantes nos oferece uma obra aberta, atual e reflexiva que possibilita o entendimento de como construirmos as nossas fantasias e como desconstruímos nossos sonhos.

A leitura é recomendadíssima! Quem não tiver condições de ler a obra completa, composta por dois volumes, pode lê-la na forma resumida. Deixar de ler Cervantes é perder a oportunidade para conhecer um dos textos mais respeitados da literatura mundial.

Miguel de Cervantes

cervantes-2A provável data de nascimento de Cervantes pode ter sido 29 de setembro de 1547 em Alcalá de Henares, na Espanha.

Sua morte foi em 22 de abril de 1616 em Madrid, na Espanha.

Filho do cirurgião Rodrigo e de Leonor de Cortinas, foi batizado em Castela no dia 9 de outubro de 1547, na paróquia de Santa María la Mayor.

Dom Quixote é um clássico da literatura ocidental e considerada um dos melhores romances já escritos.

Cervantes exerceu muita influência sobre a língua castelhana, por isso se considera “A língua de Cervantes”.

Em 1569 foge para Itália depois de um duelo com Antonio Sigura. Lutou na batalha de Lepanto, contra os turcos, no ano 1571, foi ferido na mão e no peito.

Em 1575, durante seu regresso de Nápoles a Castela é capturado por corsários de Argel, então parte do Império Otomano. Permanece em Argel até 1580, ano em que é liberado depois de pagar seu resgate. De volta a Castela se casa com Catalina de Salazar, em 1584, e viveu algum tempo no povoado de La Mancha em Esquivias.

Publica, em 1585, o seu primeiro livro de ficção, A Galatea.

don_quijote_de_la_manchaEm 1605 publica a primeira parte de sua principal obra: O engenhoso fidalgo dom Quixote de La Mancha.

A segunda parte da obra é publicada em 1615: O engenhoso cavaleiro dom Quixote de La Mancha.

Um ano antes da publicação da segunda parte da obra, Alonso Fernández de Avellaneda, publica uma falsa continuação de “O engenhoso fidalgo dom Quixote de La Mancha”, fato que contrariou Cervantes.

Entre as duas partes de Dom Quixote, aparecem as Novelas exemplares (1613), um conjunto de doze narrações breves, bem como Viagem de Parnaso (1614). Em 1615 publica Oito comédias e oito entremezes nunca antes representados. O drama A Numancia e O trato de Argel, ficou inédito até ao final do século XVIII.

freakonoA metodologia excêntrica para análise econômica exposta por Steven D. Levitt em seu livro Freakonomics é inusitada.

Parte do exame de questões bem formalizadas na busca de respostas que possam ajudar a sociedade desvendar situações – aparentemente desconectadas com a problemática estabelecida – que influenciam diretamente no resultado econômico.

Como elaborar perguntas…

“Seria tolo argumentar que a sabedoria convencional nunca é verdadeira, mas perceber onde ela pode ser falsa — percebendo, quem sabe, os indícios de um raciocínio apressado ou interesseiro — é um bom ponto de partida para elaborar perguntas.”

Como fazer boas perguntas?

“O simples fato de uma pergunta nunca ter sido feita antes não lhe confere qualidade. Gente inteligente vem perguntando há séculos, mas muitas perguntas que jamais foram feitas estão fadadas a receber respostas que não interessam a ninguém. Contudo, se você for capaz de lançar uma pergunta sobre algo que realmente interessa e descobrir uma resposta capaz de surpreender os interessados – ou seja, se conseguir virar do avesso a sabedoria convencional – pode ser que se dê bem.”

As questões formuladas no texto podem parecer frívolas, contudo, as análises do contexto levam a conclusões inesperadas. Por exemplo:
– Se os traficantes de drogas ganham tanto dinheiro, por que ainda moram com suas mães?

– O que é mais perigoso, uma arma ou uma piscina?

– Qual foi, realmente, o fator responsável pela queda do índice de criminalidade na década passada?

– Por que os casais negros dão aos filhos nomes que podem prejudicar suas chances profissionais?

– Os professores trapaceiam para conseguir boas avaliações?

– O sumô é um esporte corrupto?

– Qual a relação entre criminalidade e legalização do aborto?

Incentivos, fatores determinantes

Em relação à manipulação dos incentivos o autor cita três fatores decisivos: econômico, social e moral.

“É muito comum que um único esquema de incentivos inclua as três variedades. Tomemos a campanha antitabagista dos últimos anos. O acréscimo da “taxa do pecado” de $3 em cada maço é um forte incentivo econômico contra a compra de cigarros. A proibição do fumo em restaurantes e bares é um poderoso incentivo social. E a afirmação do governo americano de que os terroristas angariam fundos com a venda de cigarros no mercado negro atua como um incentivo moral bastante estridente.”

A legalização do aborto e a consequente redução da criminalidade

freakonomics-e-super-freakonomicsA relação entre a criminalidade e a legalização do aborto, chegou-se à conclusão que a primeira foi reduzida considerando que a maioria dos abortos são praticados por mulheres de baixa renda, cujos filhos são mais vulneráveis.

Diante da dificuldade moral e religiosa para a aceitação desse fato os políticos preferem justificar a redução da criminalidade tomando por base o aumento da quantidade de policiais.

Vejamos:

“Esse famoso processo viria a produzir um efeito drástico no futuro distante: anos mais tarde, justamente quando essas crianças não-nascidas atingiriam a idade do crime, o índice de criminalidade começou a despencar. (…) Algum desavisado poderia examinar esses números e concluir que esses policiais a mais sejam a razão do número maior de crimes. Esse raciocínio obtuso, que tem uma longa história, em geral produz uma reação obtusa, como na lenda do czar que foi informado de que a província com maior incidência de doenças era também a que contava com mais médicos. Sua solução? Mandou imediatamente fuzilar todos os médicos.”

As armas são as únicas responsáveis pelo aumento da criminalidade?

armas-1“As armas, contudo, não são as únicas responsáveis. Na Suíça todo homem adulto recebe um rifle para o serviço militar juntamente com a permissão para guardá-lo em casa. Numa proporção per capita, a Suíça tem mais armas de fogo do que qualquer outro país, mas mesmo assim é um dos lugares mais seguros do mundo. Em outras palavras, as armas não causam os crimes. Dito isso, os métodos americanos usados para manter as armas longe do alcance de pessoas capazes de cometer crimes são, na melhor das hipóteses, insuficientes.”

Medo de avião

medo-de-aviao-1Quando uma pessoa diz ter medo de avião, na realidade está subentendido que está com medo de morrer.
Vejamos a diferença percebida entre o avião e o carro…

“Sendo assim, o que realmente devemos temer mais, o avião ou o carro? Talvez valha a pena fazer primeiro uma pergunta mais básica: de que, exatamente, temos medo? De morrer, supostamente. Mas o medo da morte precisa ser delimitado. Claro que sabemos que vamos morrer e nos preocupamos acidentalmente com isso, mas se lhe disserem que você tem 10% de possibilidade de morrer no ano que vem, sua preocupação aumentará muito e talvez você até decida viver de maneira diferente. E se for informado de que tem uma possibilidade de 10% de morrer no próximo minuto, você provavelmente entrará em pânico. Assim, é a possibilidade iminente da morte que detona esse medo — o que significa que o modo mais lógico de calcular o medo da morte seria pensar nele em termos de horas.”

O número de livros em casa determina o rendimento escolar?

Necessariamente, não. Outros fatores podem ser mais determinantes a exemplo da renda familiar ou a importância dada pela família ao que se refere à formação acadêmica.

“Os dados do estudo mostram, por exemplo, que uma criança cuja casa tem muitos livros em geral tira notas mais altas do que outra sem livros em casa. Mas as notas altas também estão correlacionadas a muitos outros fatores. Se compararmos apenas crianças com muitos livros e crianças sem livros, a resposta pode não ser representativa. Talvez o número de livros na casa de uma criança aponte tão-somente para o nível de renda de seus pais. A comparação que realmente se deseja fazer é entre duas crianças iguais em tudo, exceto numa coisa – no caso, o número de livros em casa –, para ver se esse único fator influencia o desempenho escolar.”

O livro não tem um tema único. Baseia-se na análise de temas cotidianos que buscam um raciocínio lógico sobre o comportamento humano. Olhar, discernir e avaliar são tarefas eficazes para a construção de um raciocínio com vistas a identificar a relação entre fatos aparentemente desconectados, mas, que estão diretamente convergentes.

Recomendo a leitura!

Steven David Levitt

steven-d-levitt-1Nasceu em Nova Orleães, 29 de maio de 1967, é um economista americano e professor da Universidade de Chicago.

Laureado em 2003 com a Medalha John Bates Clark. Conhecido por seu livro Freakonomics, de 2005, em parceria com Stephen J. Dubner, onde usa a teoria econômica para explicar de forma inusitada fenômenos da vida cotidiana.

Doutor pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Os interesses de Levitt estão distantes da economia convencional. Se interessa pelo dia-a-dia e seus enigmas. Pocura desvendar a maneira como o mundo funciona.

madame-bovary-12Uma mulher bonita e atraente, filha de uma família burguesa do interior da França, foi educada em um convento devido ao falecimento da sua mãe.

O fácil acesso e o gosto pela literatura a fez idealizar um estilo de vida fora da realidade interiorana.

Casou-se com um médico, com pouca experiência profissional, que procurava satisfaze-la a todas as suas vontades, contudo, quanto mais concessões lhe eram feitas maior a rejeição e o desinteresse na relação conjugal.

Angustiada, por ambicionar uma relação amorosa mais intensa, a protagonista procurava no adultério a liberdade, o prazer e a materialização das suas fantasias literárias.

A incansável busca da relação que preenchesse suas carências afetivas lhe rendeu uma vida sofrida e cheia de decepções.

Crítica aos valores morais

O autor criou situações de afrontamento social questionando valores morais e religiosos, em uma época caracterizada pela obscuridade nas relações amorosa. Expõe, com sutileza, críticas ao regime político, social e literário.

Um romance de 1857

madame-bovary-4O romance depois de publicado, em 1857, contribuiu para uma nova estética literária.

A narrativa impressiona pela simplicidade e impõe uma realidade inexplorada anteriormente, cuja forma estabelece um texto absolutista, expondo os personagens às mais diversas situações e sentimentos.

Afronta à sociedade

O texto apresentado em linguagem direta, objetiva e realista atraiu reações negativas da sociedade francesa, que tentou impedir a sua edição, inicialmente, na revista Revue de Paris.

O afrontamento imposto pelo autor à sociedade francesa lhe rendeu um processo na Sexta Corte Correcional do Tribunal de Sena.

Entenderam, os autores, tratar-se de um tema libertino, com elevado risco de estímulo à prática do adultério.

Apesar de absorvido no Tribunal, Gustave Flaubert continuou sendo criticado pelos puritanos da época, contudo a polêmica ajudou a divulgação do seu romance. Ou seja; se tentaram proibir a obra é porque ela era renovadora.

Personagens

Emma Bovary (a protagonista), Charles Bovary (o médico e marido de Emma), Léon Dupuis (estudante de direito e amante de Emma); Rodolphe (proprietário rural e amante de Emma), Justin (funcionário do Boticário), Monsieur Homais (pároco da igreja), Tio Rouault (pai de Emma), Félicité (empregada da família), Madame Homais, e Lheureux.

Parte da história

Após concluir o curso de medicina a família de Charles Bovary lhe arranjou um casamento com uma viúva, para acomodá-lo financeiramente e possibilitar o início da atividade profissional. A relação durou pouco mais de um ano devido ao falecimento da companheira.

Em uma de suas visitas para o exercício da profissão conheceu a jovem, bonita e atraente Emma, que havia sido educada em um convento devido ao falecimento da sua mãe.

O pai de Emma percebendo o interesse de Charles pela filha imaginou, caso ela fosse pedida em casamento:

Madame Bovary 1991 rŽal : Claude Chabrol Isabelle Huppert Jean francois Balmer Collection Christophel

“Achava-o com cara de zé-ninguém e não lhe parecia o tipo de genro do seu agrado, mas diziam-lhe que tinha bom comportamento, que era poupado, muito instruído, e sem dúvida não iria questionar muito acerca do dote. Ora, como o Tio Rouault iria ser obrigado a vender vinte e dois acres dos seus bens e dado que devia bastante ao pedreiro e ao albardeiro e o eixo do lagar tinha que ser consertado, disse de si para si: “Se ma pedir, dou-lha.””

Antes do casamento, Emma imaginava sentir amor por Charles, contudo, a medida que o tempo foi passando ela se questionava sobre a felicidade e a paixão evidenciadas nos livros e revistas que havia lido.

Pode-se entender que o autor ao envolver a protagonista nas histórias amorosas, citadas nos livros, caracterizava a sua reação negativa em relação à literatura da época.

Emma procurava manter-se informada sobre os acontecimentos da capital francesa e Charles se dedicava, com sacrifício, ao trabalho na busca de renda e do reconhecimento profissional.

Apesar de apaixonado pela esposa o médico interiorano era insosso aos olhos dela.

“Comprou uma planta de Paris e, deslocando a ponta do dedo sobre o mapa, dava passeios pela capital. Subia as avenidas, parando a cada esquina, entre as linhas das ruas, diante dos quadrados brancos que representavam as casas. Por fim, com os olhos cansados, fechava as pálpebras e via, no escuro, torcerem-se com o vento os bicos de gás, juntamente com os estribos das carruagens que se desdobravam com grande estrépito diante do peristilo dos teatros. Assinou a La Corbeille, revista feminina, e Le Sylphe des Salons. Devorava, sem perder nada, todas as notícias das primeiras representações, das corridas e das recepções, interessando-se pela estreia de uma cantora, pela abertura de uma loja. Conhecia as modas novas, os endereços dos bons costureiros, os dias de Bosque ou de ópera. Estudou, em Eugène Sue, descrições de mobiliário, leu Balzac e George Sand, procurando neles uma maneira de saciar imaginariamente os seus apetites pessoais.”

Depressão e bipolaridade

O autor descreve situações vivenciadas por Emma que indicam sinais de depressão e bipolaridade.

O desinteresse pela aparência e a alternância de humor são relatadas de forma objetiva e direta.

“Agora deixava andar tudo em casa de qualquer maneira, de modo que a velha Bovary, quando veio passar parte da Quaresma a Tostes, ficou muito surpreendida com a mudança. Efectivamente, Emma, antes tão cuidadosa e delicada, passava agora os dias inteiros sem se vestir, usava meias cinzentas de algodão e alumiava-se à luz de candeias.”

“Mandava preparar para si pratos especiais e não lhes tocava; um dia bebia apenas leite puro e no dia seguinte dúzias de chávenas de chá. Teimava muitas vezes em não sair, depois sentia-se sufocar, abria as janelas e punha um vestido leve.“

“Depois de ralhar asperamente com a criada, dava-lhe presentes ou mandava-a passear a casa dos vizinhos, assim como, por vezes, atirava aos pobres todas as moedas brancas que tivesse na bolsa, se bem que não fosse de se comover nem facilmente acessível à emoção dos outros, como a maioria dos descendentes de camponeses, que conservam sempre na alma alguma coisa da calosidade das mãos paternas.”

Restrições às mulheres

O autor expõe o desejo de Emma de ter um filho homem para caracterizar as restrições sociais impostas às mulheres. O desinteresse da protagonista pela filha era percebido e coube à empregada, Félicité, os cuidados básicos.

“Ela desejava um rapaz, seria forte e moreno, chamar-se-ia Georges, e esta ideia de ter um filho varão era uma espécie de desejo de desforra de todas as suas frustrações passadas. Um homem, pelo menos, é livre, pode explorar todas as paixões e todas as terras, atravessar os obstáculos, tomar o gosto das venturas mais distantes. Mas uma mulher é continuamente impedida de tudo. Ao mesmo tempo inerte e flexível, tem contra si a debilidade da carne juntamente com a força da lei. A sua vontade, como a aba do chapéu preso por um cordão, flutua a todos os ventos, há sempre algum desejo que a arrasta e alguma conveniência que a detém.”

A tentativa de fuga, a desilusão e o desespero

Emma não se conformou com a desistência da fuga por parte do amante, mas, posteriormente, devido a dificuldade financeira, tentou a reconciliação.

“Com efeito, Rodolphe, depois de muitas reflexões, decidira-se a partir para Ruão. Ora, como da Huchette para Buchy não há outro caminho senão o de Yonville, teve de atravessar a vila, e Emma reconhecera-o, à luz das lanternas que, como um relâmpago, rasgavam o crepúsculo. O farmacêutico, com o tumulto que se produziu em casa do Bovary, precipitou-se para lá. A mesa, com todos os pratos, estava tombada: molho, carne, facas, saleiro e galheteiro, tudo espalhado pelo aposento, Charles pedia socorro, Berthe, assombrada, gritava e Félicité, com as mãos a tremer, desapertava a senhora, que tinha movimentos convulsivos por todo o corpo.”

Relação com Léon

Com o amante mais jovem, Emma, altera a forma de se relacionar, impõe condições e promove oportunidades financeiras não compatíveis com as condições da família.

Termina por convencer o marido a lhe delegar poderes sobre os bens e penhora o patrimônio herdado por ele.

madame-bovary-10“Exigia que Léon, todas as vezes, Lhe relatasse toda a sua conduta, desde o último encontro. Pedia-lhe versos, versos dedicados a ela, um poema de amor em sua homenagem, ele nunca conseguia encontrar a rima do segundo verso e acabou por copiar um soneto de um álbum de recordações. Foi mais pelo simples desejo de lhe agradar do que por vaidade. Não discutia as ideias dela, aceitava todos os seus gostos, era ele quem realmente se comportava como se fosse uma amante. Emma dizia palavras ternas acompanhadas de beijos que o arrebatavam. Onde teria ela aprendido aquela depravação, quase imaterial à força de ser profunda e dissimulada? ”

Emma assume o controle da sua vida, decide como acabar com o sofrimento e joga por terra todos os sonhos. Quem sabe, uma antecipação do existencialismo sartreano.

Ao fim da história o autor retrata a angustia sofrida pela protagonista e o quanto ela fez sofrer as pessoas que a cercavam.

Ninguém saiu ileso na relação com Emma.

A astúcia imposta para a conquista dos objetivos esgotou as alternativas inimagináveis e terminou sucumbindo em um mundo de desespero injustificável.

O texto demorou cinco anos para ser escrito e imprime uma impressionante riqueza de detalhe, retratando a vida sem subterfúgios.

Apesar da existência de várias versões da obra para o cinema nenhuma retrata a fidelidade e a sutileza de detalhes como o texto.

Leitura recomendadíssima!

Onde comprar

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Madame Bovary – Livraria Cultura

Madame Bovary – Livraria Saraiva

Madame Bovary – Shoptime

 

Gustave Flaubert

madame-bovary-1Gustave Flaubert nasceu em 12 de dezembro de 1821, Ruão, França e morreu em 5 de agosto de 1880, aos 58 anos em Croisset, França.

Romancista e contista, fez parte do movimento literário Realismo e marcou a literatura francesa pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade, sua lucidez sobre o comportamento social, e pela força de seu estilo em grandes romances, tais como Madame Bovary (1857), A Educação Sentimental (1869) e Salambô (1862).

Foi o segundo dos seis filhos do médico Achille Cléophas Flaubert, cirurgião-chefe do Hospital de Ruão, e sua esposa Anne Justine, nascida em Fleuriot. Passa a infância ao lado dos irmãos no Hospital onde o pai trabalha.

Aos quinze anos, interessa-se por teatro, e compõe um drama em cinco atos, em prosa, “Luís XI”. Em 1837, escreve seu primeiro romance, “Rêve d’enfer”, uma obra ainda imatura e juvenil, mas que já vislumbra os traços que caracterizariam suas futuras heroínas.

fleubert-2Amor contido

Também aos 15 anos se apaixona, por uma mulher casada e onze anos mais velha do que ele, Elisa Schlesinger, a qual amará, talvez, pela vida toda; só declara, porém, o seu amor trinta anos mais tarde, através de uma carta.

Embora viúva, Elisa já não quis desposá-lo.

O amor impossível, em especial por Elisa Schlesinger, inspira vários de seus livros: “Mémoires d’un fou”, em 1838, “Novembre”, em 1842, e as duas versões de A Educação Sentimental, esboçado em 1845 e concluído em 1869.

Em 1846 Flaubert conheceu Louise Collet, separada do marido e mãe de uma jovem de 16 anos, amante do filósofo Vitor Cousin, iniciando um romance com ela. Louise era considerada pelos amigos presunçosa e afetada, pouco espontânea, exatamente o oposto da recatada Elisa Sclesinger.

Formação acadêmica e alucinações

Inicia os estudos de direito, em Paris, para contentar o pai, porém não consegue se interessar pelas aulas, levando uma vida boêmia, gastando todo o dinheiro que o pai mandava despreocupadamente.

Após ter sido reprovado nos exames de direito na Universidade de Paris, começa a ter crises nervosas, com alucinações e perdas de consciência, que os médicos diagnosticam como histérico-epilépticos.

Seu pai o trata com sangrias e dietas, isolando-o em um sítio em Croisset, às margens do Sena. Há uma melhora das crises, que só iriam retornar no fim da vida.

Durante esse seu retiro, falece seu pai e a irmã Caroline, aos 22 anos, após dar à luz uma menina.

Ocupação da França

Entre 1870-1871, os prussianos ocupam uma parte da França, e Flaubert se refugia com sua sobrinha, Caroline, em Ruão; sua mãe morre em 6 de abril de 1872 e, nessa época, passa por dificuldades financeiras.

Em 1866, recebe a Legião de Honra do governo francês.

A obra

Em 1874, termina e publica a terceira versão de La tentation de Saint Antoine (A tentação de Santo Antônio – 1874), inspirada num quadro de mesmo nome de Bruegel. Em 1877, aos 55 anos, publica “Três Contos”, volume contendo três novelas: sua obra-prima, “Um coração simples”, a história de uma criada bondosa e ingênua, Félicité, inspirada em Julie, empregada que servira Flaubert e sua família até morrer; “A Lenda de São Julião”.

Pouco antes de sua morte, vende suas propriedades para evitar a falência do marido de sua sobrinha, e passa a viver de um salário como conservador da Biblioteca Mazarine.

Seus últimos anos são marcados por dificuldades financeiras. Morre subitamente e é sepultado no Cemitério Monumental de Ruão.

Escreveu Paixão e Virtude (1837); Memórias de um Louco (1838); Novembro (1842); Madame Bovary (1857); Salambô (1862); A Educação Sentimental (1869); A Tentação de Santo Antônio (1874), dentre outros.

franz-kafka-2É considerada uma das obras literárias mais importantes do século vinte.

O autor convida o leitor a acompanhar os sentimentos de Gregor Samsa, caixeiro viajante, surpreendido, ao acordar, com o corpo na forma de um inseto.

 

Metamofoseado

Gregor Samsa, metamorfoseado em inseto, pensa e sente como humano enquanto a sua família, diante da situação inesperada, demonstra sentimentos de repulsa e desconforto.

O surrealismo escolhido por Kafka para discutir um tema de extrema profundidade alcança objetividade clara e direta no momento que o leitor embarca no conceito filosófico da obra.

O leitor é surpreendido, logo no início do texto, ao ser informado que o protagonista foi transformado em um inseto.

Nada mais surreal para início de uma conversa! A curiosidade impera e ajuda a adentrar no espaço filosófico, sem saber onde se quer chegar.

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“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamofoseado num inseto monstruoso”.

 

Comportamento familiar

A narrativa chama a atenção para fatos que provocam alterações no comportamento das famílias, a exemplo da convergência do poder, imposição moral, alienação intelectual, ausência de liberdade, sentimento de culpa, dependência financeira, inversão de valores e outros comportamentos relacionados à convivência.

Isolado em seu quarto, excluído pela empresa e ignorado pela família, Gregor Samsa, sentiu, no corpo de um inseto, os reflexos das atitudes humanas e percebeu o incômodo da submissão social.

Surrealismo

O surrealismo foi utilizado para transgredir a sociedade valendo-se da situação extravagante, para valorizar a irracionalidade e a incoerência, com total despreocupação moral, no momento em que o protagonista se exclui da família e decide se apresentar de forma inesperada e rompendo com os valores sociais.

É algo inimaginável à época que o texto foi escrito.

Capitalismo

Além dos conflitos familiares o autor chama a atenção para a imposição do capitalismo quando o protagonista se nega a trabalhar.

O leitor percebe que se o protagonista for rotulado como vilão em vez de vítima perderá a beleza subjetiva da obra. Gregor Samsa, mostra a necessidade de mudança comportamental, na família, cuja sobrevivência dependia financeiramente dele.

Metamorfoseado, Gregor Samsa, liberta-se da pressão político-social e o que parece ser um castigo se transforma em liberdade.

Kafka surpreende e encanta pela complexidade, transforma o cotidiano em um estado surrealista e imprime perplexidade.

A obra apesar de escrita em 1912  mantém-se atualizadíssima.

Recomendadíssima a leitura!

Franz Kafka

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O escritor Franz Kafka nasceu no dia 3 de julho de 1883, em Praga e morreu, aos quarenta anos, de insuficiência cardíaca, no dia 3 de junho de 1924 em Klosterneuburg, Áustria.

Filho uma família judaica de classe média, seus pais Hermann Kafka (1852-1931) e Julie Kafka (1856-1934) eram comerciante.

A maior parte da população de Praga à época falava tcheco.

Era visível a divisão entre os que se expressavam em tcheco e alemão.

A língua era usada para fortalecer a identidade nacional.

Franz Kafka se expressava nas duas línguas, escrevia em alemão por considerar a sua língua materna.

Era o mais velho dos seis irmãos.

Georg e Heinrich, morreram antes do escritor completar sete anos e as irmãs Gabriele, Valerie e Ottilie morreram durante o holocausto, na Segunda Guerra Mundial.

Formação acadêmica

Kafka começou a estudar química, mas trocou o curso pelo de direito.

Formado em direito, fez parte, junto com outros escritores da época, da Escola de Praga. Esse movimento era basicamente uma maneira de criação artística alicerçada em uma grande atração pelo realismo, uma inclinação à metafísica, uma síntese entre a racional lucidez e um forte traço irônico.

Este estilo lhe rendeu o termo ‘kafkiano’ como algo complicado, tortuoso e surreal.

franz-kafka-e-ottilieKafka é considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.

A maior parte de sua obra, como ‘A Metamorfose’, ‘O Processo’ e ‘O Castelo’, está cheia de temas e exemplos de alienação e brutalidade física e psicológica. A burocracia, as transformações simbólicas e os conflitos familiares são marcantes na obra do escritor.

Kafka preferia comunicar-se por cartas. Além de amigos próximos escrevia para a sua noiva Felice Bauer e sua irmã mais nova, Ottla Kafka.

franz-kafka-primeira-pagina-do-manuscrito-de-kafka-de-carta-ao-paiA mais famosa das cartas escrita pelo escritor foi dirigida ao seu pai, de mais de 100 páginas, nas quais ele reclama de ser profundamente afetado pela autoridade do pais.

Publicações

Apenas algumas das obras de Kafka foram publicadas durante sua vida.

Os trabalhos inacabados de Kafka, como os romances O Processo, O Castelo e O Desaparecido, foram publicados postumamente por Max Brod.

Kafka desejou que os seus manuscritos fossem destruídos após sua morte, contudo o amigo Max decidiu publicá-los.

Incansável leitor, leu Platão, Gustave Flaubert, Fiódor Dostoiévski, Franz Grillparzez e Heinrich von Kleist.

Atividades profissionais

franz-kafka-estatua-de-bronze-de-jaroslav-rona-em-pragaDepois de formado, trabalhou em uma companhia de seguros. Nesta época começou, no tempo livre, a escrever contos.

Com a herança de Hermann Kafka, seu pai, tornou-se sócio de Karl Hermann em uma fábrica de asbesto conhecida como Prager Asbestwerke Hermann & Co.

A Primeira Guerra e a doença

Kafka recebeu sua convocação para o serviço militar na Primeira Guerra Mundial, contudo, por considerarem o seu trabalho na companhia de seguros essencial para o governo, houve adiamento.

Posteriormente foi impedido de servir devido aos problemas de saúde associados à tuberculose, diagnosticada em 1917.

No ano seguinte, 1918, o Instituto de Seguros afastou Kafka devido à sua doença. Naquela época não havia tratamento eficaz obrigando-o a passar boa parte de sua vida em sanatórios.

Vida sexual

Kafka se relacionava com mulheres de forma ativa, contudo, apesar de desejar mulheres e sexo tinha pouca autoestima. Manteve relações íntimas com várias mulheres durante sua vida.

Conheceu Felice Bauer, uma parente do amigo Brod, com a qual se correspondeu durante cinco anos.

Ficou noivo de Julie Wohryzek, mas, apesar de os dois terem alugado um apartamento e marcando uma data para o casamento a cerimônia não chegou a acontecer, possivelmente devido às crenças sionistas de Julie, que defende o direito à autodeterminação do povo judeu. Hermann, pai do escritor rechaçadas a ideia.

Depois de Julie, Kafka se relacionou com a jornalista Milena Jesenská e com a professora Dora Diamant que terminou por influenciar o interesse do escritor pelo Talmude, livro considerado pelos judeus como sagrado.

Comportamento

Apesar de pouco empenho pelo esporte na infância, interessou-se, quando adulto, por jogos e atividades físicas, tornando-se um bom ciclista, nadador e remador.

Temia que as pessoas o achassem repulsivo física e mentalmente, contudo, os mais próximos percebiam um comportamento quieto e agradável, uma inteligência óbvia e senso de humor.

Para Pérez-Álverez, Kafka sofria de transtorno de personalidade esquizoide. Esse transtorno mantinha-o distante, individual e indiferente aos relacionamentos sociais.

Outros sugeriram que ele sofreu de um distúrbio alimentar e de anorexia nervosa que pode ter o levado à depressão.

A obra

Os contos foram primeiro publicados em periódicos literários, na revista bimensal Hyperion.

Escreveu Descrição de uma luta (1904), Preparativos para um casamento no campo (1907), Contemplação (1912), O desaparecido (1912), O foguista (1912), O veredicto (1912), A metamorfose (1912), O processo (1914), Na colônia penal (1914), Carta ao pai (1919), Um médico rural (1919), O castelo (1922), Um artista da fome (1922-24), e A construção (1923).

Referência bibliográfica

a-metamorfose-1Kafka, Franz. 1883-1924
Metamorfose / Franz Kafka; tradução e posfácio Modesto Carone. – São Paulo: Companhia das Letras,1997.
96p.
ISBN 978-85-7164-685-8
1. Ficção alemã I. Carone, Modesto II. Título.
(R)

o-ano-que-nao-terminou-6A Marcha da Família com Deus pela Liberdade na qual a população brasileira resistiu à implantação do regime comunista no Brasil amparou a chegada dos militares no poder, em 1964.

Em contraponto, o Comício pelas Diretas Já, ocorrido em 16 de abril de 1984, que reuniu, em São Paulo, mais de um milhão de pessoas lutou por uma reforma constitucional que permitisse aos brasileiros escolherem, pelo voto direto, os seus representantes.

Antes do comício muitos movimentos sacudiram a vida social e política no Brasil, contudo, um ato estudantil conhecido como Passeata dos 100 Mil, no dia 26 de junho de 1968, figurou como uma das mais importantes manifestações de protesto à ditadura vigente no momento.

Os movimentos sociais e políticos ocorridos em 1968, que titula o livro de Zuenir Ventura, confunde a busca por valores.

Até os mais dedicados grupos, que se diziam engajados nas ações, tinham dificuldade de rotular suas tendências e objetivos.

A política e o comportamento social

Enquanto parte da geração queria trazer a política para o comportamento social outros grupos queriam induzir o comportamento social na política. Os movimentos culturais, sociais, éticos e morais se confundiam com as agitações políticas, dificultando, assim, o entendimento para a busca de uma unidade que pudesse fortalecer o combate à ditadura militar.

“Um neo-existencialismo não pressentido na época convencia aquela juventude a rejeitar uma secular esquizofrenia cultural que separava política e existência, arte e vida, teoria e prática, discurso e ação, pensamento e obra.”

Liberdade sexual

Enquanto se discutia os caminhos políticos para o país, temas como o uso das drogas, a liberalidade sexual e o uso de anticoncepcionais eram postos em debate, incorporando-os aos questionamentos morais que pudessem justificar as ações do regime totalitário, no poder.

Os debates sobre a chamada revolução sexual eram postos em livros, revistas, mesas de bares, festas de aniversários, encontros musicais e esquinas das pequenas e médias cidades. Debatia-se tudo e com todos sem ou com parcas experiências pessoais.

Os jovens defendiam comportamentos sobre os quais nada sabiam. Apesar de fervilhar debates em encontros culturais, festivais e nas escolas a divulgação era lenta, nada comparada às redes sociais atuais.

Rompimento com a moralidade

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Os que ouviam as pregações na defesa de um rompimento moral repicavam como verdades absolutas sem se preocuparem com as avaliações das suas consequências, fossem elas benéficas ou não.

Fora dos grandes centos os temas chegavam nos encontros sociais de forma atabalhoada deixando, de certa forma, vulneráveis os pais e educadores que não sabiam como interagir às questões.

Cultivando o medo

Opor-se ao discurso contextualizado de esquerda era considerado “careta”, até porque a esquerda política, a liberalidade sexual, a estética, a ética e a moral permeavam um só contexto.

Defendiam o que nunca tinha experimentado como forma de rebelar-se de uma couraça figurada representada pelo regime. O regime sabia disso e fazia questão de cultivar o medo.

“Contra a pílula havia resistências que iam do temor natural dos seus efeitos, não de todo conhecidos, até o preconceito que via nela um instrumento de promoção da promiscuidade.”

A falta de aceitação das diferentes manifestações políticas nos movimentos considerados como “de esquerda” criou rejeição a importantes personagens que se destacaram nos movimentos.

Manifestação cultural

Para alguns pegar em armas era a solução, outros preferiam a simbologia das manifestações nas ruas, e, existiram, ainda, os que ignoravam o poder através de expressões culturais que pudessem afrontar a moral, da época.

o-ano-que-nao-terminou-8Neste sentido, e infelizmente não só neste, a percepção da direita foi mais, digamos, dialética — como puderam comprovar a própria Leila, Caetano, Gil e outros da chamada esquerda “alienada”. Ao perseguir Leila pela sua conduta moral ou ao raspar os caracóis dos cabelos de Caetano na cadeia, logo depois do AI-5, a repressão ensinou à esquerda, que vaiara o compositor dois meses antes, que tinha uma visão mais ampla daquilo que podia não parecer, mas era também subversão.”

Tropicalismo e Bossa Nova

A culto ao psicodélico tornou-se uma busca por algo inexistente: a tentativa da descoberta de algo novo. Haviam os que optavam por uma criação poética, aparentemente desengajada.

joao-gilberto-gil-caetanoEm contraponto ao Movimento Tropicalista – ousando colocar tudo pelo avesso – veio a beleza melosa da Bossa Nova impondo outra forma de protesto: amor, paixão, harmonia e estilo tangenciando os outros acontecimentos e aguardando o país voltar à normalidade.

Agora, distante dos fatos ocorrido esta percepção tende a ficar mais clara, contudo sem afiançar que a Bossa Nova tenha sido premeditada, como expressão de cunho político a social.

Possivelmente, os tidos intelectuais cariocas que se apossaram da Bossa Nova estavam com os “sacos cheios” da situação e resolveram fumar maconha, beber whisky com gelo e Coca-Cola e imitarem a batida, no violão, do baiano João Gilberto.

Gláuber Rocha

glauber-rocha“Um dia eu estava sozinho na beira da estrada, fumando”, recorda Calmon. “Ele chegou e pediu: -deixa eu experimentar essa porra’. E sumiu.” Calmon ficou imaginando o que seria a cabeça já naturalmente delirante de um gênio como Gláuber em contato com a maconha. Que visões! que ideias! que planos! Seria certamente uma viagem inesquecível. De repente, Gláuber apareceu. Calmon deu um pulo: — E aí, Gláuber? Sublinhando cada palavra como se elas o tivessem conduzido ao nirvana, o genial criador de Deus e o diabo na terra do sol respondeu: – Bati uma punheta!! A tão esperada viagem do mais revolucionário cineasta brasileiro não o levou além do alcance da mão.”

A repressão

o-ano-que-noa-terminou-2Enquanto a considerada esquerda discutia o modelo e forma de reagir o regime militar reinventava e estabelecia seus critérios de repressão.

“Discutia-se um modelo de revolução, e como se chegar a ela. Pelo menos duas concepções se chocavam. Uma entendia a revolução como ruptura violenta, isto é, como uma explosão desencadeada por uma vanguarda que, ao ser logo substituída pela classe operária, criaria uma sociedade nova e um homem novo. Defendiam essa concepção as organizações que já se preparavam para a luta armada e os setores estudantis e culturais a elas ligados. A outra posição, defendida pelo PCB, via a revolução não como um objetivo imediato, e sim como um lento processo, que poderia até culminar com uma ruptura, desde que o resultado da gradual organização civil e da acumulação de forças. Uma boa iniciação política passava pela adoção de uma ou outra dessas linhas. Classificavam-se as pessoas como se classificam os torcedores: “fulano é revolucionário, fulano é reformista”; ou melhor: “fulano é esquerdista, porraloca”; ou, ao contrário, “partidão, conciliador”.”

Confundiam as expressões dos marginalizados políticos da classe média com revolucionários burgueses.

Até que de certa forma, por cansaço das forças armadas e redução dos apoios internacionais a abertura política ocorreu.

A história

O livro de Zuenir Ventura leva os que participaram daquele momento político a lembranças e reflexões sobre os acontecimentos além de possibilitar aos  jovens conhecer um pouco do ocorrido.

Recomendo a leitura!

Onde comprar

Capa 1968 o ano que nao terminou.indd

1968, O Ano Que Não Terminou – Livraria Saraiva

1968, O Ano Que Não Terminou – Livraria Cultura

1968, O Ano Que Não Terminou – Submarino

 

 

 

Zuenir Ventura

zuenir-ventura-1Nasceu em Além Paraíba, MG, em 01/06/1931. Jornalista e escritor é diplomado em Letras Neolatinas. Em 1956 começou a trabalhar Tribuna da Imprensa.

Certo dia, Carlos Lacerda, o diretor do jornal, pediu-lhe um texto sobre Albert Camus que lhe credenciou a ser transferido para a redação do jornal.

Em 1960 ganhou uma bolsa de estudos do governo francês para estudar no Centro de Estudos de Formação de Jornalistas.

A partir daí fez uma longa carreira na grande imprensa: Correio da Manhã, Fatos e Fotos, Diário Carioca, O Cruzeiro, Veja, Visão, Isto É, Jornal do Brasil, onde dirigiu o Caderno B Especial e criou o Caderno Ideias.

Trabalhou sempre na área editorial fazendo o que mais gosta: jornalismo cultural.

Costuma dizer que sua carreira é uma pirâmide invertida.

Depois do primeiro livro, passou de chefe a repórter e cronista.

Seu primeiro livro – 1968: o ano que não terminou (1988) – fez um balanço da época e ficou várias semanas na lista dos mais vendidos. Outros livros: Cidade partida (1994), Inveja: O mal secreto (2001), Chico Mendes: crime e castigo (2003), e As vozes do golpe (2004).