irmaos-karamazov-1Os Irmãos Karamázov é considerada, por muitos estudiosos, uma obra-prima da literatura mundial.

Trata-se do último romance escritor por Dostoiévski.

Há quem afirme que apesar das suas novecentos e noventa e nove páginas (editora 34) é uma obra inacabada.

A história tem como pano de fundo uma cidade russa e aborda os conflitos entre quatro irmãos, filhos do mesmo pai com três mulheres.

Fiódor Pavlovitch Karamázov, o pai de Dmitri, Ivan, Alieksêi e do bastardo Pável, era um homem avarento, egoísta, depravado, sem princípios éticos e morais. Adquiriu a sua fortuna através de dotes de suas esposas Adelaída e Sófia.

Conflitos

Dimitri, único filho de Karamázov com Adelaída, criado por um primo de sua mãe, requereu a sua parte na herança e desencadeou conflitos com o pai.

Em consequência da disputa, Dimitri conhece a jovem Grúchenka, amante do pai, e se apaixona por ela. Termina o noivado com a rica Catierina e resolve disputar, com o pai, o amor da amante.

Negociações

Ivan e Alieksêi, filhos de Karamázov com Sófia, sua segunda esposa, falecida prematuramente, tentaram negociar um acordo com o pai, com a intermediação do respeitado monge Zossima.

A intransigência do velho terminou por contrariar os interesses dos herdeiros.

irmaos-karamazov-3Alieksêi, que tinha uma vida simples no mosteiro e era discípulo dos ensinamentos do monge Zossima, procurou minimizar os efeitos dos conflitos que envolviam os interesses financeiros, os tumultos provocados por atitudes pessoais e os relacionamentos amorosos dos irmãos Dimitri e Ivan.

Pável, o filho bastardo de Karamázov com a demente e perambulante Lizavieta, foi parido no jardim da casa do pai. Devido à morte da mãe terminou sendo adotado pelo casal Grigori e Marfa, empregados do velho.

Devido à adoção, acabou como serviçal na casa do próprio pai e teve a oportunidade de conhecer os irmãos, analisar suas personalidades e arquitetar um crime que envolveu todos eles.

O autor caracteriza Dimitri, como um homem debochado e impulsivo; Ivan, como filósofo e intelectual questionador; Alieksêi, com elevada capacidade de percepção e exacerbada habilidade de relacionamento; e Pável, como um ser humano discreto, invejoso, dissimulado, estrategista e vingativo.

O texto se destaca pela capacidade de discorrer, de forma ficcional, assuntos familiares que contrapõem interesses pessoais capazes de abalar as relações humanas.

irmaos-kararamazov-2A história escancara de forma perversa o comportamento humano e deixa o leitor com a responsabilidade da análise e avaliação dos variados tipos de comportamentos, personalidades e crenças.

Trata-se de uma obra aberta, onde os personagens são caracterizados de forma precisa, sem perder a linguagem própria e característica do nível social e do contexto que cada um se insere, já que os irmãos Karamásov tiveram, apenas, o pai como ponto de confluência.

Devido à ausência de um ambiente familiar acolhedor, o destino proporcionou a cada um dos filhos experiências discrepantes: formação intelectual, construção da personalidade e acessibilidade social.

As diferenças retratadas em cada personagem enriquecem a trama arquitetada pelo autor e alcança o pleno objetivo.

Questionamentos

Dostoiévski nos brinda com questionamentos que incomodam o conforto mental. Expõe cada personagem ao extremo da ética e da moral: “Não existe nada mais sedutor para o homem que sua liberdade de consciência, mas tampouco existe nada mais angustiante.”

Não bastasse os vários questionamentos familiares que envolvem valores sociais e comportamentais o texto oferece provocações religiosas.

Onde comprar

Os Irmãos Karamázov – Livraria Cultura

Os Irmãos Karamázov – Livraria Saráiva

Os Irmãos Karamázov – Submarino

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

60cd6-irmc3a3oskDostoiéviski, Fiódor, 1821-1881.
Os Irmãos Karamázov / Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski;
tradução, posfácio e notas de Paulo Bezerra; desenhos de Ulysses Bôscolo. – São Paulo: Ed. 34, 2008.
Título
original: Brátya Karamázovy.
ISBN 978-85-7326-411-1.
999p.
1.Ficção russa. I. Bezerra, Paulo. II. Bôscolo, Ulysses. III. Título. IV. Série.
(R)

Um estudante, pobre, que habitava um pequeno quarto de uma pensão na cidade de São Petersburgo, na Rússia, foi o personagem escolhido por Dostoiévski para expor efeitos psicológicos, originados em conceito fictício, que classifica a humanidade em seres especiais e seres materialistas.

Pessoas especiais ou materialistas

crime-e-castigo-5Conforme o conceito, era permitido às pessoas consideradas especiais não se aterem às leis e regras definidas, considerando, para efeito, a sua posição social e intelectual.

Estas pessoas poderiam cometer crimes, sem, necessariamente, refletirem sobre o fato ou sofrerem retaliações.

Aos indivíduos tidos como materialistas cabia o cumprimento das leis e regras definidas pelos ditos seres especiais.

Napoleão Bonaparte e os crimes

Rodion Românovitch Raskólnikov, protagonista da história, se considerava um indivíduo especial e tinha Napoleão Bonaparte como a sua fonte de inspiração.

Este conceito o levou a praticar dois crimes.

A primeira vítima foi uma velha agiota, Alena Ivanovana, que se aproveitava das necessidades financeiras de pessoas carentes.

A segunda, Isabel, tornou-se vítima por ter flagrado o criminoso no momento que executava a sua irmã.

O propósito

Enquanto planejava os detalhes da ação, o criminoso entendia que matando a velha agiota estava fazendo um benefício social à humanidade.

Com tempo disponível e inteligência rebuscada, desenvolveu um plano perfeito para não deixar vestígios dos crimes.

Ao escrever a história, o autor abandona o mistério policial e foca nos dramas psicológicos vividos pelo criminoso e por outros personagens que compartilham da trama.

Entre eles há coisas, em comum, que afloram em momentos e formas distintas.

O conceito como foco

crime-e-castigo-6O protagonista, apesar de pobre, ao se classificar como uma pessoa especial, não abre mão de conceitos preestabelecidos, mesmo que esses viessem a prejudicá-lo na condenação.

O fato de sua irmã, Dúnia, ter sido prometida ao funcionário público, Piotr Pietróvitch Lújin, por interesse financeiro, deixou Rodion R. Raskólnikov irritado ao ponto de afrontar o pretendente.

O fato lhe rendeu muita dificuldade após o desenlace da relação.

Prepotência e burguesia

O pretendente de Dúnia tinha uma autoestima elevada beirando ao egocentrismo. Achava que desposar uma mulher como a irmã do protagonista, carente, nova, inexperiente, desprotegida e que tinha sido questionada socialmente, lhe assegurava total submissão e gratidão.

Outro personagem marcante é o burguês, Svidrigáilov, que se casou com a rica Marfa Pietrovna.

Ela pagou as dívidas do trapaceiro e assinou um contrato que permitia a ele sair com mulheres, desde que não repetisse a companhia.

Apesar de Svidrigáilov declarar que preferia mulheres bem jovens, manteve o casamento com Marfa e tornou-se suspeito quando da sua misteriosa morte.

Este fato, o levou a Petersburgo, com a esperança de concretizar o desejo de iniciar um relacionamento com Dúnia, cuja admiração se deu à época em que ela era empregada da sua falecida esposa.

Uma história extravagante

O texto é perturbador e a teoria da história é extravagante.

A ausência de fundamento e critério aceitos socialmente, nos remete a reflexões sobre responsabilidade em fatos, cujas definições não transparecem critérios e formas definidas.

Assim, as ações obedecem a critérios subjetivos, individualizados e fora do controle.

Tragédias, amor e reconhecimento

A história, publicada originalmente em 1866, termina com uma sequência de tragédias, instigadas pelo vazio de vidas sem sentido, cujas personagens se entregam à própria sorte.

Dostoiévski brinca com a imaginação do leitor, coloca o protagonista em situações de suspeito e colaborador nas investigações do crime.

Finda com o questionamento sobre a necessidade de busca, do homem, por relações que possibilitem aquietar a mente.

Coloca a moral religiosa como fonte de conforto espiritual, submetendo a intelectualidade a conceitos simples, expressados por uma jovem prostituta disposta a submeter-se a situações de sofrimento em busca do reconhecimento social.

Crime e Castigo é apoiado em dilemas morais aguçados por desprezo social, arrogância, prepotência, repressão, uso inadequado do poder, machismo e jogo de interesses.

Trata-se de mais uma obra prima do russo Dostoiévski.

Leitura recomendadíssima!

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

crime-e-castigo-1Dostoiévski, Fiódor, 1821 – 1881
Crime e castigo / Dostoiévski; tradução de Natália Nunes e Oscar Mendes.
– Porto Alegre, RS : L&PM, 2008.
592p:. – (L&PM Pocket : 600)
Tradução de: Prestuplenie i nakzanine
ISBN 978-85-254-1647-6
1. Ficção russa – I. Nunes, Natália. II. Título. III. Série

(R)

A novela combina o drama sentimentalista com o devaneio fantasmagórico.

Vassíli Ordínov, personagem central da trama, navega entre a realidade trivial e a paixão alucinada pela jovem Katierina, que vive um relacionamento enigmático com um velho, que a mantem insegura e dependente utilizando-se de mandingas e livros com citações escabrosas.

Ordínov avista a bela Katierina, saindo de uma igreja em companhia do velho e sente atração por ela.

Trilogia: um velho, um jovem e uma mulher

Sai à procura de um local para morar e depara-se com o misterioso relacionamento.

Resolve alugar um dos cômodos da casa onde o idoso morava com a atraente jovem e a novela impõe uma trilogia fascinante: um velho astuto, um jovem apaixonado e uma mulher insegura partilhando o mesmo ambiente incestuoso e sombrio.

A disputa por Katierina adquire um contexto filosófico, com consequências psicológicas que remete Ordínov a experiências vividas na infância e lembranças do velho camponês, Múrin, seu opositor na disputa por Katierina.

O texto é curto, intenso e melancólico.

Escrito quando o autor tinha vinte e seis anos, sinaliza o acervo conflituoso das demais obras.

Dostoiévski transfere as suas inquietações e deixa que se perceba que o passado e futuro, a exemplo da história vivida por Ordínov, é nada mais que o presente.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

A senhoriaDostoiévski, Fiódor, 1821-1881.
A senhoria: novela petersburguense / Fiódor Dostoiéviski; tradução, posfácio e notas de Fátima Bianchi; gravuras de Paulo Camillo Pena. 2. São Paulo: Ed. 34, 2006.
144 p. (Coleção Leste)
ISBN 978-85-7326-355-8
Tradução de: Khoziáik
1. Literatura russa. I. Bianchi, Fátima. II. Pen Paulo Camilo. III. Título. IV. Série.

(R)

A narrativa imprime contradições da consciência e tem como protagonista um funcionário público.

Ao descrever os diálogos entre Golyádikin e Golyádikin Segundo o texto se apresenta truncado revelando alteração da consciência do protagonista.

Para facilitar o entendimento, no início da história, o autor conduz o protagonista ao consultório do seu médico, chamando a atenção do leitor para a existência de alguma anormalidade.

Aceitação social

o-dupo-1O isolamento, provocado pelo distanciamento social, produziu sentimento de solidão, característico de pessoa que necessita ser aceita como parte de uma sociedade que não a vê de forma igualitária.

Golyádikin tentava, a todo custo, ser aceito em determinada classe social de uma Rússia Czarista, e, por não conseguir, terminou por criar o seu duplo como forma de projetar as suas expectativas.

A alucinação imprimiu diálogos desconexos e desencontrados em relação aos fatos e provocou situações vexatórias.

Sem ser convidado, o alucinado adentrou na casa do chefe, durante uma festa, e terminou sendo convidado a se retirar.

Delírio quimérico

o-duplo-2“O senhor Golyádikin reconhecera por completo seu amigo noturno. O amigo noturno era ele mesmo – o próprio senhor Golyádikin, outro senhor Golyádikin, mas absolutamente igual a ele, era, em suma, aquilo que se chama o seu duplo, em todos os sentidos…”

“(…) até o próprio senhor Golyádikin estaria disposto a considerar tudo isso um delírio quimérico, uma fugaz perturbação mental, um eclipse da mente (…)”

O duplo escreveu ao senhor Golyádikin referindo-se a elevação da autoestima, já que quem falava era o próprio Golyádikin.

“Se te esqueceres de mim não me esquecerei de ti; tudo é possível na vida, não te esqueças tu de mim!”

Um homem dialoga com ele mesmo, o seu duplo, e mostra o quanto o isolamento social traz consequências para a sua vida.

Idealiza uma aventura com a filha do chefe, imaginado que ela quer fugir com ele, e se coloca à disposição deste interesse fictício.

Enquanto projeta o encontro decide impor uma moral descabida.

O texto, rico pela textura da linguagem, foca em conflitos mentais provocados pela exclusão social.

Recomendo a leitura!

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

Dostoiévski, Fiódor, 1821-1881.
O duplo: poema petersburguense / Fiódor Dostoiéviski; tradução, posfácio e notas de Paulo Bezerra; desenhos de Alfred Kubin. Texto sobre Kubin de Samuel Titan Jr. 2. São Paulo: Ed. 34, 2011.
256 p. (Coleção Leste)
ISBN 978-85-7326-472-2
Tradução de Dvoinik
1. Literatura russa. I. Bezerra, Paulo. II. Kubin, Alfred. Título. III. Titan Jr., Samuel. IV. Título. V. Série.
(R)

o-eterno-marido-1O desconfiado, hipocondríaco e lamuriento Vieltchâninov padecia de insônia e tinha sonhos estranhos.

Ocupava-se na busca de uma solução para a conclusão de um processo que lhe daria a posse de uma propriedade.

Deparou-se, em várias oportunidades, com Páviel Pávlovitch Trussótzki e percebeu que havia muita coincidência nos encontros, contudo, não se lembrava de onde o conhecia.

Certa feita, Páviel vai à casa de Vieltchâninov e se identifica como viúvo de Natália Vassílievna e o informa da existência de Lisa, filha de Natália.

Tudo teria sido natural se, no passado, não tivesse havido um relacionamento amoroso entre Vieltchâninov e a atraente e dominadora Natália Vassílievna.

A revelação

Dez dias após conhecer Vieltchâninov a garota morre, e, só após sua morte, Páviel revela a Vieltchâninov que Lisa era sua filha.

A revelação causou enorme descontentamento, não só devido ao fato de não ter convivido com a filha, mas, também, por perceber que a atitude de Páviel demonstrava vingança por ter sido traído.

Páviel tenta um relacionamento com Nadiejda e pede a Vieltchâninov que o acompanhe à casa da pretendente para formalizar o compromisso.

O pedido

Logo, são surpreendidos com o pedido do jovem, Alexander Lobov, para “limpar o campo” já que a Nadiejda era sua amada.

Páviel se nega a desistir de Nadiejda e ouve do jovem:

“O senhor é como um cachorro sobre um monte de feno; não aproveita e não deixa que os outros aproveitem”.

O amor como prioridade

Dostoiévski insere o amor nas relações pessoais em uma época que os matrimônios eram regidos por interesses familiares e patrimoniais.

Fala do desejo sexual sem prudência com a moral, exigida à época, e indaga a possibilidade da união entre pessoas capazes de suportar a traição dos parceiros resistindo às características desse padrão de relacionamento.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

Dostoiévski, Fiódor, 1821-1881.
O eterno marido / Fiódor Dostoiéviski; tradução, posfácio e notas de Boris Schnaiderman. 2. São Paulo: Ed. 34, 2003.
116 p. (Coleção Leste)
ISBN 978-85-7326-283-4

(R)

Ao falar a respeito do livro Recordações da Casa dos Mortos convém comentar o ocorrido com o autor, antes da experiência que teve como presidiário.

Conceito imaginário

A Europa enfrentava conflitos sociais. Vivia um sonho libertário e o socialismo aparecia como alternativa utópica, para acabar com o feudalismo existente na Rússia.

Ainda jovem, Dostoiévski, envolveu-se na conspiração do revolucionário Mikhael Petrachévski, que tinha como propósito assassinar o Czar Nicolau I.

Apesar de negar o seu envolvimento, o autor foi preso em 1849 e condenado a morte.

Com vinte graus abaixo de zero, vestindo uma túnica mortuária, o condenado foi amarrado em poste na Praça Semionovski e experimentou a desagradável sensação que antecede uma execução: padres, fuzis, tambores, etc

A Sibéria como alternativa

Depois do completo ritual, lhe foi revelado que a punição inicial havia sido substituída por prisão e trabalhos forçados na Sibéria.

No presídio, o protagonista, considerado nobre, convive com criminosos comuns e vivencia, possivelmente, a maior e mais inesquecível experiência de sua vida.

Rejeitado por uns e cortejado por outros, passa quatro anos sofrendo com o frio, precárias instalações, deficiente alimentação e com o tormento de nunca poder ficar sozinho.

Os detentos eram retraídos, desconfiados, invejosos, valentões e extremamente insensíveis.

Psicologia criminal

As observações do autor a respeito do comportamento humano em situações de culpa enriquecem a obra e remete o leitor à análise de modelos de punições, aparentemente corretivos, mas, que pra nada servem.

“Não resta dúvida de que o tão gabado regime de penitenciária oferece resultados falsos, meramente aparentes. Esgota a capacidade humana, desfibra a alma, avilta, caleja e só oficiosamente faz do detento “remido” um modelo de sistemas regeneradores.”

Momentos do bem e do mal, do crime e da culpa

recordacoes-da-casa-dos-mortos-2Procura uma resposta para a prática do crime, independente da classe social que o homem está inserido, e, se não bastasse, analisa a si próprio.

“Mas o tempo fluía e dei em me habituar gradativamente. À medida que os dias passavam, as realidades cotidianas iam me irritando menos. Os meus olhos, por assim dizer, se iam habituando aos acontecimentos, ao ambiente e aos homens.”

A esperança e as estações do ano

“Quando o sol brilha, a gente pensava na liberdade muito mais intensamente do que nos dias cinzentos do outono e nas horas opacas do inverno.”

Crítica à barbárie

trabalho-forcado-1Além das observações sobre os criminosos, o texto critica as atrocidades praticadas pelas autoridades do presídio.

O trabalho forçado, sob condições desumanas, o uso dos grilhões, mesmo nos doentes prestes a morrer, e os castigos exagerados tomam lugar de destaque, a exemplo do relato de um açoitado.


“É, atroz, dá a impressão de fogo aplicado demoradamente na pele. Assa as costas como uma grelha.”

Barreiras do intelecto

A narrativa revela as dificuldades nas relações entre pessoas de diferentes classes sociais e insere o protagonista no contexto, ao procurar refúgio no hospital, simulando doença, simplesmente para escapar do convívio indesejado.

O texto é um marco histórico na literatura mundial, até porque, segundo se comenta, iniciou a melhor fase do autor.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

recordacoes-da-casa-dos-mortos-1Dostoiéviski, Fiódor, 1821-1881.
Recordações da casa dos mortos / Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski;
tradução de José Geraldo Vieira. – São Paulo: Martin Claret, 2006.
Título original: Zapiski iz mertvogo doma.
ISBN 85-7232-7’6-9.
308p.
1.Romance russo I. Título.
(R)

Escrito no contexto histórico da Rússia Czarista, sob o comando de Alexandre II, cujo governo antiliberal defendia privilégios da aristocracia, o autor, que viveu o regime e suas consequências, escolheu uma linguagem simbólica para satirizar a burocracia russa, lhe atribuindo uma crítica impiedosa, contrastando com a concepção do modelo capitalista.

Aristocracia e capitalismo

Dostoiévski elege uma sofisticada galeria em São Petersburgo, um funcionário público, um imigrante alemão e seu crocodilo para simbolizar a aristocracia, a burocracia governamental, e o regime capitalista, sem se descuidar das críticas e opiniões do narrador, Siemión Siemiônitch, que se inclui na história intrometendo-se nos diálogos, registrando situações, valores, conceitos e interesses dos personagens que giram em torno do protagonista.

Engolido pelo capitalismo

o-crocodilo-3Em companhia da esposa e do narrador, em rápida passagem pela galeria onde o crocodilo estava sendo exposto à visitação, o funcionário público Ivan Matviéitch é engolido inteiro pelo réptil.

Daí em diante os conflitos de interesse do protagonista e dos que o cercam são contados na forma metafórica, a exemplo do que ocorreu no livro Metamorfose, escrito por Franz Kafka.

Ivan, na barriga do crocodilo, preocupa-se com as opiniões dos seus superiores, enquanto o seu experiente amigo, Timofiéi Siemiônitch, avalia a necessidade do seu sacrifício para estimular os investimentos estrangeiros e beneficiar a pátria.

O dono do animal, por sua vez, percebeu uma grande oportunidade de lucro.

Afinal, ao engolir o russo e mantê-lo vivo, o crocodilo majorou o seu valor de mercado, além de aumentar as receitas devido ao crescente número de visitantes na galeria.

Oportunidade e poder

Enquanto o proprietário do animal vislumbrava sucesso financeiro, o protagonista percebeu uma oportunidade de se tronar famoso e exercer cargos importantes na estrutura governamental, tão logo deixasse aquela situação.

Ele diz: “(…) sou exposto perante todos e, ainda que escondido, estou em primeiro lugar. Passarei a instruir a multidão ociosa. Ensinando pela experiência, apresentarei com a minha pessoa um exemplo de grandeza e espírito conformado perante o destino! Serei, por assim dizer, uma cátedra da qual hei de instruir a humanidade. São preciosas mesmo as informações sobre o mostro por mim habitado. E, por isto, não só não maldigo o caso que me aconteceu, mas tenho até sólidas esperanças na mais brilhante das carreiras.”

Relação metafórica com os fluxos capitalistas

o-crocodilo-4“Deste modo, alimentando o crocodilo com a minha pessoa, eu recebo dele também alimento; depreende-se, pois, que nos alimentamos mutuamente.”

Ivan, na qualidade de funcionário público burocrata, avalia-se no sistema capitalista, aqui representado pelo crocodilo, e conclui sobre a dificuldade de ser aceito.

Refere-se, no sentido figurado, à inexistência de estômago no animal como intolerância do sistema a custos que oneram os processos produtivos.

“Mas, considerando que, mesmo para um crocodilo, é difícil digerir uma pessoa como eu, ele deve sentir, nessa ocasião, certo peso no estômago – estômago que ele, diga-se de passagem, não tem -, e eis a razão por que, preocupado em não causar uma dor supérflua ao mostro, eu raramente me viro.”

A narrativa apresenta um importante relato político com ênfase nos anseios sociais voltados para alterações estruturais, sem se descuidar da insegurança trazida por mudança de paradigma.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referências bibliográficas

Dostoiévski, Fiódor, 1821-1881
O crocodilo e Notas de Inverno sobre impressões de verão / Fiódor Dostoiévski; tradução de Boris Schnaiderman – São Paulo: Ed. 34, 2000.
168 p. (coleção LESTE)
ISBN 85-7326-186-2
Tradução de Crocodil / Zímnie Zamiétki o Létnikh Vpietchatlêniakh
1.Literatura russa. I. Schnaiderman, Boris. II. Título. III. Série.
(R)

O envolvimento de Alexei Ivanovich, um prospector encarregado da educação dos filhos de um general, que vive em companhia da enteada Paulina Alexandrovna como hospede em um hotel, serve como enredo para retratar os efeitos maléficos do vício do jogo.

Paulina era usada pelo general para flertar com pessoas responsáveis por financiar a sua dívida, que tinha como garantia os bens da vovó Antônia Vassilievna, cuja morte era aguardada pelo general e seus credores.

A proximidade de Alexei terminou em amor platônico e o fez querer compreender o que havia, sob sigilo, nos relacionamentos entre Paulina e outros personagens da história.

Busca pelo reconhecimento

cassino-4A admiração por Paulina não tinha limite, jurava devoção e se submetia a todas as exigências para que seus valores fossem reconhecidos por ela.

Quanto mais Alexei tentava se aproximar de Paulina ela dissimulava, estimulando o ciúme.

Alexei encontrou, na roleta, uma alternativa para ajudar a amada se desvencilhar do general, tornando-se, a mando de Paulina, um jogador.

Apesar de se transformar em um grande ganhador e conquistar, momentaneamente, o reconhecimento dos frequentadores do cassino, de nada lhe serviu.

Enquanto a história amorosa se desenrola, o general continua prisioneiro das mordaças financeiras impostas pelos agiotas Astley e Grieux.

O inesperado

Quando tudo parecia caminhar para um desfecho confortável, o grupo foi surpreendido com a chegada da vovó Antônia Vassilievna, ao hotel, que terminou criando um rebuliço com suas extravagâncias, dando curso contrário ao esperado.

Alexei que se encontrava desprestigiado pelo general, obteve apoio da vovó e passou a acompanhá-la em muitas investidas no jogo.

A preocupação com a quebradeira da excêntrica senhora, devido ao jogo, passou a não ser só do general, mas, também, dos que esperavam receber a dívida através do seu patrimônio que começava a ser desperdiçado no cassino.

Alexei de relegado passou a estratégico para o grupo, por entenderem que só ele seria capaz de fazê-la parar de jogar, o que, efetivamente, não ocorreu.

A velha terminou deixando grande parte de sua fortuna nas roletas.

Antônia Vassilievna retornou pra casa, no intuito de cuidar do que ainda restava do patrimônio, enquanto Alexei decidiu investir pesado na jogatina e terminou ganhando muito dinheiro.

Vigarice à francesa

O acontecimento chamou a atenção da Mademoiselle Blanche, uma vigarista francesa, que andava enrabichada com o general.

Mudou-se, com Blanche, para Paris e em poucos meses a trapaceira tomou-lhe a maior parte do dinheiro.

Preso, por dívida, Alexei teve sua fiança paga sem sabe por quem.

Após sua soltura encontrou-se com Astley, que lhe revelou a localização de Paulina.

Enquanto isto, a vigarista Blanche abrigou o general caduco em um apartamento decorado com o dinheiro de Alexei.

Emoções e os efeitos danosos do jogo

Ele, que era um jogador compulsivo, conseguiu revelar os danos e a angústia de tentar superar a falta de lógica a cada giro de um círculo numerado chamado roleta.

Até hoje, o jogo inventado pelo francês Louis Blanc, cria danos à maioria dos jogadores e enriquece proprietários de cassinos em todo mundo.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

Dostoiéviski, Fiódor, 1821-1881.
O jogador / Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski;
tradução de Roberto Gomes. – Porto Alegre: L&PM, 2009.
208p. ; 18cm. – (Coleção L&PM Pocket)
1.Ficção russa-romances. I. Título. II. Série.

(R)

Três cavalheiros reunidos na casa do conselheiro Stepán Nikíforovitch Nikíforov dialogavam, tarde da noite, até que o jovem general russo Iván Ilítch Pralínskii expressou suas opiniões de cunho social.

Linguagem transformadora

“Está mais do que na hora! Já nos retardamos demais, e, a meu ver, humanidade é a primeira condição; humanidade no modo de tratar os subalternos, pois não se deve esquecer que são homens como nós! A humanidade será a salvação universal e porá tudo nos trilhos…” 

Os demais cavalheiros discordaram das ideias renovadoras do jovem general e, apesar de mantida a cortesia, a discussão gerou desconforto.

Iván acompanhado por Semión Ivánovitch Chipuliénko deixaram a casa do anfitrião e perceberam que o cocheiro, Trifón, havia saído com o trenó.

Decidiu ir andando até a sua residência.

No percurso, percebeu movimentação festiva em uma das casas e foi informado que se tratava da comemoração do casamento de um dos seus funcionários.

Decidiu entrar e pôr em prática suas ideias socialistas humanitárias, defendidas, minutos antes, na casa do conselheiro Stepán.

Preocupado de como seria recebido pelo noivo Porfírii Petróvitch Pseudonimov, preparou-se para evitar convencionalismo, contudo, a sua presença, no primeiro momento, terminou causando inquietação dos presentes.

Conflitos nas relações

Procurava se portar de forma a não criar embaraços aos convidados, e, ao mesmo tempo, censurava as pessoas que estimuladas pelo álcool o tratavam de forma indiferente.

Sem opção para uma saída honrosa perdeu o controle e terminou se embebedando, condição que levou o ilustre intruso a desmaiar.

Diante da condição foi levado a ocupar a cama do casal, que havia sido preparada para a noite de núpcias.

Não bastasse a apropriação da alcova, Iván Ilítch Pralínskii, teve que ser amparado durante a madrugada pela generosa mãe do noivo, que ficou com a incumbência de transitar com um penico, pelos corredores da casa, devido a um incontrolável desarranjo intestinal do jovem general.

Após o ocorrido, Ivan ficou recolhido em sua residência por oito longos dias e, após esse período, retornou ao trabalho, envergonhado, sem saber como se posicionar perante os seus subordinados.

Sentado em uma cadeira exclamou: “Não suportei!”

O autor nos remete à seguinte reflexão: algumas vezes, os valores intrínsecos na consciência terminam por trair princípios sociais defendidos por uma visão humanista e promove um conflituoso sofrimento mental.

A pequena “História Lamentável” contada por Fiódor Dostoiévski é divertida e traz ponderações importantes para o comportamento e senso crítico de que os analisa.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

uma-historia-lamentavel-1Dostoiévski, Fiodor, 1821-1881.
Uma história lamentável / Dostoiéviski; tradução de Gulnara Lobato de Morais Pereira.
2. ed. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
(Coleção Leitura)
101p.
ISBN 85-219-0225-5
1. Contos russos. I. Título. II. Série.
(R)

A solidão de pessoas que habitam grandes cidades cria a necessidade de se construir relacionamentos fortes e duradouros.

Valores da vida e as nossas escolhas

noites-brancas-4E as pessoas abanam a cabeça e murmuram: Como os anos passam depressa!

E perguntam ainda: Que fizeste durante esse tempo? Chegaste realmente a viver ou não?

Olha, dizemos para nós mesmos, repara que frio faz neste mundo.

Basta que passem mais uns anos para que chegue a espantosa solidão, a trêmula velhice que traz consigo a tristeza e a dor.

O teu mundo fantástico há de perder então as suas cores, murcharão e morrerão os teus sonhos, e, como as folhas amarelas que tombam das árvores, também eles se desprenderão de ti…”

O sonhador, protagonista da história, manifesta que as imposições da vida não podem ser ignoradas, apesar de seguir contemplando a possibilidade de viver experiências em uma atmosfera fantasiosa de devaneios.

História fantasiosa

noites-brancas-2Em uma das noites brancas de São Petersburgo o tímido sonhador conheceu Nástienhka, jovem, ingênua e também sonhadora, que derramava lágrimas apoiada em uma balaustrada, à espera de um prometido amor.

Durante quatro noites brancas os dois se encontram e trocaram confidências, até que ele, o sonhador, resolve expor seu encantamento pela jovem, que tinha uma vida restrita a satisfazer os caprichos da avó.

O diálogo é meloso, digno de jovens apaixonados que sonham por um mundo romântico.

Os encontros se resumem a experimentar a satisfação da proximidade, do diálogo e do toque, beirando ao amor platônico.

O personagem romântico constrói, juntamente com Nástienhka, uma atmosfera fantasiosa, capitaneada pelos desejos de um mundo fictício, criado por sonhos, que termina norteando um diálogo sentimentalista.

Existência objetiva

noites-brancas-1De volta à realidade, o sonhador, se vê desiludido em um quarto escuro e sujo.

“Talvez a culpa de tudo isso fosse aquele raio de sol que de súbito surgiu por entre as nuvens, para logo depois voltar a esconder-se por detrás de outra ainda mais escura, que anunciava chuva, de tal maneira que todas as coisas se tornaram ainda mais lúgubres e mais sombrias…”

O autor vale-se das noites brancas de São Petersburgo para estabelecer relação e perspectiva que prevê dias sombrios e sem sonhos.

Apesar da dúvida em relação a novos momentos de felicidade o personagem conclui que os vividos com Nástienhka foram verdadeiros e induz o leitor a acreditar que a felicidade não é eterna.

O título da obra Noites Brancas, se refere a um fenômeno comum na Europa que, mesmo à noite, o sol não se põe completamente.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

dostoevskij_1872

Nasceu em Moscou, Rússia, no dia 11 de novembro de 1821. Foi o segundo filho do casal Mikhail Dostoiévski e Maria Fiodorovna.

Sua mãe morreu, de tuberculose, quando Dostoiévski tinha 15anos, deixando ele e seis irmãos em companhia do pai. Motivados pela depressão e ao alcoolismo do pai, ele e um dos irmãos foram para a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo.

Existem registros que afirmam que Mikhail foi assassinado por seus servos revoltados com os maus tratos. Outros asseguram que a morte se deu em consequência de um acidente vasculhar.

Fiódor Dostoiévski desejou a morte do pai, por não concordar com o seu jeito autoritário e este fato terminou causando sentimento de culpa e exercendo influência na sua obra.

Morreu em São Petersburgo no dia 9 de fevereiro de 1881, aos 59 anos.

Formação acadêmica

Fiódor Dostoiévski concluiu seus estudos de engenharia em 1843 e obteve a patente de tenente militar. Aprendeu física, matemática e literatura. Estudou as obras do alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, dos franceses Blaise Pascal e Victor Hugo, e do inglês William Shakespeare.

O escritor francês Honoré de Balzac visitou Dostoiévski em São Petersburgo, em 1844, e a visita resultou em uma tradução o primeiro grande romance de Balzac. Com o dinheiro recebido pelo trabalho quitou uma dívida que tinha com um agiota e despertou a sua vocação pela literatura. Fez outras traduções dentre as quais romances de George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin) considerada uma das maiores escritoras memorialista francesa e precursoras do feminismo.

Início da obra literária

Em 1844, Dostoiévski deixou o exército e dedicou-se exclusivamente à escrita, iniciando o romance epistolar (na forma de carta) ‘Gente Pobre’, que recebeu elogios de influente crítico literário russo, que o considerou uma obra realista com importante visão social. O livro foi publicado em 1846, quando o autor possuía, apenas, 24 anos.

Ainda em 1846 surge o segundo romance titulado ‘O Duplo’ cujo protagonista se apresenta com dupla personalidade. Possivelmente, fruto das perturbações sofridas por Dostoiévski que forma confundidas, na época, como crises epilépticas. Há quem afirme que o escritor sofria de crise histérica. O escritor inclui a epilepsia nas histórias dos seus personagens, como o príncipe Míchkin (“O Idiota”), Kiríllov (“Os Demônios”) e Smerdiákov (“Os Irmãos Karamázov”).

Dostoiévski sofre um revés da crítica ao escrever, em 1848, ‘Noites Brancas’ e ‘Niétochka Nezvánova’. Essas obras enfatizaram o comportamento psicológico dos personagens.

O escritor volta a surpreender quando do seu retorno da Sibéria, onde estava preso, com o livro ‘Recordações da Casa dos Mortos’, publicado em 1862. O respeitado escritor Levi Tostói fez excelentes elogios à obra.

‘Crime e Castigo’, publicado em 1866 e o seu último romance ‘Os Irmãos Karamazov’, publicado em 1881, consagram o escritor com um dos mais influentes da Rússia. O último romance foi considerado pelo criador da psicanálise Sigismund Schlomo Freud como o romance mais bem escrito.

Foco nos conflitos mentais

Por ser uma obra atemporal, muito do modernismo literário e da escola teológica e psicológica sofreu influência da obra do autor. Versa sobre aspectos do estado de espírito que leva ao homicídio, ao suicídio, à loucura, ao sofrimento e por que não dizer à autodestruição.

Neste contexto a obra que recebe os nomes de ‘Memórias do Subsolo”, publicada em 1864, é vista como um marco existencialista. Segundo o filósofo alemão Walter Arnold Kaufmann trata-se da “melhor proposta para o existencialismo já escrita”.

Expatriação na Sibéria

prisao-russa-1Por participar de reuniões do grupo intelectual Círculo Petrashevski e ter lido em público uma carta aberta do escritor e filósofo russo Vissarion Grigorievich Bielinsk dirigida ao escritor, também russo, Nikolai Gogol criticando-o por suas visões políticas e sociais conservadoras, Dostoiévski foi acusado de conspirar contra o imperador Nicolau I da Rússia e Grão-Duque da Finlândia. O Círculo Petrashevski se dedicava a debater as condições de vida na Rússia.

Em 23 de abril de 1849, o escritor foi preso juntamente com outros membros do Círculo Petrashevski. Passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, houve a sentença de morte por fuzilamento.

Em 23 de dezembro, o escritor foi levado ao lugar da execução juntamente com outros membros do grupo e amarrados aos postes em frente ao pelotão. Antes da execução por fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse substituída por prisão com trabalhos forçados e exílio, na Sibéria.

Após a prisão, Dostoiévski começou a contemplar a vida como um dom extraordinário, ao contrário do determinismo e do pensamento materialista. Valorando a responsabilidade individual, a integridade física e mental além da liberdade.

Na prisão, o escritor observa que mesmo em um ambiente completamente inóspito as diferenças sociais existiam.

A soltura de Dostoiévski ocorreu em 1854 condicionada à prestação de serviço no Sétimo Batalhão, por quatro anos, na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão, além de tornar-se soldado por tempo indefinido.

Casamentos, jogos e dívidas

cassino-4Dostoiévski casou-se em fevereiro de 1857 com Maria Dmitriévna Issáieva, mulher pela qual ele havia se apaixonado quando esposa de um conhecido. Com a morte do marido de Maria a união pode ser concretizada. Ela possuía um filho de oito anos e sofria de tuberculose.

Entre 1862 e 1863, viajou a Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante o período das viagens se relacionou com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas. Retornou a Rússia sem recursos por ter perdido todo dinheiro em jogos de azar.

Desanimado pela morte de sua esposa e do irmão, teve que sustentar a viúva do irmão e seus quatro filhos, além do enteado Pável Issáiev e o irmão, alcoólatra, Nikolai.

Conheceu a jovem estenógrafa de vinte e quatro anos, Anna Grigórievna Snítkina, e terminou se casando 15 de fevereiro de 1867.

Herança literária e reconhecimento

Dostoiéviski ao lado de Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo são tidos como escritores que influenciaram sobremaneira a literatura do século XX. Particularmente, Dostoiévski influenciou as obras dos escritores Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez.

A obra

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévskié é autor dos romances Gente Pobre (1846), O Duplo (1846), Noites Brancas (1848), Netochka Nezvanova (1849), O Sonho do Tio (1859), Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes (1859), Humilhados e Ofendidos (1861), Recordações da Casa dos Mortos (1862), Memórias do Subsolo (1864), Crime e Castigo (1866), O Jogador (1867), O Idiota (1869), O Eterno Marido (1870), Os Demônios (1872), O Adolescente (1875) e Os Irmãos Karamazov (1881).

Escreveu as novelas e os contos Senhor Prokhartchin (1846), Romance em Nove Cartas (1847), A Senhoria (1847), Polzunkov (1848), Coração Fraco (1848), O Ladrão Honesto (1848), Uma Árvore de Natal e uma Boda (1848), O Homem Debaixo da Cama (1848), Noites Brancas (1848), O Pequeno Herói (1849), Uma História Lamentável (1862), O Crocodilo (1865), Bóbok (1873), Uma Criatura Gentil (1876), O Mujique Marei (1876), e O Sonho de um Homem Ridículo (1877).

Referência bibliográfica

Dostoiévski, Fiódor, 1821 – 1881
Noites brancas / Fiódor Dostoiévski; tradução de Natália Nunes.
– Porto Alegre, RS : L&PM, 2009.
96p:. – (L&PM Pocket Plus: 682)
Título original: Belye noci
ISBN 978-85-254-1748-0
1. Ficção russa – I. Nunes, Natália. II. Título. III. Série
(R)