o-silencio-dass-montanhas-1A fábula contada pelo pai dos órfãos Abdullah e Pari tem a aldeia de Maidan Sabz como cenário da vida de devs, jinis e gigantes que perambulavam por terras de um fazendeiro chamado Baba Ayub.

Um dev submete um pai a escolher um dos filhos para entrega-lo em troca da sobrevivência.

A decisão da escolha acarretou sofrimentos, perdas, benefícios e recompensas.

Ao passar do tempo, a fábula se transforma em realidade e o pai de Abdullah e Pari é submetido a conflitos por ceder a filha em troca de recompensa financeira.

A decisão acarretou consequências imprevisíveis e irreparáveis na vida dos irmãos.

Homossexualidade e adoção

O patrão do motorista, Nabi, casa-se com a poeta Nila Wahdati que descobre o interesse do marido, homossexual, por ele.

Nila desperta a admiração de Nabi e, ao conhecer a sua história, o convence a leva-la à aldeia onde morava o pai de Pari.

Convencido por Nila, o pai da garota abdica-se da filha em troca de recompensa financeira.

Cabul e Paris

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Consumado o fato, Nila e Pari vão morar em Paris e deixa o marido, moribundo, aos cuidados do motorista, em Cabul.

Nila, filha de um afegão com uma francesa, embarca no mundo da intelectualidade e experimenta um relacionamento que interfere no convívio com a garota.

 

Realidade sociopolítica

A história contada em vários cenários e por diversos personagens culmina com a morte de Nila e termina por revelar a verdadeira origem de Pari.

De volta ao Afeganistão, a já adulta Pari, reencontra o irão e toma consciência das perdas acarretadas pela realidade sociopolítica do país e das consequências desastrosas do fato.

Perda da autoestima

Fora do tema central que move a narrativa, outros fatos são contextualizados referentes às perdas e dificuldades para recuperação da autoestima.

“Muitos anos depois, quando comecei a estudar para ser cirurgião plástico, entendi uma coisa que não sabia naquele dia na cozinha, enquanto argumentava para que Thalia saísse de Tinos e fosse para o internato. Aprendi que o mundo não via o seu interior, não se importava com as esperanças, os sonhos e as tristezas que pudessem existir sob a pele e os ossos. Era simples assim, absurdo e cruel. Meus pacientes sabiam disso. Percebiam que muito do que eram, do que seriam ou poderiam ser girava em torno da simetria de suas estruturas ósseas, do espaço entre os olhos, do tamanho do queixo, da projeção da ponta do nariz, se tinham ou não o melhor ângulo frontal. A beleza é uma dádiva imensa e imerecida, distribuída aleatória e estupidamente.”

“Minha proposta para Thalia continua valendo até hoje. Sei que ela não vai aceitar. Mas agora eu entendo. Porque ela tem razão, isso é quem ela é. Não posso pretender saber como deve ter sido olhar para aquele rosto no espelho todos os dias, fazer um levantamento da horrível ruína, reunir vontade para aceitar. A força gigantesca necessária, o esforço, a paciência. A aceitação tomando forma lentamente, ao longo dos anos, como rochas num penhasco na beira do mar, esculpidas pelas ondas que batem. Foram minutos para o cachorro dar a Thalia aquele rosto, e toda uma vida para transformá-lo numa identidade. Ela não me deixaria desfazer tudo isso com meu bisturi. Seria como infligir um novo ferimento sobre o antigo.”

Busca por mudanças

O que move as pessoas na busca por mudanças não é o que querem, mas, o que não querem, afirma o autor.

“— É uma coisa engraçada, Markos, mas normalmente as pessoas veem a coisa ao contrário. Elas pensam que vivemos pelo que queremos. Mas o que as conduz é o que elas temem. O que elas não querem.”

Em várias oportunidades e por motivos diversos o ser humano é submetido a situações parecidas com a da fábula.

Mães e pais, obrigados ou por opção, se afastam dos filhos e os afastam dos irmãos.

As consequências são as mais diversas e, certamente, cada um de nós já ouviu contar situações parecidas.

O Silêncio das Montanhas é rico no campo das relações humanas e impõe escolhas e decisões, que interferem na vida e bem-estar das pessoas.

Não bastasse a importância do tema, o autor usa uma narrativa que mantem o leitor zelado.

Khaled Hosseini

khaled-hosseini-2É médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense. Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão.

Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai.

Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder.

Escreveu Caçador de Pipas, A Cidade do Sol e O Silêncio das Montanhas.

Referência bibliográfica

O silêncio das montanhasO Silêncio das Montanhas: romance / Khaled Hosseini. – São Paulo: Editora Globo S.A., 2013.
ISBN: 9780986939754.
Título original: And the montains echoed.
Tradução: Claudio Carina.
Apresentação: Livro digital.

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Um garoto rico, egoísta, covarde e ciumento, nascido no Afeganistão, arranja um amigo fiel que lhe serve de companheiro e se faz presente nas horas mais difíceis.

A covardia e insegurança, de Amir, certamente provocada pela ausência do bem sucedido pai e da falta da mãe, que não chegou a conhecer, estimulavam a agressividade praticada por outros garotos que viviam em Cabul.

Estratificação social

cacador-de-pipas-3Quando Amir era agredido Hassan, que figurava como seu empregado, se colocava em defesa e os garotos, apesar de próximos, tiveram experiências e sentimentos muito e singulares.

Enquanto Amir demonstrava fragilidade, apesar de compartilhar da respeitada casta pashtun, Hassan tinha motivos, de sobra, para se sentir inseguro por pertencer à etnia hazara, discriminada no Afeganistão.

Hassan passou por algumas situações humilhantes devido ao excesso de dedicação à Amir, principalmente, quando se opunha às provocações do grupo liderado pelo garoto Assef, o qual alimentava ódio pelos hazaras.

Guerra e migração

guerra-no-afeganistao-1Apesar de filhos do mesmo pai, com mães diferentes, Amir tentava entender as suas maldades e Hassan atuava com vigor e desembaraço em defesa do irmão, até que problemas políticos, ocorridos no Afeganistão, separaram os dois personagens.

O rico migrou para os Estados Unidos e o pobre permaneceu em Cabul entregue às mazelas de um país invadido por forças russas e também submetido ao fundamentalismo religioso do talibã.

Nos Estados Unidos, anos depois de casar-se com a compreensiva Soraya, o médico Amir recebeu um telefonema de Rahim Khan, amigo do seu falecido pai, que se encontrava doente no Paquistão.

Decidiu partir ao seu encontro e de lá para o Afeganistão, após tomar conhecimento da tragédia sucedida com Hassan e tentar entender parte sua própria história.

Lá chegando, após as dificuldades encontradas no trajeto, encontrou um país destruído e quase não consegue reconhecê-lo.

Inércia em vez ação

cacador-de-pipas-1Agredido e perseguido por ter abandonado o país, após ser informado por Rahim que Hassan era seu irmão, imagina poder corrigir erros do passado, a exemplo do ocorrido com a traição feita no dia do campeonato de pipas, quando Hassan foi estuprado por Assef e ele se omitiu.

O romance possuir ingredientes que atrai o leitor, sublimando aspectos da personalidade humana e distorce à identificação cultural norte-americana, como uma das raras oportunidades para o alcance da felicidade.

O livro fala da invasão russa, do regime talibã, mas, omite o envolvimento político dos Estados Unidos na região.

Independente da tendência política e cultural a narrativa traz reflexões sobre os conflitos da psique.

Neste aspecto, atinge o objetivo.

Khaled Hosseini

khaled-hosseini-2Médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense.

Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão.

Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai.

Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder.

Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

Escreveu além do Caçador de Pipas, A Cidade do Sol e O Silêncio das Montanhas.

Referência bibliográfica

O caçador de pipas: romance / Khaled Hosseini; Tradução de Maria Helena Rouanet. – Rio de Janeiro. – Nova Fronteira, 2005.
Tradução de: The kite runner.
368p.:
ISBN: 85-209-1767-4
1. Amizade – Ficção. 2. Cabul (Afeganistão) – Ficção. Romance afegão. I. Rouanet, Maria Helena. II Título.
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O livro relata as histórias de duas mulheres no Afeganistão.

Comove pela alienação religiosa que permeia a história, intensificada pelo conturbado período das guerras civis, a invasão soviética, e a ocupação americana.

Duas mulheres, amaldiçoadas pela sorte, são humilhadas de forma deplorável, jamais imaginada por povos ocidentais.

Marcadas para sofrer

a-cidade-do-sol-1Mariam, trinta e três anos, filha ilegítima de Jalil, empresário de uma cidade próxima à fronteira com o Irã, viu-se obrigada pelas esposas do pai a se casar com o estúpido Rashid, de 45 anos, tradicional comerciante de sapatos.

Ficou sabendo que tinha a obrigação de lhe dar muitos filhos.

O relacionamento tornou-se intolerável quando Rashid passou a desejar um herdeiro e a esposa teve uma série de abortos.

Ele a penalizou pela incapacidade de procriar, espancando-a sem piedade.

Laila, a outra mulher da história, filha de um professor que morava próximo à casa de Mariam e Rashid, foi surpreendida, aos quatorze anos, quando um foguete disparado durante uma guerra explodiu em sua casa, matando os seus pais.

Grávida do namorado Tariq, também adolescente, que havia mudado de cidade sem se dar conta do ocorrido, resolve aceitar o convite do estúpido Rashid e torna-se a sua segunda esposa.

Rebelião feminina

a-cidade-do-sol-2No início, o conflito entre as duas mulheres foi estimulado por Rashid ao declarar sua preferência por Laila.

Ele sabia que Laila estava grávida de Tariq, enquanto ela insinuava que o filho que carregava, na barriga, era do comerciante de sapatos.

Posteriormente, as duas mulheres se voltam contra o marido, devido às atitudes agressivas e resolveram se unir para derrotá-lo e driblar o regime político.

Agruras inaceitáveis

O livro trata, de forma emocionante, das privações, humilhações e ofensas praticadas no Afeganistão.

O reencontro de Laila e Tariq é recheado de emoção.

Ao final, a carta escrita por Jalil, à filha Mariam, apresenta uma exposição do despreparo do homem ao se deparar com as vicissitudes da vida.

“…, no fundo, sabia que era tudo o que podia fazer. Viver e ter esperança.”

Khaled Hosseini

khaled-hosseini-2Médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense.

Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão.

Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai. Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder.

Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

Escreveu além do Caçador de Pipas, A Cidade do Sol e O Silêncio das Montanhas.

Referência bibliográfica

a cidade do solA cidade do sol: romance / Khaled Hosseini. – Nova Fronteira, 2007.
368p.:
ISBN: 978-85-209-2010-7
1. Literatura estrangeira 2. Romance.

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