A escrita tem forma e conteúdo. Faz pensar, refletir, alterar conceitos e valores. Transmite ensinamentos e desperta a necessidade de reflexão sobre o significado e a importância do viver, do ser, do existir. O autor nos brinda com a história sobre a procura do significado da vida, em um cenário que já passou, mas, se mantém atual, até porque, independentemente da crença, da intelectualidade e da idade a diligência não satisfaz as nossas carências.
Não há ensinamentos irrefutáveis que satisfaçam as dúvidas. O indivíduo enxerga a existência no seu particular alternando o conceito momento a momento. As religiões tentam confortar o pensamento, mas, a mente é inimiga do ser, é como não possuísse um dono, levita como se inimiga fosse. Se Deus existe, certamente, Ele está em nós, não na planta, na água, no céu, na terra ou no espaço sideral. Afinal, “(…) a tristeza é sempre o melhor caminho do mal.”
Em ‘O Homem de Vidro’ o autor constrói a narrativa valorando a palavra, a forma como ela é assentada em um contexto vexaminoso, cheio de conflitos cujos cenários beiram à subvida. O jovem protagonista deixa o conforto familiar e sai à procura das suas verdades, certo de que o cainhar se faz no caminho e termina por descobrir que não precisava tanto. Como todo vidro o homem possui limites físicos. O caminho de ida pode levá-lo de volta de onde, eventualmente, não precisaria ter saído, mas, “(…) há função em tudo na vida, sobretudo nas atitudes que possam parecer inócuas.”
O autor nos convida a refletir sobre a realidade e a êxtase da ficção. Afinal, tudo pode parecer ilusão. A mente constrói e desconstrói, cria e desfaz como a mesma praticidade. A volta ao começo pode ser um sonho ancho, duradouro, sofrido, pelo caminho inóspito e duração da viagem quando não se sabe o que se procura.
Como sempre, o autor é brilhante na riqueza de detalhes e na forma de abordar o tema filosófico, complexo e por demais interessante. Afinal, as verdades são muitas, dependem de quem as constroem, mas, a experiencia é única, cada caminhar no seu caminho…
Leitura recomendadíssima!
Informações sobre o autor

Américo Venâncio Lopes Machado Filho – Doutor em Letras, com pós-doutorados em Coimbra (2006 e 2017) e em Paris 13 (2010), é professor titular de Língua Portuguesa, recentemente aposentado, da Universidade Federal da Bahia, Brasil. Autor de diversos livros, capítulos de livros e artigos, na área da Linguística Histórica e da Idade Média portuguesa, sempre cultivou, paralelamente ao mundo acadêmico da pesquisa, o interesse pela criação literária, nomeadamente pelos gêneros conto e novela.
Referência bibliográfica
Filho, Américo Venâncio Lopes Machado
O Homem de Vidro / Américo Venâncio Lopes Machado Filho. – – Editora: UICLAP/Ed. do Autor Concepção da capa: Lis Machado
Ano de publicação: 2025.
139 p.
ISBN 978-65-56089-2
Eduardo, mais uma vez lhe agradeço por ler mais uma obra minha e ser tão generoso nos comentários. Espero que o Homem de Vidro consiga trincar a sensibilidade de quem arrisque a lê-lo. Fica o convite, pois não há escritor sem leitor.