O Príncipe
– Nicolau Maquiavel

o-principe-2Maquiavel sonhou unificar a Itália e defendê-la dos povos estrangeiros.

Escreveu O Príncipe e dedicou a obra a Lourenço de Medici.

“Espero que não seja considerado presunçoso que um homem de baixa e ínfima condição ouse examinar e regular o governo dos príncipes; pois, assim como os que desenham as paisagens se colocam embaixo, na planície, para observar a natureza dos montes e dos lugares elevados, e, para observar a forma dos lugares baixos, se colocam no alto, em cima dos morros, assim, também, para conhecer a natureza dos príncipes, é preciso ser do povo.”
 

Tempo

Maquiavel tinha uma concepção realista sobre o tempo, solução e problema.

“Gozar os benefícios do tempo, mas também os benefícios de sua virtù e prudência, porque o tempo arrasta todas as coisas e pode transportar consigo o bem como mal, e o mal como bem.”

Prudência

Maquiavel revela sua preferência pela excelência.

“Como os homens trilham quase sempre caminhos abertos por outros e pautam suas ações pelas imitações, embora não possa seguir em tudo os caminhos dos outros nem igualar a vritù daqueles que imita, um homem prudente deve sempre seguir os caminhos abertos pelos grandes homens e espelhar-se nos que foram excelentes.”

Oportunidade, capacidade e chance

Para Maquiavel, a oportunidade só pode ser aproveitada se houver capacidade e essa só será utilizada com chance.

“Sem ocasião a virtù de seu ânimo se teria perdido, assim como, sem virtú, a ocasião teria vindo em vão.”

Mudança

Maquiavel via o processo de mudança como um dos mais difíceis, não só pela dúvida do resultado, mas, também, pela oposição dos que se beneficiam da situação atual e da fragilidade do apoio dos defensores do processo.

Chegou a defender que o sucesso das mudanças está baseado na força em vez do convencimento.

Entendia que a natureza dos povos é variável, e se é fácil convencê-los, é difícil mantê-los na convicção.

“Devemos convir que não há coisa mais difícil de se fazer, mais duvidosa de se alcançar, ou mais perigosa de se manejar do que ser o introdutor de uma nova ordem, porque quem o é tem por inimigos todos aqueles que se beneficiam com a antiga ordem, e como tímidos defensores todos aqueles a quem as novas instituições beneficiariam.”

O bem e o mal

Maquiavel tinha como concepção minimizar os efeitos do mal e prolongar os do bem.

Entendia que os homens se vinculam aos seus benfeitores quando recebem o bem e esperavam o mal.

“As injúrias devem ser feitas conjuntamente a fim de que, sendo menos saboreadas, ofendam menos, enquanto os benefícios devem ser feitos pouco a pouco, para serem mais bem apreciados.”

Crueldade e Piedade

Maquiavel, revela sua percepção a respeito dos efeitos das ações tidas como severas.

Tinha o conceito de que os homens são ingratos, volúveis, simulados e fiéis enquanto usufruem o bem, mas quando deles se precisa, revoltam-se.

“Eventualmente a crueldade poderá servir para manter os súditos unidos e obedientes, sendo mais piedoso do que deixar evoluir a desordem com excesso de piedade.”

Amizade

A posição de Maquiavel sobre a amizade revela uma postura transparente naquilo que é mais apropriado e que melhor se adéqua, enquanto os inimigos pedem passividade.

“Os que não são teus amigos sempre te pedirão neutralidade, enquanto teus amigos te pedirão para tomar armas.”

Colaboradores

A escolha dos colaboradores mostra a inteligência de quem os seleciona.

“A primeira conjetura que se faz a respeito da inteligência de um senhor baseia-se na observação dos homens tem em torno de si. Se estes forem competentes e fiéis, o príncipe sempre poderá ser reputado sábio porque soube reconhecê-los como competentes e mantê-los fiéis.”

Aduladores

Maquiavel reservou tratamento especial e cuidadoso para os aduladores.

A escolha deve partir da autoridade.

Os pareceres e sugestões devem ser solicitados, jamais de forma espontânea.

Neste tema, o autor se excluí do adjetivo, já que a obra foi escrita e dedicada a um príncipe sem que ele o tenha pedido.

“Não há outro modo de proteger-se dos aduladores senão fazendo os homens entenderem que não te ofendem ao dizerem a verdade. Se, porém, todos a puderem dizer, te faltarão ao respeito.”

Fortuna e mulher

Quando Maquiavel fala sobre a fortuna acaba revelando de forma subjetiva, o conceito que tinha, em 1513, sobre as mulheres.

“E melhor ser impetuoso do que prudente, porque a fortuna é mulher, e é necessário, para dominá-la, bater-lhe e contrariá-la.”

Instabilidade política

O autor acreditava na repetição inevitável dos ciclos, provocado por instabilidades políticas, sociais e econômicas.

A realidade era vista de forma absoluta, e a racionalidade não garante moralidade dos meios, tampouco dos fins.

O homem é parte da história, apesar de não ter motivos para orgulhar-se dela.

Enfim, Maquiavel, enxergava o mundo como base na realidade dos fatos históricos, e, exalta a capacidade de adaptação aos acontecimentos como forma de permanência no poder, diferente de outros pensadores políticos que desenharam o mundo imaginário, ideal, e maravilhosos.

Nicolau Maquiavel

maquiavel-1Nasceu em 1469, em Florença, Itália.

Foi diplomata, poeta, escritor e historiador, além de músico.

Fundador do pensamento e da ciência política moderna.

Baseou seus textos na realidade do Estado e do Governo em vez de conjecturar de como estes deveriam ser.

O adjetivo “maquiavélico”, originário de críticas às suas opiniões, rotulou suas ideias como sinônimo de esperteza e astúcia, contudo, posteriormente, sua obra passou a ser reconhecida como o início da ciência política realista moderna.

Durante o governo de Lourenço de Médici entrou para a política como secretário da Segunda Chancelaria, e, neste cargo, pode observar comportamentos políticos que deram fundamentos aos escritos.

Referência Bibliográfica

o-principe-1Maquiavel, Nicolau, 1469-1527.
O Príncipe / Nicolau Maquiavel; tradução Maria Júlia Goldwasser; revisão da tradução Zelia de Almeida Cardoso. – 3ª ed. totalmente rev. – São Paulo: Martina Fontes, 2004.
182p.
ISBN 85-336-1947-2
1. Política I. Título. II. Série
(R)

 

2 comentários

  1. ótimo livro, tenho uma dúvida quanto a classificação literária de O príncipe, o principe com certeza nao tem o estilo clássico , mas maquiavel pode ou não ser classificado como autor renascentista? a dúvida tambem vale para: Thomas Hobbes e thomas More.
    parabéns pelo blog….
    Junior1

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