Ninguém Escreve ao Coronel
– Gabriel García Márquez

O governo decidiu compensar os veteranos de guerra com uma pensão vitalícia, em reconhecimento aos serviços prestados à nação.

Devido à falta de verba para contemplar todos, de uma só vez, elaborou uma relação com os nomes dos beneficiados.

Esperança

ninguem-escreve-ao-coronel-2O Coronel, protagonista do conto, que residia em uma ilha, mantinha-se esperançoso, apesar de sua posição na lista ser a de número 1823. Haviam 1822 combatentes a serem contemplados antes dele.

Tudo seria mais claro se o governo revelasse quantas pensões já tinham sido concedidas. Contudo, a manutenção do sigilo servia para reduzir a pressão sobre o estado e mantinha os não contemplados esperançosos e convicto de que um dia seriam comunicados da concessão.

Às sextas-feiras, o Coronel renovava a esperança: ia à cais do porto e aguardava a lancha que trazia as correspondências para a ilha, na expectativa de receber a carta com a notícia.

Galo de briga

ninguem-escreve-ao-coronel-1Com o passar do tempo e o tardar da notícia, sem dinheiro, o Coronel começou a vender os objetos que havia na casa, dentre eles uma máquina de costura.

Ao final, restou um galo de briga, deixado pelo filho, Agustin, assassinado pela polícia.

Ofereceram pela ave novecentos pesos diante do bom desempenho, no treino para a luta prevista para quarenta e cinco dias após.

Vendê-lo e suprir as necessidades imediatas ou aguardar a luta para aventurar um bom dinheiro, com a possível vitória?

Humor social

A história do Coronel que vivia ao lado de uma mulher asmática, triste pela morte do filho e esperançoso por uma notícia que tardava a chegar tem gosto sutil de humor inteligente sem perda no foco social.

O texto, escrito em linguagem direta, mostra o ser humano com suas fraquezas e esperanças, acreditando em promessas que lhes são convenientes, principalmente, quando estas se tornam a única forma de melhoria de vida e sobrevivência.

Statu quo

O texto evidencia a história de um homem que, em prejuízo do sustento, decide manter-se reservado para não passar por constrangimentos, apesar da notória exposição social.

Gabriel José García Márquez

gabriel-garcia-marques-10

Gabriel García Márquez nasceu em 6 de março de 1927, na cidade de Aracataca, Colômbia.

Seus pais, Gabriel Eligio García e Luisa Santiaga Márquez, tiveram ao todo onze filhos.

Logo depois que García Márquez nasceu o seu pai se tornou um farmacêutico.

Dois anos após o nascimento do escritor seus pais se mudaram para Barranquilla. García Márquez permaneceu em Aracataca em companhia dos seus avós maternos, Nicolás Ricardo Márquez Mejía e Tranquilina Iguarán.

Aos oito anos, com a morte do avô, o escritor se mudou para Barranquilla (casa dos pais) e iniciou seus estudos no Liceu Nacional de Zipaquirá.

Em Bogotá cursou direito e ciências políticas na universidade nacional da Colômbia, mas abandonou a universidade antes da conclusão do curso.

Casou-se, em Barranquilha no México, com Mercedes Barcha com quem teve dois filhos, Rodrigo e Gonzalo.

Influências na obra do autor

as-mil-e-uma-noites-2Seu avô materno era um veterano da Guerra dos Mil Dias e suas histórias seduziram o neto.

Além dos contos baseados na coleção de histórias ‘As Mil e Uma Noites’ a sua avó Tranquilina, também, influenciou a criatividade do autor.

A adolescência de Gabo, como o autor era conhecido, foi marcada por livros. Um em especial chamou a sua atenção: A Metamorfose, de Franz Kafka.

Gabo se permitiu extrapolar a barreira da forma tradicional de contar histórias depois de ler Kafka.

Ora, se Kafka podia transformar o protagonista Grégor Samsa em um inseto, então, ele, também, poderia usar a ficção como forma impositiva sobre a realidade das suas histórias políticas, sociais e regionais.

Este fato resultou na criação do conhecido ‘Realismo Mágico ou Fantástico’ na literatura latino-americana.

Gabriel Márquez escolheu para sua referência William Faulkner, considerado um dos maiores escritores estadunidenses do século XX.

Trabalhos, obras e prêmios

gabriel-garcia-marquez-5Gabriel García Márquez trabalhou como jornalista em vários periódicos da Colômbia e desempenhou trabalhos, como correspondente internacional na Europa e nos Estados Unidos.

É considerado um dos escritores mais importantes do século XX. Seus livros foram traduzidos em 36 idiomas e vendeu mais de 40 milhões de livros.

Escreveu: O enterro do diabo: A revoada (1955), Maria dos prazeres, Relato de um náufrago (1955), A sesta de terça-feira, Ninguém escreve ao coronel (1961), Os funerais da mamãe grande (1962), Má hora: o veneno da madrugada, Cem anos de solidão (1967), A última viagem do navio fantasma, Entre amigos, A incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada, Um senhor muito velho com umas asas enormes, Olhos de cão azul, O outono do Patriarca, Como contar um conto (1947-1972), Crônica de uma morte anunciada (1981), Textos do caribe, Cheiro de goiaba, O verão feliz da senhora Forbes, O Amor nos tempos do cólera (1985), A aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, O general em seu labirinto, Doze contos peregrinos (1992), Do amor e outros demônios (1994), Notícia de um Sequestro (1996), Memória de minhas putas tristes, dentre outros trabalhos.

Em 2002, após ter sido diagnosticado um câncer linfático, publicou sua autobiografia ‘Viver para contar’.

Recebeu os seguintes prêmios: Prêmio de Novela ESSO por “má hora: o veneno da madrugada” (1961), Doutor Honoris Causa da Universidade de Columbia em Nova Iorque (1971), Prêmio Internacional Neustadt de Literatura em 1972, Medalha da Legião Francesa em Paris (1981), Condecoração Águila Azteca no México (1982), Nobel de Literatura (1982), Prêmio quarenta anos do Círculo de jornalistas de Bogotá (1985), Membro honorário do Instituto Caro y Cuervo em Bogotá (1993), Doutor Honoris Causa da Universidade de Cádiz (1994).

Morte

gabriel-garcia-marquez-6Em 2009 García Márquez declarou que não pretendia escrever mais livros.

A notícia foi confirmada, mais tarde, quando o seu irmão, Jaime Garcia Marquez, anunciou que o escritor foi diagnosticado com uma demência, embora estivesse em bom estado físico, havia perdido a memória.

O autor lutava contra a reincidência de um câncer que atingia seus pulmões, gânglios e fígado. Morreu em 17 de abril de 2014 na Cidade do México, vítima de uma pneumonia, após completar 87 anos.

Referência bibliográfica

García Márquez, Gabriel, 1928 – 2014
Ninguém escreve ao Coronel / Gabriel García Márquez; tradução Danubio Rodrigues; [Ilustração de Carybé] 24ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2011.
Tradução de: El coronel no tiene quién le escriba.
ISBN 978-85-01-01655-3
1. Conto colombiano. I. Rodrigues, Danubio. II. Título.
(R)

3 comentários

  1. Gosto da forma como este senhora constrói e desenha suas histórias e cenários.
    Tudo tão mágico e irreal, mas carregado de tantos verdadeirismos.
    Suas histórias nunca cansam, pelo menos para mim.
    É pegar um livro é ir até o fim.
    E faz-me lembrar de alguns resquícios de Érico Veríssimo.
    Abraços

  2. Olá, eu fiz um comentário sobre esse livro há um tempo atrás, mas creio que não fiz a verificação de palavras. Gosto muito do Gabriel e desse livro em particular, embora o número um pra mim seja Cem Anos de Solidão. Já li muitas vezes, mas sempre que vou reler vejo que algumas coisas haviam me escapado. Fique bem. Grande abraço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *