A vida dos moradores do edifício Wadia, construído há 120 anos em Bombaim, na Índia, serviu como pano de fundo para a história.

Um casamento reuniu antigos moradores e criou oportunidades para lembranças de acontecimentos e experiências, motivadas por intervenções familiares e políticas.

Tradição questionada

casamento-indiano-1Projetos pessoais, a exemplo do que aconteceu com a jovem Dosamai, cujo casamento foi imposto pelo pai, e a separação do indiano Soli e a namorada, judia, Mariam, são alguns dos relatos mais instigantes do texto.

Algumas citações políticas sobre a independência da Índia e as contradições de famílias que, apesar de concordarem com o movimento político liderado por Gandhi, enviam seus filhos para a Inglaterra e os Estados Unidos, na busca de outras culturas, são percebidas no texto.

Muitos dos que se foram com o objetivo de estudarem na Inglaterra e nos Estados Unidos resolvem permanecer naqueles países, devido às oportunidades oferecidas.

Enquanto os moradores do edifício reclamavam do açougueiro, do leiteiro e dos valores exorbitantes do queijo e da manteiga, os que moravam em ruas que habitavam o seu entorno sofriam da falta de políticas sociais.

Esses fatos, à medida que os moradores do Wadia melhoravam de condições econômicas eram obrigados a se privarem do acesso a bens para não serem agredidos por outras castas.

A grande discrepância social tornava conveniente aos ricos não ostentarem suas posses.

Por outro lado, conviver no Wadia era cômico e excêntrico.

O texto apresenta melodramas de relacionamentos entre pessoas da mesma família acentuados por dividirem o mesmo espaço; problemas psicológicos provocados em jovens, por terem sido jogados em relações sexuais sem a devida preparação; paixões interrompidas, abruptamente, por questões religiosas; além de hábitos e costumes socialmente inaceitáveis, em sociedades modernas.

A autora aborda vários temas e não se aprofunda em nenhum deles.

Apesar da superficialidade, o texto agrega conhecimento cultural e chama a atenção para interferências familiares nos relacionamentos conjugais.

Thrity N. Umrigar

thrity-n-umrigar-1Escritora e jornalista. Leciona na Case Western Reserve University.

Escreveu “A distância entre nós” e “A doçura do mundo”.

Ganhou o prêmio Neiman Fellowship da Harvard Universsity.

Cresceu na cidade de Bombaim, na Índia, e mora em Cleveland, Ohio.

 

 

Referências bibliográficas

Umrigar, Thrity N.
Um lugar para todos / Thrity Umrigar; tradução Regina Lyra. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 2008.
Tradução de: Bombay Time
ISBN 978-85-209-2192-0
1.Edifícios de apartamentos – Ficção. 2. Bomabim (Índia) – Ficção. 3. Índia – Uso e costumes – Ficção. 4. Romance indiano (Inglês). I. Lyra, Regina. II. Título.
(R)

O protagonista da história, Jacob Jankowski, tem mais de 90 anos e é hospede em uma casa de repouso,

“A idade é um ladrão terrível. Justamente quando se começa a entender melhor a vida, a idade nocauteia suas pernas e arqueia suas costas. Ela traz dores, lhe confunde a cabeça…”

Efeitos da crise

agua-para-elefantes_gallery_aEstudante do último ano de veterinária, na universidade de Cornell nos Estados Unidos, perde os pais em um acidente, sob os efeitos da crise de 1929.

O fato provocou uma grande reviravolta na economia americana e na vida do protagonista.

Sem alternativa para manter-se na cidade de Ithaca, pula sobre um trem em movimento e inicia uma aventura sobre o que ele chamou de “grande fera de aço”.

O texto intercala vivências na casa de repouso e lembranças de sua paixão por Marlena, estela do Circo Irmãos Benzini, mulher de August, esquizofrênico e malvado treinador de animais.

As perversidades impostas aos animais e a paixão por Marlena foi determinante para Jacob opor-se a August.

Após a chegada da elefanta Rosie no circo, Jacob resolve colocar o emprego em risco e decide opor-se às atitudes de August.

O livro relata, superficialmente, a experiência de um idoso que perde a mulher vítima de câncer.

Detalha o escabroso tratamento dado aos animais de circo e entremeia atitudes amorosas.

O texto é desprovido de encrencas filosóficas, possui linguagem direta e permite interessantes reflexões.

Sara Gruen

sara-gruen-1Canadense, vive em Illionois nos Estados Unidos com a família, rodeada por animais.

Escreveu outros livros ainda não editados no Brasil.

Referências bibliográficas

Gruen, Sara. 1969 –
Água para elefantes / Sara Gruen [tradução de Anna Olga de Barros Barreto]. – Rio de Janeiro: Sextante, 2007.
Tradução de: Water for elepfants.
ISBN 978-85-99296-158
1.Conto americano. I. Barreto, Anna Olga de Barros. II. Título.
(R)

 

Sincrônicos e misteriosos

a-profecia-celestina-1Há os que passam pela vida sem perceber acontecimentos e fatos sincrônicos e misteriosos que levam o ser humano à direção desconhecida.

Ao refletirmos, sem preconceitos, sobre fatos ocorridos em momentos fundamentais na nossa vida, percebemos que alguns episódios foram sincronizados em determinado espaço de tempo não claramente definido.

Outros eventos não identificamos como importantes, porque, simplesmente, não conseguimos perceber o sincronismo entre eles e acontecimentos que se tornaram fundamentais para trilharmos o caminho do nosso destino.

Nesse caso, faltou a acomodação necessária para despertar a percepção de que alguma força atuou sem o nosso conhecimento.

Senhores do destino

a-profecia-celestina-3A ilusão de que o universo é explicável e previsível termina sendo cultivada, ao negarmos a possibilidade de avanço nas pesquisas de eventos inexplicáveis, como forma de nos proteger, através do conceito de senhores dos nossos destinos.

Enquanto isso, se percebe que as ocorrências da natureza sucedem de causas explicáveis e diretas. Assim, a ciência explica que na matéria sólida existem espaços vazios. Em nós, quantos são os espaços que não estão na solidez do corpo? Eles estão, literalmente, vazios ou a energia que neles circulam faz parte de um contexto desconhecido?

Favorecendo através do pensamento

A universalidade energética, confirmada pela ciência, mostra as interligações dinâmicas dos fenômenos que regem a natureza quântica. Saber acessar esta energia universal e arremessá-la através do pensamento pode terminar favorecendo o nosso destino, influenciando o caminho e a direção dos que nos cercam.

O desconhecimento de como acessar a energia vital ou o rompimento da ligação com ela, enfraquece o ser humano e o torna inseguro e fraco. Nesse caso, o roubo de energia de pessoas que nos cercam, como alternativa para nos reerguer, termina gerando fatos conflitantes, porque ao enfraquecê-los haverá reações de comportamento imprevisíveis. A luta pelas variadas formas de poder termina norteando estes conflitos.

Estado de consciência

a-profecia-celestina-2A conexão da consciência interior com a energia espiritual provoca sensações não percebidas no cotidiano e possibilita vivências em outro estado de consciência, que sustenta a vida, sem, necessariamente, usurpar energia de outras pessoas relacionadas na disputa do poder. Essas sensações podem ser percebidas através da leveza do corpo físico, do aguçamento de sabores, sons, aromas, etc.

A vida poderá ter outro sentido ao aprendermos a identificar questões que nos são colocadas, sem, necessariamente, precisarmos conhecer todas as respostas.

Quando nos desconectamos com o passado, percebemos o domínio exercido sobre outras pessoas que usamos para nos beneficiar.

Reflexão para o crescimento

Exortar boas relações em vez de exaurir dos outros a energia, possibilita o descobrimento do caminho para o crescimento.

À medida que evoluímos, espiritualmente, percebemos mais claramente a nossa missão. Essa percepção ocorre através do entendimento das questões, que nos são colocadas ao nos relacionarmos, e nas variadas formas que aguçam a reflexão, a exemplo dos sonhos, dos pensamentos, e, porque não dizer, alucinações.

Ganho com o sincronismo

Nos relacionamentos sadios a prática de mensagens otimistas é fundamental para manter a energia em vibrações elevadas. Assim, o todo ganha com a soma sincronizada das oscilações positivas e a luta pelo domínio ou poder deixa de existir.

Os encontros não são casuais. Eles trazem muitas respostas que precisamos. Combater o medo, através de pensamentos positivos, eleva a mente e reflete no conforto do corpo.

O livro pode, também, ser visto como uma aventura de um casal de amigos que se encontram em um aeroporto. Resolvem sair em busca de manuscritos que colocam em cheque dogmas da igreja.

James Redfield

james-redfield-1Nasceu em 19 de março de 1950.

Mora nos Estados Unidos, e trabalhou com terapeuta para crianças molestadas sexualmente.

O livro Profecia Celestina vendeu mais de vinte milhões de cópias e foi traduzido para mais de trinta línguas.

 

 

Referência bibliográfica

Redfield, James, 1993
A profecia celestina / James Redfield: Fontanar, 2009.
265p.
ISBN 978-85-73-02945-1
Romance. I. Título
(R)

 

O romance traz uma história curiosa.

Relatar situações vividas pelo povo afegão, submetido aos talibãs e envolve dois casais que destoam do relacionamento tradicional naquele país.

Os personagens

Um burguês, sem esperanças; uma advogada, impedida de exercer a profissão; uma mulher, que luta pela sobrevivência diante de uma doença incurável.

Um guarda de presídio, que se abate ao presenciar execuções de pessoas que agem fora dos padrões religiosos definidos pelo regime tirano de uma sociedade muçulmana, completa a trama.

Quatro são os personagens que vivem em Cabul, quando os talibãs determinam um regime desumano: Mohsen (intelectual); Zumira (advogada); Atiq (carcereiro) e sua mulher Mussart.

A felicidade como meta

Nos últimos capítulos, por situações diferentes, os destinos dos casais se entrelaçam, e a maior surpresa aparece quando Mussarat, esposa de Atiq Shankat, percebe a angustia do marido que apaixonou-se, involuntariamente, por Zunaira, esposa de Moshen.

Ela, Mussarat, decide abrir mão da própria vida para tentar fazê-lo feliz.

O autor tenta mostrar de forma sutil que o ser humano, apesar de agir conforme preceitos religiosos, são levados por sentimentos inerentes à própria natureza.

Yasmina Khadra

yasmina-khadra2Usa o pseudônimo literário do argelino Mohamed Moulessehoud.

Recebeu o Prêmio dos Livreiros Franceses 2006.

É considerado uma das grandes vozes da moderna literatura francesa.

 

 

 

 

Referência bibliográfica

Khadra, Yasmina
As andorinhas de Cabul / Yasmina Khadra – Sá Editora, 2006.
173p.
ISBN 987-85-88193-30-7
1. Romance francês I. Título.
(R)

Sinais para necessidade de mudança

O livro conta a história de um executivo, aparentemente bem sucedido, que percebeu sinais de insatisfação nas pessoas com quem se relacionava.

Um movimento sindical, as constantes reclamações da esposa e as repetidas rebeldias dos filhos chamaram a sua atenção para a necessidade de mudança.

Por sugestão da esposa, aconselhou-se com um pastor e decidiu fazer parte de um grupo em treinamento.

Sob a coordenação de Len Hoffman, um executivo que decidiu se tornar frade, os participantes com experiências divergentes analisaram e discutiram paradigmas, crenças e valores, comumente empregados na administração de pessoas e nas relações pessoais.

Debates e lições

A interpretação dos sinais pode se tronar importante indicação nas relações humanas.

A maneira como interagimos e decidimos ser, resulta na qualidade das relações pessoais e estas interferem na vida familiar, nas finanças e no trabalho.

O comportamento pode se apresentar com uma falsa roupagem e serve para sustentar as relações com o poder.

Devido a isso, muitas vezes, o que parece ser não é.

A liderança só adquire autoridade quando é estabelecido o exercício do sacrifício do líder em favor dos liderados.

A escolha de se colocar e se comportar a serviço do grupo, desconsiderando sentimentos que possam atrapalhar os resultados dos objetivos e as relações pessoais, são fundamentais para sustentar a autoridade.

Influência por servir

Com a autoridade adquirida, através do servir, é possível influenciar e impulsionar pessoas o que resume, basicamente, o papel do líder.

O caráter do indivíduo, diferente do poder conquistado ou concedido, define o comportamento, e, com ele, o exercício da autoridade. Por isso, o indivíduo pode exercer o poder sem ter autoridade.

Sem autoridade não se impulsiona pessoas, porque, para mobilizar pessoas em vez do poder é preciso liderá-las.

Retirada dos obstáculos

A liderança precisa satisfazer às necessidades legítimas dos liderados, deslocando obstáculos que impeçam as conquistas dos seus objetivos.

O uso do poder remete a atitudes egoístas, podem agradar às hierarquias constituídas, contudo, não alcançam as finalidades para as quais foram criadas.

Na prática da liderança não se pode atuar como vítima. O sacrifício faz parte do contexto e é assim que o líder adquire autoridade. Quando isso não ocorre, resta a busca do poder para sustentar o comando.

No passado era escolhido chefe o que sabia mandar e colocar barreiras.

Atualmente é quem sabe compreender e investir nas pessoas, estimulando-as a oferecer o melhor e flexibilizando as relações, sem comprometer os objetivos.

Cada visão de mundo

O mundo é visto como somos e não, verdadeiramente, como é.

O poder pode até funcionar por algum tempo, contudo, há tendência de envelhecer. Envelhecer no sentido de ser ultrapassado, superado, sair do contexto e de moda.

Enquanto o poder é superado, a autoridade, de um verdadeiro líder, consegue manter-se devido à utilidade de atos praticados, além da continuidade do serviço ao longo das nossas vidas.

Referência familiares

Isto fica ainda mais claro nas relações familiares. Os pais, na grande maioria, têm autoridade sobre os filhos, porque são úteis pelo resto da vida, mesmo quando os filhos não dependem mais financeiramente e da proteção, continuam à disposição e funcionam como referências de caráter.

Características de um líder

O líder, segundo James C. Hunter, deve ter autocontrole, ocupar-se em ouvir valorizando as opiniões, incentivar, ter autenticidade sem arrogância, dar importância às pessoas e satisfazer suas justas necessidades, perdoar sem ressentimentos, manter-se coerente com os compromissos, ser integro e livre de enganos, ir ao encontro das pessoas e fazer com que elas se movam através de relações saudáveis.

O livro é um despertar para as relações pessoais.

Engana-se o leitor que julgar não ter somado conceitos e ensinamentos, para o cotidiano.

James C. Hunter

james-c-hunter-1Experiente consultor-chefe da J. D. Associados, uma empresa de consultoria de relações de trabalho e treinamento.

Com mais de 20 anos de experiência, Hunter é muito solicitado como instrutor e palestrante, principalmente nas áreas de liderança funcional e organização de grupos comunitários

Mora nos Estados Unidos.

Seu livro teve grande aceitação no mercado empresarial.

Informações bibliográficas

o-monge-e-o-exeutivo-1Hunter, James C, 1955
O monge e o executivo / James Hunter – Sextante, 2004.
144p.
ISBN 85-7542-102-6
(R)

Um garoto rico, egoísta, covarde e ciumento, nascido no Afeganistão, arranja um amigo fiel que lhe serve de companheiro e se faz presente nas horas mais difíceis.

A covardia e insegurança, de Amir, certamente provocada pela ausência do bem sucedido pai e da falta da mãe, que não chegou a conhecer, estimulavam a agressividade praticada por outros garotos que viviam em Cabul.

Estratificação social

cacador-de-pipas-3Quando Amir era agredido Hassan, que figurava como seu empregado, se colocava em defesa e os garotos, apesar de próximos, tiveram experiências e sentimentos muito e singulares.

Enquanto Amir demonstrava fragilidade, apesar de compartilhar da respeitada casta pashtun, Hassan tinha motivos, de sobra, para se sentir inseguro por pertencer à etnia hazara, discriminada no Afeganistão.

Hassan passou por algumas situações humilhantes devido ao excesso de dedicação à Amir, principalmente, quando se opunha às provocações do grupo liderado pelo garoto Assef, o qual alimentava ódio pelos hazaras.

Guerra e migração

guerra-no-afeganistao-1Apesar de filhos do mesmo pai, com mães diferentes, Amir tentava entender as suas maldades e Hassan atuava com vigor e desembaraço em defesa do irmão, até que problemas políticos, ocorridos no Afeganistão, separaram os dois personagens.

O rico migrou para os Estados Unidos e o pobre permaneceu em Cabul entregue às mazelas de um país invadido por forças russas e também submetido ao fundamentalismo religioso do talibã.

Nos Estados Unidos, anos depois de casar-se com a compreensiva Soraya, o médico Amir recebeu um telefonema de Rahim Khan, amigo do seu falecido pai, que se encontrava doente no Paquistão.

Decidiu partir ao seu encontro e de lá para o Afeganistão, após tomar conhecimento da tragédia sucedida com Hassan e tentar entender parte sua própria história.

Lá chegando, após as dificuldades encontradas no trajeto, encontrou um país destruído e quase não consegue reconhecê-lo.

Inércia em vez ação

cacador-de-pipas-1Agredido e perseguido por ter abandonado o país, após ser informado por Rahim que Hassan era seu irmão, imagina poder corrigir erros do passado, a exemplo do ocorrido com a traição feita no dia do campeonato de pipas, quando Hassan foi estuprado por Assef e ele se omitiu.

O romance possuir ingredientes que atrai o leitor, sublimando aspectos da personalidade humana e distorce à identificação cultural norte-americana, como uma das raras oportunidades para o alcance da felicidade.

O livro fala da invasão russa, do regime talibã, mas, omite o envolvimento político dos Estados Unidos na região.

Independente da tendência política e cultural a narrativa traz reflexões sobre os conflitos da psique.

Neste aspecto, atinge o objetivo.

Khaled Hosseini

khaled-hosseini-2Médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense.

Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão.

Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai.

Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder.

Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

Escreveu além do Caçador de Pipas, A Cidade do Sol e O Silêncio das Montanhas.

Referência bibliográfica

O caçador de pipas: romance / Khaled Hosseini; Tradução de Maria Helena Rouanet. – Rio de Janeiro. – Nova Fronteira, 2005.
Tradução de: The kite runner.
368p.:
ISBN: 85-209-1767-4
1. Amizade – Ficção. 2. Cabul (Afeganistão) – Ficção. Romance afegão. I. Rouanet, Maria Helena. II Título.
(R)

a-cabana-1jpgO livro traz uma história que provoca questionamentos referentes ao comportamento humano, a sua capacidade de praticar o perdão e o uso adequado do poder.

Refere-se às leis e regras impostas à sociedade, como um exercício de comando.

A autoridade que ocorre nas relações familiares, religiosas e empresariais aparece como forma de poder e impede a manifestação do amor.

A narrativa simula diálogos para despertar a importância de se vivenciar emoções do presente, sem preocupação com o futuro.

Mentir para alívio

Quando se refere à mentira, o faz afirmando que ela não evita o sofrimento do iludido.

A prática ocorre por insegurança do mentiroso, que não se sente capaz de enfrentar as próprias emoções, tampouco as do enganado, caso tivesse confessado a verdade.

Aborda ainda sobre a capacidade humana de superar as perdas.

O texto pode cativar os chegados a aspectos religiosos, contudo falha por ausência de aprofundamento das questões.

Ao que parece foi escrito para agradar o leitor e faturar financeiramente com a obra.

Não recomendo a leitura.

William P. Young

william-p-young-1William P. Young , nasceu em Alberta, no Canadá, e passou parte da infância em Papua Nova Guiné, junto com seus pais missionários, em uma comunidade tribal.

Pagou seus estudos religiosos trabalhando como DJ, salva-vidas e em diversos outros empregos temporários.

Formou-se em Religião em Oregon, nos Estados Unidos.

 

 

Referência bibliográfica

Young, William P.
A cabana /William P. Young – tradução de Alves Calado. – Sextante, 2008.
Tradução de: The shack.
236p.
ISBN 978-85-99296-36-3
1. Mudança de vida – Ficção. 2.Criança desaparecidas – Ficção.3.Ficção americana. I. Alves – Calado, Ivanir, 1953 -. II. Título.
(R)

O leitor toma conhecimento de fatos ocorridos na história do Brasil, que elucidam questões que deveriam ser ensinadas nas escolas.

O autor não se posiciona de forma crítica, relata os fatos com base em pesquisas.

É louvável a forma, já que o leitor, de acordo a sua maturidade política, poderá abstrair o que melhor lhe convier a respeito dos fatos.

A viagem da monarquia

marinha-portuguesa-1A monarquia portuguesa decidiu sair de Lisboa com destino à colônia, empurrada por Napoleão Bonaparte que estava decidido a invadir Portugal.

Empobrecida, sem recursos financeiros e logísticos para combater Napoleão, a opção de D. João VI foi abandonar os súditos em Portugal, com apoio da Inglaterra.

A frota de navios ingleses era composta por embarcações bem estruturadas e diferente do que ocorria com a portuguesa, cujas embarcações não passavam de sucatas.

Por isso, e devido à forma apressada que a corte saiu para o Brasil, D. João IV chegou a Salvador sofrendo o pão que o diabo amassou.

Abertura dos portos para inglês ver

Na Bahia, para tornar-se simpático aos brasileiros e atender acordos com a Inglaterra, decidiu abrir os portos da colônia às nações amigas.

Os países europeus estavam sendo invadidos pelo exército do jovem general Napoleão.

A Inglaterra manteve-se combatente às investidas do conquistador, logo, não é difícil concluir que ao abrir os portos às nações amigas D. João IV permitiu, apenas, que navios ingleses atracassem em portos brasileiros.

Trovões, caranguejos e corrução

rio-de-janeiro-colonia-1D. João VI foi um príncipe feio, com lábios pendentes, mãos finas, inseguro, tinha medo de caranguejos e trovoadas.

O medo de caranguejo era tanto que ele usava uma piscina fabricada de madeira, depositada nas praias do Rio de Janeiro, para evitar o contato com os crustáceos.

Para manter o elevado custo da corte, corrupta e perdulária, o monarca fez de tudo um pouco: trocava favores; ajudava a praticar genocídio com o tráfico de escravos; e recebia bens de traficante.

Enquanto recebia favores, mantinha custos elevados com a igreja, a exemplo de pagamento do valor equivalente a 14 mil reais por mês ao padre para confessar a rainha.

Subornava o proprietário do primeiro jornal publicado no Brasil para não divulgar notícias contrárias aos interessasses da monarquia.

Desordem econômica e exigências de Lisboa

Enquanto refugiado no Brasil, contribuiu para a desordem e saques aos cofres públicos.

Ao retornar a Portugal, traze anos depois, para conter movimentos da revolução liberal que surgiu na cidade do Porto, em 1920, devido o sentimento de abandono provocado pela vinda do monarca para a colônia, ele foi obrigado a concordar com as exigências das Cortes portuguesas e jurar uma nova Constituição, mesmo antes de desembarcar em Lisboa.

O autor também relata outros acontecimentos vividos por personagens famosas a exemplo de Carlota Joaquina, cuja convivência não foi nada pacífica.

O livro relata muitos outros detalhes da história brasileira que merecem ser conhecidas.

Leitura recomendadíssima!

Laurentino Gomes

laurentino-gomes-1Formado pela Universidade Federal do Paraná, com cursos de especialização nas Universidades de São Paulo, Cambridge, na Inglaterra, e Vanderbilt nos estados Unidos.

 

 

Referência bibliográfica

1808: História do Brasil / Laurentino Gomes – 1956.
– Planeta do Brasil, 2007.
408p.:
ISBN: 978-85-766-5320-2
1.Literatura brasileira 2. História do Brasil.
(R)

 

Segura e habilidosa na arte de roubar livros, Liesel, viu-se frustrada por imaginar ter enganado quem conhecia as suas aventuras e as reconhecia por direito.

Ilsa Hermann, esposa do prefeito, dona de uma rica biblioteca residencial, onde os livros eram roubados, acolhia a menina para compensá-la pelo que não pode oferecer.

Certo dia, Ilsa, resolve escrever a Liesel relatando conhecer a sua conduta e terminou com a emoção do jogo.

Busca por uma razão

a-menina-que-roubava-livros-2Liesel buscava, nos livros, o sentido de tudo que viveu: destruição, morte, miséria, infância recalcada e submissa, perdas e falta de alternativa para uma vida digna.

Não fosse o encontro com Rudy Steiner, de quem se tornou amigo e a ajudou nas estripulias, a sobrevivência na Alemanha nazista teria sido insustentável.

O livro desperta alegria, tristeza e revolta.

Liesel narra e revela sentimentalismo, ternura, cuidados com as pessoas atingidas pela dor e pela brutalidade da guerra.

Enfrentamento politico

a-menina-que-roubava-livros-1Mostra indignação com os extremos das barbaridades que atingem as consumações nazistas, e, em alguns momentos, enfrenta perigos para ajudar pessoas marcadas para morrer pelo regime de Hitler.

Liesel constrói uma amizade, subterrânea, com o judeu Max, fugitivo do regime, abrigado, por Hans, no porão de sua residência.

A amizade entre os dois foi construída pelo diálogo e troca de valores que marcaram a vida da garota.

O livro é um ensinamento de superação através da criatividade, forma um mundo paralelo e ao mesmo tempo se insere no conceito político, limitado pelo sentimento de uma consciência adolescente.

Markus Zusak

markus-zusak-1É australiano e mora em Sydney.

É o mais novo de quatro filhos de um austríaco e uma alemã.

Cresceu ouvindo histórias a respeito da Alemanha Nazista, sobre o bombardeio de Munique, e judeus marchando para campo de concentração.

 

 

 

Referências bibliográficas

Zusak, Markus, 1975 –
A menina que roubava livros / Markus Zusak ; tradução de Vera Ribeiro – Rio de Janeiro: intrínseca, 2007.
480p.: il.
ISBN 978-85-98078-17-5
1.Livros e leitura – Ficção. 2. Judeus – Alemanha – História – 1933-1945 – Ficção. 3. Guerra Mundial, 1939-1945 – Judeus – Ficção. 4. Ficção australiana. I. Ribeiro, Vera. II. Título.
(R)

No livro traz um relato da busca incessante do personagem “K” para conhecer processos que permeiam o poder.

O senhor “K”, contratado para prestar serviços no castelo, sente-se inseguro ao tentar se apresentar para receber as orientações necessárias à execução das atividades.

Deparou-se com uma situação inusitada: Klamm, seu eventual chefe, não permitiu o contato.

Tangenciando o poder

o-castelo-1O agrimensor lutou, desesperadamente, através do mensageiro Barrabás, marcar uma conversa com Klamm.

Sem sucesso, resolveu afrontá-lo conquistando Frieda, funcionária da hospedaria, com grande prestígio na comunidade por ser amante de Klamm.

O agrimensor condicionou o seu matrimônio, com Frieda, ao fato de Klamm recebê-lo para uma conversa.

A exigência deixa transparecer dúvidas quanto ao real interesse por Frieda.

Negociações convenientes

O agrimensor encontrou-se com o prefeito, que habilmente desmereceu o serviço para o qual ele havia sido contratado, enfraquecendo propositadamente a sua posição.

Nesta conversa, o prefeito convenceu “K” a aceitar a tarefa de servente em uma escola da comunidade, abdicando o cargo para o qual havia sido contratado.

Deixou transparecer que apesar de não haver necessidade do novo serviço estava autorizando, inclusive, a sua morada nas dependências da escola, juntamente com Frieda e os seus dois ajudantes.

Por falta de alternativas, a proposta foi aceita por “K”.

Mensagem subjetiva

o-castelo-2Há de se entender que o prefeito usou “K” para enviar uma mensagem subjetiva a Klamm, sobre as forças contrárias existentes nas relações políticas e administrativas.

Na busca incansável por explicação para o que estava acontecendo “K” se depara com Olga, irmã de Barrabás, o mensageiro de Klamm, que depois de longa conversa põe em dúvida o poder de Klamm e de outros funcionários do castelo, referindo-se às mensagens ditas como enviadas por Klamm como possíveis de não serem oficiais.

Por fim, Pepi, que substituiu Frieda nos serviços do balcão da Hospedaria dos Senhores, ao sentir a possibilidade do retorno de Frieda ao seu posto, tentou fazer “K” intuir que a facilidade que ele teve para conquistá-la foi devido ao interesse de Frieda de usá-lo para chamar a atenção do ex-amante, Klamm.

Ética versus interesses

A narrativa induz ao entendimento que o poder é capaz de desenvolver tentáculos eficazes de sustentar estruturas administrativas incoerentes, que funcionam para satisfazerem interesses esdrúxulos, envolvendo relacionamentos amorosos, tornando-se fatores importantes no divisor de águas.

O poder atrai todos os tipos de energia, e, o bom exercício passa por permear o linear da ética, os interesses públicos e sociais.

Franz Kafka

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O escritor Franz Kafka nasceu no dia 3 de julho de 1883, em Praga e morreu, aos quarenta anos, de insuficiência cardíaca, no dia 3 de junho de 1924 em Klosterneuburg, Áustria.

Filho uma família judaica de classe média, seus pais Hermann Kafka (1852-1931) e Julie Kafka (1856-1934) eram comerciante.

A maior parte da população de Praga à época falava tcheco.

Era visível a divisão entre os que se expressavam em tcheco e alemão.

A língua era usada para fortalecer a identidade nacional.

Franz Kafka se expressava nas duas línguas, escrevia em alemão por considerar a sua língua materna.

Era o mais velho dos seis irmãos.

Georg e Heinrich, morreram antes do escritor completar sete anos e as irmãs Gabriele, Valerie e Ottilie morreram durante o holocausto, na Segunda Guerra Mundial.

Formação acadêmica

Kafka começou a estudar química, mas trocou o curso pelo de direito.

Formado em direito, fez parte, junto com outros escritores da época, da Escola de Praga. Esse movimento era basicamente uma maneira de criação artística alicerçada em uma grande atração pelo realismo, uma inclinação à metafísica, uma síntese entre a racional lucidez e um forte traço irônico.

Este estilo lhe rendeu o termo ‘kafkiano’ como algo complicado, tortuoso e surreal.

franz-kafka-e-ottilieKafka é considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.

A maior parte de sua obra, como ‘A Metamorfose’, ‘O Processo’ e ‘O Castelo’, está cheia de temas e exemplos de alienação e brutalidade física e psicológica. A burocracia, as transformações simbólicas e os conflitos familiares são marcantes na obra do escritor.

Kafka preferia comunicar-se por cartas. Além de amigos próximos escrevia para a sua noiva Felice Bauer e sua irmã mais nova, Ottla Kafka.

 

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A mais famosa das cartas escrita pelo escritor foi dirigida ao seu pai, de mais de 100 páginas, nas quais ele reclama de ser profundamente afetado pela autoridade do pais.

Publicações

Apenas algumas das obras de Kafka foram publicadas durante sua vida.

Os trabalhos inacabados de Kafka, como os romances O Processo, O Castelo e O Desaparecido, foram publicados postumamente por Max Brod.

Kafka desejou que os seus manuscritos fossem destruídos após sua morte, contudo o amigo Max decidiu publicá-los.

Incansável leitor, leu Platão, Gustave Flaubert, Fiódor Dostoiévski, Franz Grillparzez e Heinrich von Kleist.

Atividades profissionais

franz-kafka-estatua-de-bronze-de-jaroslav-rona-em-pragaDepois de formado, trabalhou em uma companhia de seguros. Nesta época começou, no tempo livre, a escrever contos.

Com a herança de Hermann Kafka, seu pai, tornou-se sócio de Karl Hermann em uma fábrica de asbesto conhecida como Prager Asbestwerke Hermann & Co.

A Primeira Guerra e a doença

Kafka recebeu sua convocação para o serviço militar na Primeira Guerra Mundial, contudo, por considerarem o seu trabalho na companhia de seguros essencial para o governo, houve adiamento.

Posteriormente foi impedido de servir devido aos problemas de saúde associados à tuberculose, diagnosticada em 1917.

No ano seguinte, 1918, o Instituto de Seguros afastou Kafka devido à sua doença. Naquela época não havia tratamento eficaz obrigando-o a passar boa parte de sua vida em sanatórios.

Vida sexual

Kafka se relacionava com mulheres de forma ativa, contudo, apesar de desejar mulheres e sexo tinha pouca autoestima. Manteve relações íntimas com várias mulheres durante sua vida.

Conheceu Felice Bauer, uma parente do amigo Brod, com a qual se correspondeu durante cinco anos.

Ficou noivo de Julie Wohryzek, mas, apesar de os dois terem alugado um apartamento e marcando uma data para o casamento a cerimônia não chegou a acontecer, possivelmente devido às crenças sionistas de Julie, que defende o direito à autodeterminação do povo judeu. Hermann, pai do escritor rechaçadas a ideia.

Depois de Julie, Kafka se relacionou com a jornalista Milena Jesenská e com a professora Dora Diamant que terminou por influenciar o interesse do escritor pelo Talmude, livro considerado pelos judeus como sagrado.

Comportamento

Apesar de pouco empenho pelo esporte na infância, interessou-se, quando adulto, por jogos e atividades físicas, tornando-se um bom ciclista, nadador e remador.

Temia que as pessoas o achassem repulsivo física e mentalmente, contudo, os mais próximos percebiam um comportamento quieto e agradável, uma inteligência óbvia e senso de humor.

Para Pérez-Álverez, Kafka sofria de transtorno de personalidade esquizoide. Esse transtorno mantinha-o distante, individual e indiferente aos relacionamentos sociais.

Outros sugeriram que ele sofreu de um distúrbio alimentar e de anorexia nervosa que pode ter o levado à depressão.

A obra

Os contos foram primeiro publicados em periódicos literários, na revista bimensal Hyperion.

Escreveu Descrição de uma luta (1904), Preparativos para um casamento no campo (1907), Contemplação (1912), O desaparecido (1912), O foguista (1912), O veredicto (1912), A metamorfose (1912), O processo (1914), Na colônia penal (1914), Carta ao pai (1919), Um médico rural (1919), O castelo (1922), Um artista da fome (1922-24), e A construção (1923).

Referências bibliográficas

Kafka, Franz. 1883 -1924.
O castelo / Franz Kafka; tradução e posfácio Modesto Carone – São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
365p.
ISBN 978-85-359-1174-9
1.Romance alemão – Escritores tchecos I. Carone, Modesto – II. Título

(R)